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O desenvolvimento da ciência possibilitou uma ampla compreensão sobre a descrição dos processos de saúde e doença. Quantificou-se, anatômica e fisiologicamente, a dinâmica funcional de cada órgão, bem como para cada sistema e com esses pressupostos, a área da saúde alcançou não só entendimento, como também, consciência a cerca dos mecanismos orgânicos. A longevidade foi ampliada e a qualidade de vida das pessoas galgou degraus significativos nas últimas décadas. O progresso nos fez entender, de fato, como o veículo físico de comporta, entretanto, o condutor desse, ainda nem tanto.

O ser humano é paradoxal: não aceita a doença, muito menos a morte, contudo, executa, diariamente, comportamentos suicidas. Há uma contínua e maciça estimulação, desde o nascimento, para a realização de condutas equivocadas e nocivas para nosso bem estar. Nossa alimentação é uma perpetuação de erros que, como consequência, geram danos à integridade de todos os nossos órgãos. Bebemos igualmente mal, ao ponto de deixarmos de lado a água e substituirmos por vários outros danosos. Licitamente, somos educados a manter e modificar esses erros com drogas que se tornam muletas e em seguida vícios para um tipo diferente e supostamente melhor de vida. Adotamos posturas de estagnação, sedentários do corpo, mas, hiperativos da mente.

Essa descrição, pertence ao senso comum, ou seja, é um padrão de comportamento, adotado pela maioria estatística da sociedade. Formamos, através da delegação cultural, ideias e conceitos, pré-definidos e, repassados por herança às novas gerações. Isso leva a formação e a educação de crenças, ou seja, aquilo que se impõe como sendo da ordem do possível ou do impossível. A crença é todo aquilo que se representa na mente de cada indivíduo, é única e reflete, fidedignamente, a realidade interna de cada pessoa. Os estímulos são percebidos (sensoperceção), em seguida pensados, estabelecendo uma conexão coerente entre os diferentes conteúdos. Por fim, provoca-se uma reação, ou, o comportamento.

Para a aquisição de estabilidade e a manutenção da preservação da integridade física e emocional, a repetição leva ao aprendizado, ou, a fixação e assim ao estabelecimento das crenças, ou mitos. Polarizamos esses segmentos e oscilamos entre seus opostos. Quanto menor a consciência, maior é a confusão diante da necessidade de escolha que deriva da análise observada. As etnias possuem valores e princípios próprios e repassam aos seus grupos verdades e prerrogativas que nem sempre são percebidas em outras origens.

Nos processos de saúde e doença, temos duas crenças essenciais: a primeira é aquela que afirma que a reação não saudável, ou doença, acontecerá sempre com os outros, nunca consigo ou com os seus. A complementar a essa surge quando a doença chega. Algo acontecerá e fará com que a pessoa saia da zona de risco. Isso fomenta a crença sobre tudo aquilo que podemos ingerir, colocar em nosso corpo, e, mesmo assim, nada nos acontecer. Interessante é que, para todo e qualquer rito, ou crença, obrigatoriamente, adota-se e se executa um rito, ou comportamento. Na prática, crendo que não se faz mal, faz-se!

“A Crença é Baseada no Desejo: A influência dos nossos desejos sobre as nossas crenças é do conhecimento e da observação de todos, mas a natureza dessa influência é, em geral, muito mal interpretada. É costume supor que a massa das nossas crenças provém de alguma base racional e que o desejo é apenas uma força perturbadora ocasional. Exactamente o oposto se aproximaria mais da verdade: a grande massa de crenças pela qual somos amparados na nossa vida diária é apenas projecção do desejo, corrigida aqui e ali, em pontos isolados, pelo rude choque dos factos.”

Bertrand Russell, in ‘Ensaios Cépticos: Sonhos e Factos’

O desejo não é sinônimo de satisfação, ou, plenitude. Muitas vezes, é uma mera, inconsequente e sem sentido, busca pelo prazer. O desejo sob a ordem do prazer adoece. A satisfação nos leva à plenitude, à homeostase … a tão desejada felicidade.

B

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