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SENTIR, LEMBRAR E CONSTRUIR UMA CONSCIÊNCIA DE LORENZO

 

Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor eu nada seria

É só o amor! É só o amor
Que conhece o que é verdade
O amor é bom, não quer o mal
Não sente inveja ou se envaidece

(Monte Castelo. Legião Urbana, 1990)

Convivíamos por mais de três anos. A impressão é de que séculos haviam passado. Sentia-me estático. O controle que sempre esteve presente em minha vida dissipava-se. Percebia o caos e uma profunda desorganização. Apenas sabia que mais um filho participava de meu mundo, porém, ao mesmo tempo, tinha-o como um intruso, alguém que surgiu para virar minha vida de cabeça para baixo.

Não conseguia compreender meus próprios sentimentos, pois de um lado existia uma pessoa, um pai, um ser embasado em princípios e valores que não se coadunavam a essa relação que persistia, que era imutável. Era nítida a dicotomia instalada dentro de uma mesma alma. O desespero dentro dessa incoerência era absoluto. Parecia-me enlouquecer dentro de uma sanidade controversa, mas, socialmente ainda percebida.

A ira confundia-se com a profunda tristeza. Ninguém ao meu redor conseguia ter a ideia do que se passava dentro de mim. Nem mesmo os mais íntimos. Meu impulso em amá-lo era privado por algum tipo de contenção, como se ficasse encapsulado em uma camisa de forças invisível. Uma montanha de sentimentos indefinidos assolava aquilo que me fazia estar. Somente tinha a certeza de que minha identidade fragmentava-se aos poucos, definhava.

Internamente, questionava-se, incansável e interminavelmente, dormia e acordava buscando respostas para essa confusão, para o cenário e personagens esquizoides que passaram a fazer parte da minha rotina. Esse processo era recíproco, Lorenzo, igualmente, manifestava dificuldades e obstáculos para com a vida num todo e, especificamente, comigo que era seu pai. Em verdade, não havíamos nos tornado pai e filho, no máximo tutor e tutelado.

Antes mesmo de Lorenzo completar quatro anos, as peças de um enorme quebra cabeças, começava a se encaixarem. Aquele labirinto que se desenvolvia parecia se abrir, as paredes racharem e os mistérios se dissiparem, mesmo que acompanhados de grande complexidade.

Era um dia de inverno. O final da tarde nem estava próximo. Lorenzo estava sentado no sofá da sala. Eu me encontrava em minha mesa de trabalho conduzindo minhas tarefas e sua mãe organizando seu material de trabalho. Inesperadamente, a criança que ainda esforçava-se para superar suas dificuldades com a fala, dá início a um relato que visava à confissão de um episódio vivido por mim e ele , anos antes de seu nascimento.

Retornando ao ano 2000, em 15 de Agosto, fui acometido por um gravíssimo acidente de automóvel. Era um dai e chuva e, em uma estrada sinuosa, aquaplainei meu carro, capotando repetidamente. Como resultado, perfurei os dois pulmões, fiz um trauma craniano, fraturei seis vértebras (T5 a T10), a patela do joelho esquerdo, fratura exposta de tíbia e fíbula.

Fui resgatado, passei por uma complexa cirurgia na coluna, colocando oito ganchos e titânio e duas barras de titânio na coluna. Além de outra com a finalidade de corrigir as lesões nos ossos da perna esquerda. Concomitantemente, sofri uma infecção hospitalar e por isso fui submetido a mais cinco cirurgias para a evolução do quadro.

Anteriormente a esse acidente, passei quase um ano visualizando a ocorrência desse evento. As imagens vinham a minha cabeça, o local do acidente, a maneira como aconteceria e mais alguns detalhes genéricos. Seguindo as orientações da filosofia cristã, buscava orar e vigiar, resguardando-me de tal premunição e até buscando a explicação para o fenômeno que se apresentava

Essa descrição sumária introduz a justificativa sobre o relato construído por Lorenzo. Nessa tarde, já fria em virtude do início do inverno, reporta à premeditação ocorrida para o sinistro. Chama a minha atenção e de sua mãe e passa a nos contar alguns fatos, inicialmente evasivos e sem sentido, ganhando corpo e coerência em seu desenrolar.

Lorenzo menciona um acidente de carro que havia acontecido. Demonstra uma reação facial de dor e repúdio, dando a impressão de que estaria reproduzindo uma imagem que se passava à sua frente. Logo em seguida, passa a agregar informações muito semelhantes aquilo que tinha vivido e que minha esposa ouvira de mim. Ai, fixamos nossa atenção e deixamos de lado as coisas que estávamos fazendo.

O pequeno fala da paisagem, dá detalhes de como o acidente aconteceu até chegar ao ponto de nos informar que o personagem principal daquele enredo era seu pai. No exato instante em que isso se revela, foca seu olhar em mim e assume que tudo não passara de uma consequência de seu desejo e de sua ação, em companhia de outros amigos, para que a vida do papai se arruinasse.

Não pude conter o “como assim?” Aproximei-me dele, muito perto mesmo, e carinhosamente, até porque o espanto não me permitia ter nenhum outro tipo de reação, procurei saber mais sobre o que ele estava tentando nos contar. Ele, e forma muito simples e rápida, conclui afirmando que tinha sofrido um acidente, que era da vontade dele e que tinha ajudado a provocá-lo em companhia de outros amigos. Virou as costas e foi embora.

Aquilo acontecera como se um elo perdido estivesse sendo desvendado. Tinha a certeza que nossa dificuldade de relacionamento encontrava-se omissa atrás da porta que se abria e que toda a loucura que tomava conta da minha mente, do meu coração e da minha alma, realmente, não era uma loucura, mas, sim, uma ampliação do nosso funcionamento mental.

Sendo o adulto da relação, talvez, pela primeira vez, senti o Lorenzo, sem fazer de conta, disfarçar ou travestir sua roupagem. Foi, igualmente, o momento de meu reencontro com minha própria essência perdida. Um resgate automático da vivência profissional, o reascender de minha própria caminhada espiritual. Despi-me do descontrole provocado pela situação, do confronto com as frustrações e consegui, ali, naquele exato instante, incorporar a tarefa de trazê-lo à luz da vida, de sua qualidade de vida.

Apesar de há décadas estudar e pesquisar as manifestações espirituais, além de trabalhar no segmento espiritualista, como pai, tive o primeiro impulso para estudar a capacidade mediúnica e a relação com os espíritos das crianças, para não dizer, dos bebês, já que essa história apenas está começando.

Dentro da Semiologia da Psicopatologia, passei, então, a ponderar alguns pressupostos sobre duas funções mentais e etiologia orgânica, consciência e memória, ampliando-as à transcendência funcional da matéria e direcionando-as ao contexto de uma história reencarnatória.

As Alterações da Consciência:-

 Aspectos Materiais e Transcendentais

            A nomenclatura que designa consciência origina-se do latim e aponta a junção e a participação de determinado tipo de conhecimento da vida do indivíduo e com suas relações. Quando analisado pelas ciências neurológicas, é atribuída a função quantitativa e mecânica que permite a resposta do sensório aos estímulos do meio, promovendo a vigília e a lucidez frente às participações da vida. A Psicologia, por seu olhar humanístico e subjetivo, refere-se a um contexto de experiências resultantes, sendo aplicada a característica essencial aos processos. As escolas filosóficas e às voltadas à sociologia pregam a postura clara diante dos deveres e direito pertencentes a cada um de seus participantes. Em qualquer um desses âmbitos, a atuação é conjunta, porém, estruturada sobre uma matriz saudável do Sistema Nervoso Central (SNC).

A consciência, dinamicamente falando, manifesta-se em focos, demarcando uma área de atuação. Nessa área, emerge um foco onde se centralizam os órgãos sensoriais, fixando-o como referencial específico para a vontade e o interesse de cada pessoa. Ao redor dessa interação, permanece todo um material marginalizado, que se afasta e toma uma periferia mais nebulosa, escura, onde acontece a percepção, porém, necessariamente, a consciência não acontece. E, em paralelo a esse espaço, elementos que não se ligam diretamente. Em qualquer uma das circunstâncias, pode haver uma escolha pessoal em evitar a absorção do conteúdo, sendo, assim, armazenados no inconsciente. Não é porque não quero que não aconteça, esse é o lema. Minha negação ou, anulação, ao que ocorre, como mecanismo de defesa, não impede com que registros e interpretações sejam realizados.

Alterações anatomofisiológicas do SNC provocam neuropatias crônicas e comprometem, parcial ou totalmente, a resposta consciente aos estímulos externos e até internos. De um simples rebaixamento, obnubilação, ao coma, estados alterados de funcionalidade podem ser apresentados por pacientes com diferentes tipos de doenças ou lesões. São as chamadas modificações quantitativas da consciência. Nas últimas décadas, a evolução dos estudos, assim como a parceria de diferentes áreas do saber, reorganizaram suas pesquisas e redefiniram suas pesquisas, apresentando, mais claramente, aspectos qualitativos alterados em relação à consciência.

Uma das características qualitativas é “Black outs” fazendo com que surja e desapareçam, abruptamente, materiais atrelados à vigília da pessoa. São manifestações comuns nas personalidades histriônicas, no abuso de substâncias psicoativas e em epiléticos. É denominado de estados crepusculares. Outra forma é a dissociação de consciência, provocando uma divisão do campo, com perda da unidade psíquica. É uma possibilidade criada para lidar com picos intensos de ansiedade, afastando-se da realidade. A última classificação encontra nas manifestações místicas e religiosas sua explicação, ou etiologia. O transe altera a resposta motora da pessoa, interrompendo os movimentos voluntários.

“O estado de transe ocorre em contextos religioso-culturais (espiritismo, religiões afro-brasileiras etc)”. O transe dito extático pode ser induzido por treinamento místico-religioso, ocorrendo nele geralmente à sensação de fusão do eu com o universo. ‘ (DALGALLAHONDO, Paulo. Semiologia da Psicopatologia, 2000).

Essa abertura acadêmica, reconhecendo as manifestações espirituais, é de grande importância. Pautada sobre a égide etnopsiquiátrica, a valorização cultural está sendo o primeiro caminho para delimitar o adequado espaço, separando, as manifestações mediúnicas saudáveis e não saudáveis, e os transtornos psicopatológicos reconhecidos e catalogados através do DSM IV-TR.

O transe, então assim definido pelo brilhante pesquisador, ocorre, nas manifestações mediúnicas, embasadas em diferentes percentuais de aproximação e de domínio de outro espírito, esteja em estado encarnado ou desencarnado, sobre seu receptor, ou também conhecido popularmente como médium. Incorporar é a ação de integrar um padrão vibratório, através de dissociação quântica da alma de um necessitado ou orientador. O fenômeno pode ser parcial, ou seja, parte da manifestação é controlada pelo espírito que chega e parte pelo que recebe independentemente da proporção, ou total, quando o médium permanece totalmente sem consciência, ou, inversamente proporcional, quando o médium desdobra-se e vai às faixas de atendimento, repassando informações e percepções, sem que o outro acesse sua lucidez.

O acontecimento, como regra, tem um tempo determinado para começar e termina, correspondendo ao feito das atividades. As religiões afro apresentam uma possibilidade de intervalo maior, especificamente quando o filho de santo, ou mesmo com pessoas não ligadas aos cultos, “bolam” com o santo, necessitando de intervenções maiores dos Babalorixás. No momento em que a regra é quebrada, através de um domínio permanente do transe, deparamo-nos, então, com estados psicopatológicos agudos, ou, crônicos, e aquilo que inicialmente era uma passagem interventiva da espiritualidade, assume o domínio do indivíduo, estabelecendo um quadro de alteração da personalidade ou uma ruptura psicótica que o leva a um diagnóstico.

As causas para esse estado está associado a uma condensação simbiótica, tanto de corpos espirituais ligados ao agregado, como, também, do controle total de níveis de consciência anteriores à encarnação ou de almas próximas que desejam o desequilíbrio e a desarmonia de seus receptores. Há um afetação dessa função mental no aspecto orgânico, agindo uma oscilação neuropsicológica e, consequentemente, uma resposta inadequada em relação a si, aos outros e ao ambiente de uma forma geral.

Afirmo, irredutivelmente, o privilégio recebido por atuar nas duas pontas de acolhimento de pessoas acometidas por essas dificuldades. Em vinte e cinco anos de caminhada espiritual, atendi, observei e analisei o atendimento de centenas de pessoas carregadas com sinais semelhantes aos descritos. Como Psicopatólogo, em vinte anos de experiência profissional, atendendo em hospitais psiquiátricos públicos e privados, ambulatórios, centros de atenção psicossocial e clínica privada, a mesma coisa. Verificar técnicas experimentais, voltadas ao resgate espiritual, foi de grande valia para minha maturidade enquanto profissional. Maior ainda foi a minha consciência sobre a associação das terapêuticas e a definição de que cada área tem seu espaço, aplicação e devem receber o devido respeito.

Assim como existem pessoas comuns, doentes pela implicação espiritual, da mesma forma, encontramos médiuns, acometidos de alterações pelas mesmas razões. O mais importante de tudo isso é o reconhecimento humilde, tanto por parte dos seguidores da espiritualidade, como os da ciência, da urgência de aproximarem, cada vez mais seus conhecimentos, a fim de promoverem uma qualidade de vida maior para a sociedade e para as pessoas.

Segundo o parapsicólogo norte-americano Scott Rogo, “são raros os casos de pessoas que adquirem repentinamente habilidades pouco comuns, depois de terem entrado em contato com os mortos”. Poucos casos semelhantes aparecem na literatura sobre o assunto, mas alguns deles são extremamente impressionantes. Ocorre que os pesquisadores de hoje em dia raramente têm disposição para examinar cuidadosamente tais ocorrências.” (https://sites.google.com/site/oespiritualismoocidental/estados-diferenciados-de-consciencia).

 

 

Alterações Qualitativas da Memória e as

 Conexões do Histórico Reencarnatório

 

            A memória é uma função mental cuja estruturação está associada à integridade do Sistema Nervoso Central (SNC). O Sistema Límbico habilita a aquisição, retenção e posterior evocação de novas informações. Estudos recentes apontam para a possibilidade de o Hipocampo, Amígdala, Córtex Entorinal e Giro Para-Hipocampal, condensarem os conteúdos, associando-os e estabelecendo ligações entre eles. Já o Córtex Parietal e Temporal promovem o a transferência para as áreas de ligação. Lesões no SNC, provocadas por traumatismos, doenças infecto contagiosas, anóxias ou processos demenciais podem provocar danos na execução mnemônica, que consiste em captar, reter e evocar elementos relacionais.

Quando se refere ao componente qualitativo ligado à memória, centralizam-se as observações sobre a ação de manifestar os dados anteriormente fixados, porém, não seguindo um fluxo real e concreto, mas, sim, modificado, fazendo com que a pessoa externe uma verdade alterada, ou, uma segunda possibilidade em termos de veracidade. A captação do conteúdo a ser registrado ocorre através da senso-percepção e sua diferença corresponde a uma participação de outro elemento sensorial que não o original.

O cérebro, grande máquina de sustentação do corpo físico, é estimulado vibracionalmente, pelo chackra da coroa, situado exatamente sobre a abóbada da cabeça, conectando com os demais corpos do agregado espiritual, desde os mais próximos à vivência encarnatória como os que se situam atrelados ao contexto sutil, ou espiritual. As experiência vividas são registradas, armazenadas e organizadas nas composições mentais, inferior e superior e condensadas em blocos especializados pela evolução, no corpo Buddhi que se conecta ao centro da pétala do corpo mental superior, drenando as sensações e materiais significativos para o enfrentamento à nova oportunidade. O chackra frontal, situado na testa, entre os olhos e acima do nariz, responsabiliza-se para o estabelecimento de frequências, ou seja, o espaço que atua a alma encarnante de acordo com sua emanação vibracional. Os dois vórtices se complementam, pois, quando estabelecida à frequência, abre-se o portal de conexões correspondentes ao contexto optado em experimentar, agregando, ou, rever, associando aos segmentos já armazenados.

Essa sistematização pertence a todos os indivíduos, sem distinção, mesmo que nos deparemos com perfis específicos ligados a algum tipo de doença ou de deficiência mental. O mecanismo é similar, mesmo que agindo desordenadamente. Um mecanismo contínuo e permanente na vida, obviamente, acrescido do conjunto de participações em termos de estímulo e resposta do momento presente em que está se relacionando. Mudanças podem ocorrer ao longo do trajeto, principalmente quando se valoriza a habilidade de desdobramento da alma, podendo ocorrer voluntária ou involuntariamente, que então ocupa mais de um lugar no espaço. O replicar da alma pode derivar em influências de outras sobre a harmonização e o equilíbrio que conduzem o espírito em sua caminhada e nas suas ações focadas na nova experiência.

Ilusões mnêmicas, ou a agregação de elementos não correspondentes à realidade, falseando a percepção da pessoa e dos que se encontram a sua volta, é uma das manifestações qualitativas não saudáveis da memória. É uma alternativa que se abre diante da aproximação com fatos passados que se aproximam, por generalização, ao vivido no presente. Alguns diagnósticos relacionados na Árvore dos Transtornos Psicóticos e nos Transtornos da Personalidade, como Esquizofrenia e Transtorno da Personalidade Borderline manifestam esse tipo de característica. Nas alucinações mnêmicas, o indivíduo cria, literalmente, dentro da ótica psicopatológica, imagens reais como sendo tido vivenciadas, porém, quando investigadas, observa-se a ausência total de veracidade e realismo no histórico de vida. Interessante é que se desencadeiam sem nenhum motivo clínico, podendo desaparecer, também do nada, ou servirem de alicerce para o desencadeamento de sintomas delirantes. Essa disfunção ocorre, igualmente, nos transtornos psicóticos.

As fabulações, definidas por conteúdos imaginativos, até mesmo lembranças específicas, que preenchem vazios de uma memória com dificuldades de fixação. O paciente acredita piamente no que fala e tem o material como um fato pontual em sua vida. As intoxicações por substâncias e a demenciação, redução da capacidade funcional do aparelho neurológico, formalizam a expressão dessas fabulações. Na criptomnésias a dita falsa memória aparece sendo considerada como um novo elemento presente nas experiências pessoais. Não há a consciência de uma lembrança, mas, sim, de algo ocorrido. O Mal de Alzheimer provoca esse tipo de situação.

A outra alteração é a ecmnésia, definida por uma experiência intensa, porém resumida do que aconteceu. Um condensado de vários eventos apresentado em rápidos “flashs”. Muito com em alguns pacientes epiléticos. Aqui, além da experiência clínica e do desenvolvimento espiritual, trago uma passagem usual pertencente a minha vida familiar. Meu filho tem o diagnóstico de epilepsia e encontra-se com cinco anos de idade. Com frequência ele manifesta em sua rotina e evolução, episódios de ecmnésia. O que mais chama à atenção é a intensidade emocional presente nos relatos e nas manifestações. Quando inquirido sobre fatos e personagens presentes nas descrições, a riqueza de detalhes expressada é impressionante. A impressão é de um retorno no tempo, com um choque energético provocado nas sensações. Aos mais céticos, muitas informações, sem prévio relato, são verificadas em diversos trabalhos mediúnicos espalhados pelo Brasil que nos auxiliam em seu tratamento e evolução.

A última manifestação alterada é denominada de lembrança obsessiva, ou ideia fixa. Predomina um bloco específico da experiência, sem que o indivíduo consiga removê-lo da consciência, onde o material nem sempre retrata coerência ou lógica. Típico sinal do Transtorno Obsessivo Compulsivo em que pensamentos persistente, seguidos de uma ação repetida, manipulam os níveis de ansiedade dessa fixação. A espiritualidade trabalha com o conceito de obsessão, quando outra alma permanece, com frequência, junto a alguém. É válido lembrar que o processo obsessório sempre tem seu início pela auto-obsessão, ou ideias e condutas suicidas que provocam o engessamento de sentimentos e pensamento. Daí deriva-se a entrada e acoplamento de outras almas que adicionam a essa vibração e frequência definida, simpatizantes que visam corromper a organização vital.

A saúde das lembranças do histórico reencarnatório é definida pela não fixação. É imantar-se das sensações, drenando alguns componentes do vivido, transformando em ações efetivas no presente. É essa dinâmica que deve ditar o andamento dentro da nova oportunidade encarnatória. Porém, esse fluxo nem sempre acontece assim, ordenadamente. Os desvios, fruto das provas e das expiações pertencentes aos resgates a serem provocados, podem alternar esse caminho. A meta é promover o zelo e o cuidado a todas as pessoas, porém, sem estancar as coisas numa visão eminentemente doentia, mas, sim, seguindo a natureza dos degraus que cada um venha a galgar. Isso não afasta a desarmonia, apenas amplia as condições de restabelecimento de que passa por essas questões.

Lorenzo III

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