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A liberdade. Pressuposto essencial para a o crescimento. Já que viver é uma ação definida por incontáveis atitudes, essas se dão pela interação entre os homens. Afirmar que viver deve ser grátis, nada mais é do que relembrar que as relações não devem ser pautadas em cobranças, mas, sim, de maneira graciosa. Entretanto, vivemos a máxima cultural de que tudo tem um preço e que, toda e qualquer escolha comportamental, é regida, sim, pelo preço que nos custa.

A equação é relativamente simplória: o valor é proporcional à necessidade de uso. Milhões de pessoas morrem desnutridas e paradoxalmente, investem-se cifras em materiais bélicos que assassinam iguais para que o poder mantenha-se centralizado. Permite-se o tráfego de pessoas em área com ebola porque a limitação trás um prejuízo material para a indústria e o comércio. Paga-se muito pela má alimentação e depois mais ainda para sanar a doença com a indústria farmacêutica.

“A Verdadeira Generosidade

Observo em nós apenas uma única coisa que nos pode dar justa razão para nos estimarmos, a saber: o uso do nosso livre-arbítrio e o domínio que temos sobre as nossas vontades. Pois as acções que dependem desse livre-arbítrio são as únicas pelas quais podemos com razão ser louvados ou censurados, e ele torna-nos de alguma forma semelhante a Deus ao fazer-nos senhores de nós mesmos, desde que por cobardia não percamos os direitos que nos dá. 


Assim, creio que a verdadeira generosidade, que faz um homem estimar-se a si mesmo no mais alto grau em que pode legitimamente estimar-se, consiste somente, por uma parte, em que ele sabe que não há algo que realmente lhe pertença a não ser essa livre disposição das suas vontades, nem por que ele deva ser louvado ou censurado a não ser porque faz bom ou mau uso dela; e, por outra parte, em que ele sente em si mesmo uma firme e constante resolução de fazer bom uso dela, isto é, de nunca deixar de ter vontade para empreender e executar todas as coisas que julgar serem as melhores. Isso é seguir perfeitamente a virtude.”

René Descartes, in ‘As Paixões da Alma’  –  http://www.citador.pt/textos/a-verdadeira-generosidade-rene-descartes

Nega-se a satisfação de estar com o outro e assim possibilitar compartilhar. Hoje é factual a importância do status, a educação da posse e o princípio da competitividade tecnológica que exibe as possibilidades e enaltece a vaidade que nos faz cada vez mais, orgulhosa e egoísta. O preço pago, contudo, nem sempre é em espécie. A inversão de valores nos faz arruinarmos em dívidas morais e sociais. Somos tomados pela compulsão do uso, possibilitando-nos experimentar a conveniência e a utilidade que seres vivos passam a ter para nossas vidas, confundindo-os como coisas ao invés de entes.

Contrariamente a essa intenção proposta, alcançamos o ápice da miserabilidade humana. Fazemo-nos descartáveis, ou seja, logo após usarmos uns aos outros, jogamo-nos ao lixo das fábulas racionais. Negligenciamos o desejo próprio em prol da imposição de uma suposta realidade alheia: vivemos para agradar aos outros e para nos iludirmos com a aceitação desses para conosco. Assassinamos, física e filosoficamente a todos que gritamos nossas considerações, mas, igualmente, suicidamo-nos com propósitos descabidos, inúteis e sem nenhum tipo de sentido. Eis ai o maior preço que pagamos por não acetarmos viver de graça.

Doe-se e aceite tudo que te oferecerem. A riqueza vem do sentimento que vai junto.

Generosidade

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