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A saúde, ou, o equilíbrio sistêmico do ser, é uma busca feita por cada uma das pessoas, indistintamente, mesmo que nem sempre seus comportamentos sejam coerentes com essa vontade. Esse paradigma atua, involuntariamente, na mente, dentro da rotina casual. Agora, quando assolados por estados de doença, há um alarme que dispara e coloca boa parte de seus acometidos em posição de alerta. O humor declina, reflexo até mesmo da redução do funcionamento do corpo que padece. A ansiedade se intensifica, levando o sujeito a afastar-se do instante presente e partir para um futuro incerto e desconhecido, no sentido de querer, de qualquer jeito, saber o que lhe reserva. Mitos se concretizam com o passar das décadas e até dos séculos e rituais fortalecem o desespero ou as esperanças, ao ponto de não se mencionar o nome de algumas patologias ou até a sensação de se encontrar, ao menos, filosoficamente, mortos, por serem portadores de quadros ditos malignos.

Peregrinações passam a participar da vida das pessoas. Consultas com diversos especialistas, nas mais diferentes áreas. Tratamentos, remédios e procedimentos. Instantes de esperança e muitos momentos de receio, inseguranças. A credibilidade na ciência exacerba-se e uma luz gigantesca brilha aos olhos daqueles que se sentem em meio à tormenta. Em outras horas, a avalanche do descrédito, a dúvida e até o desespero pelo eventual e suposto risco de morte. Sugestões farmacológicas para conter as emoções são prescritas, antidepressivos e ansiolíticos entram no dia a dia de muitos doentes, afinal, o equilíbrio afetivo auxilia em muito. A atuação de psicólogos é indicada a fim de equilibrar as relações entre a razão e a emoção, o físico e o mental. Mas o sentido da vida, o que nos origina e ao que nos destinamos, formalizam as indagações mais pertinentes da humanidade. Afinal, a dor dói e não saber o que nos acontecerá, atormenta.

Aos religiosos ou espiritualistas, potencializa-se a fé. Aos descrentes, evoca-se um tipo de renúncia ao orgulho e a presunção, dando lugar a, talvez, um último fio de esperança, como o milagre da cura. Clama-se, então, em oração por alguma coisa que transcenda a boa vontade e a competência humana. Frequentam-se igrejas, templos ou casas espirituais. Aproximam-se dos procedimentos da chamada medicina espiritual. De certa forma, pode-se alcançar um estágio em que mente, corpo e espírito percam a homeostase e caiam ladeira abaixo à doença.

Mente, Corpo e Espírito: Onde Está a Cura?

“A Riqueza de Espírito no Estado de Doença

Considerando como a doença é comum, como é tremenda a mudança espiritual que traz, como é espantoso quando as luzes da saúde se apagam, as regiões por descobrir que se revelam, que extensões desoladas e desertos da alma uma ligeira gripe nos faz ver, que precipícios e relvados pontilhados de flores brilhantes uma pequena subida de temperatura expõe, que antigos e rijos carvalhos são desenraizados em nós pela acção da doença, como nos afundamos no poço da morte e sentimos as águas da aniquilação fecharem-se acima da cabeça e acordamos julgando estar na presença de anjos e harpas quando tiramos um dente, vimos à superfície na cadeira do dentista e confundimos o seu «bocheche… bocheche» com saudação da divindade debruçada no chão do céu para nos dar as boas-vindas – quando pensamos nisto, como tantas vezes somos forçados a pensar, torna-se realmente estranho que a doença não tenha arranjado um lugar, juntamente com o amor, as batalhas e o ciúme, por entre os principais temas da literatura.”

Virginia Woolf, in “Acerca de Estar Doente”   –  http://www.citador.pt/textos/a-riqueza-de-espirito-no-estado-de-doenca-virginia-woolf

O começo dessa discussão vem das avessas: onde se localiza a doença? A doença, ou a dor, latinamente falando, deriva do mal estar, do desconforto e da incapacidade de ajuste do indivíduo ao contexto em que se insere. Logo, corpo, mente e espírito, simultânea e indivisivelmente, participam. A usina geradora para essa situação está nas escolhas, já que não existem problemas, mas, sim, opções. Fisicamente, uma simples relação de causa e efeito, dentro dos pressupostos mecânicos, carregando, qualitativamente, um arsenal energético mais potente que a própria bomba nuclear, ou, quantum de energia. Assim, principia-se que, a cura, anteriormente a ser estabelecida, necessita, obrigatoriamente, estar definida na alma da pessoa, com uma ressalva vital: não basta querer.

Enquanto a saúde não passar de um mero estado de conveniência, ou seja, precisa-se arrancar a doença, para uma condição efetiva que se faça sentir, continua-se, permanentemente, adoentado, com sinais de melhora ao longo da curta evolução. A saúde é alicerçada pela premissa da oportunidade, jamais pela ameaça. Não se adoece, adota-se outra característica para estar, cuja finalidade é nobre, evolutiva, justamente pelo fato de se processar um contexto vibracional a impulsionar o sujeito da doença para um estágio melhor. Por isso, a um devir em saborear o intervalo de caos que conduz à prosperidade. De acordo com Barbara Ann Brennan in Mãos de Luz, “Toda doença é uma mensagem direta dirigida a você, dizendo-lhe que não tem amado quem você é e nem se tratado com carinho, a fim de ser quem você é”. É a expressão simbólica do mal produzido nesse agregado.

Assim, não se eterniza, mas, tão somente, limita-se. Anula-se a premissa da construção da história encaratória, fazendo-se prisioneiro, recluso entre pontos finais que dão rescindem a oração: aquela que quer comunicar como a que religa a Deus.

A cura está na doença que construímos.

B

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