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Estamos vivendo as comemorações alusivas ao dia do Professor. A figura desse profissional no Brasil é rechaçada, desqualificada e, acima de tudo, absolutamente desrespeitada. Pior do que isso é usada pela dinâmica política e econômica como baluartes de conquistas e de discursos esfarrapados que discorrem conteúdos delirantes a cerca do processo de educação nesse país. A educação em si, assim como seus sujeitos, especificamente, o Professor, não pertence a uma condição partidária, pois ninguém de fato a diferencia, mas, tão somente, a mal trata, genericamente em diversas situações.

Coincidentemente, nesse ano de 2014, encerro um ciclo de vinte anos como docente para cursos de graduação e pós-graduação e cursos de extensão universitários. Além dessa trajetória, atuo como consultor para projetos na área da educação, pública e privada. O pressuposto mais sólido e significativo que angariei com essas experiências é que a educação é a única ferramenta capaz de provocar o desenvolvimento humano, refiro-me a uma visão qualitativa para à saúde, a integração comunitária e o aperfeiçoamento antropológico de cada uma das pessoas. Todo o restante não passa de uma consequência desejada. Inclusive, essa concepção é o que ouvi e li ao longo dessas décadas por parte de teóricos e cidadãos políticos.

A impressão que tenho é que depois de todo esse tempo, caminhei e, a distância foi longa, e acabo chegando quase que num mesmo ponto de partida, referindo-me a estrutura existente para o desenvolvimento do processo educacional. Há sim uma proliferação de entidades educacionais espalhadas aos quatro cantos, dando acesso à formação de pessoas que até então não chegavam a esse benefício. Paradoxalmente, a qualidade da educação não traçou a mesma velocidade e nem obteve índices próximos a isso. O índice de analfabetismo caiu, mas, de maneira hilária, analfabetos funcionais tomam conta dos espaços sociais. As pessoas não sabem ler, interpretar e muito menos escrever um texto. Igualmente, a participação nos cursos de graduação foi  intensificada, mais pessoas cursam e as resposta em termos de desempenho são cada vez mais desesperadoras.

Leis foram criadas, métodos reciclados, inclusões e a permissividade passiva da aprovação automática levando  nome do país em escalas maiores de referência à educação profissional e técnica. Em compensação professores sem treinamento e capacitação para suas novas atribuições, apenas mandados a fazerem. Não existem recursos e não falo de tecnologia, pois escolas que oferecem livros escassos e nem mesmo bibliotecas possuem, não devem pensar em computadores. Os centros universitários formadores de novos professores, eximem-se dos mestres, optam por títulos que nem sempre se respaldam com a devida experiência do exercício profissional. Nem entrarei na questão salarial ou de benefícios que acabam com a imagem desse profissional tão significativo para a sociedade. O Professor está muito atrás de várias outras profissões, até mesmo as braçais.

O fato é que, no Brasil, ensina-se mal e aprende-se pouco. Educar é fomentar o direito de exercício da liberdade e essa só se conquista através da ação de pensar, tirando os gessos da ignorância e elevando o ser a uma amplitude que trate as diferenças como possibilidades e não como rivalidades. Há um mecanicismo no ensino e, por favor, bem distantes daquilo que se delega a Descartes. Passamos a reproduzir, não a estudar, e bem menos a pensar. Sem o devido saber, afastamo-nos, cada vez mais, do devir que apontaria às direções saudáveis: a consciência sobre o fenômeno vida.

Com raríssimas exceções, não existe a melhor educação, apenas as mais funcionais. Os mestres, em extinção e quase na face das novas cédulas de dinheiro emitidas pela casa da moeda. Em compensação, temos uma população de potencial elevado e que vai se virando para subir, mesmo atropeladamente, as escadas da evolução.

E resgate da qualidade para a educação deverá, ter seu início, obrigatoriamente, na figura do próprio professor. A retomada de sua identidade e do devido valor que tem passa, essencialmente, pelo reconhecimento dessa população, para, ai, ser observada em todos os demais. A luta não pode ser sobre discursos elaborados por falácias e nem vendido para a ideologia política, mas, sim para a força das ações que esse grupo desconhece que tem. É impedir de ser usado por siglas e assim oscilar conforme o andar da maré.

A educação, por mais surpreendente que seja, independe da política, mas, para isso, é preciso deixar de estar parasitária dentro da sociedade.  Afinal, todo dia é dia de aprender e do Professor.

Professor

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