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PSICOPATOLOGIA E VIDAS PASSADAS

A História de Lorenzo

 

 

AUTOR

Clécio Carlos Gomes

 

 

EDITORIAÇÃO PÚBLICA

Blog https://filosmitosritos.wordpress.com

Santa Catarina 2014

D E D I C A T Ó R I A

 

JACOB, meu irmão, me sentido, a razão para a execução da minha tarefa reencarnatória. A ti devo muito, pois me fez ver o princípio, o meio e o fim. Apesar de minhas falhas e involução, tornei-me uma alma melhor devido à sua dedicação e orientação. Se hoje faço da escrita um meio de auxílio é por tua determinação que se alcança esse objetivo. Amor e respeito a você me amado velho cego! Obrigado.

KARIM, a justificativa de um lar está na sua causa, jamais nas consequências. Você me fez ligar-me mais ao planeta, mostrando-me o amor, o companheirismo e a beleza de toda uma vida. Todos os frutos colhidos ao longo desses últimos anos resultam do nosso semear, das nossas mãos, esforços, dores, sofrimentos e alegrias. Vaguei a esmo pelo espaço vazio em busca da minha cara metade e te encontrei por inteiro. Amo-te de verdade, hoje e sempre.

PROFISSIONAIS DA ÁREA DA SAÚDE, que inspirados pela divindade, externando o amor que carregam em seus corações, assim como a dedicação ás suas responsabilidades sociais, lutaram ao nosso lado pela qualidade de vida do nosso filho. Alguns cito nessa história, outros, guardo eternamente em meu coração.

AMIGOS DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS, em especial Marcelo e Cássia, irmão de caminhada, José Orlando, Pai de Santo que se debruçou com dedicação e amor a causa espiritual do Lorenzo. E a você amada, querida e eterna Mônica (Titi) que nos ofereceu o que há de mais rico, o maior valor de um espírito e de u ser humano: seu amor e comprometimento com tudo que passamos ao seu lado.

Tio Irineu, tia Guiomar e prima Cleide, que talvez não consigam mensurar a magnitude dos gestos, do apoio e da estrutura que nos propiciaram ao longo desses anos todos. Não existem palavras que consigam traduzir o que sentimos por cada gesto e cada palavra.

A você BETINA, minha amada e doce filha. Que companheirismo, que renúncia. Tantas vezes deixada de lado, participando de todas as nossas loucuras, literalmente. Apoiando, irradiando suas luzes em seus passes espontâneos, demonstrando seu amor. Rindo e ao mesmo tempo fechando-se, vivendo e adoecendo, mas sempre ao nosso lado e na companhia do seu irmão, gêmeo. Como suas atitudes e posturas foram importantes e nos ensinaram.

JOÃO E LUA, meus amados. Perdão pela distância, pelo afastamento e obrigado por sempre permanecerem ao meu lado, participando da vida de seus irmãos e parceiros de Karim. Amo demais vocês lindinhos.

DEUS, obrigado pela oportunidade de me tornar melhor, de aprender e de ter forças para enfrentar tantas coisas.

E P Í G R A F E

Aprenda com o silêncio a ouvir os sons interiores da sua alma, a calar-se nas discussões e assim evitar tragédias e desafetos… Aprenda com o silêncio a aceitar alguns fatos que você provocou, a ser humilde deixando o orgulho gritar lá fora, a evitar reclamações vazias e sem sentido… Aprenda com o silêncio a reparar nas coisas mais simples, valorizar o que é belo, ouvir o que faz algum sentido… Aprenda com o silêncio que a solidão não é o pior castigo, existem companhias bem piores… Aprenda com o silêncio que a vida é boa, que nós só precisamos olhar para o lado certo, ouvir a música certa, ler o livro certo. Aprenda com o silêncio que tudo tem um ciclo, como as marés que insistem em ir e voltar, os pássaros que migram e voltam ao mesmo lugar. Como a Terra que faz a volta completa sobre o seu próprio eixo, complete a sua tarefa.

O Poder do Silêncio

Jean-Yves Leloup

S O B R E   O   A U T O R

 

Clécio é casado com Karim Bevervano, pai de Lua Cândida, João Caetano, Lorenzo e Betina. Violinista e amante das artes, da música, da literatura e da pintura.

É seguidor da Espiritualidade há 27 anos. Iniciou sua caminhada em centros federados, passando pelos trabalhos apométricos, batizando-se na umbanda e construindo um ecumenismo para sua formação espiritual.

Bacharelou-se em Psicologia, especializando-se em Psicopatologia, Psicologia Clínica e em Terapia Sexual pela Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana (SBRASH). Foi aluno especial do curso de Mestrado em Ciências Médicas (UFSC). Retornou à graduação, cursando Filosofia (UFSC), tendo que abandoná-la em virtude de suas questões profissionais.

Tem 21 anos de experiência em clínica, com enfoque no tratamento dos transtornos mentais e dos transtornos sexuais. Professor universitário para os cursos de graduação e pós-graduação na área da Psicologia. Escritor e conferencista em nível nacional e internacional.

Fece Book: http://www.facebook.com/?ref=tn_tnmn#!/pages/Cl%C3%A9cio-Carlos-Gomes/153669094753653

Lattes: http://lattes.cnpq.br/0144581041796358

R E F L E T I N D O   S O B R E   O   L I V R O

 

Nunca fui um espírito evoluído, aliás, estou longe desse estado. Nem mesmo me defino como um pai recheado de adjetivos nobres. Não pensem vocês que não tive vontade de jogá-lo pela janela algumas vezes. Por sinal, não gosto desse tipo de rotulação, indigno-me até. Meu interior ignorante é carregado de dúvidas. Em verdade, a única coisa que posso afirmar, sem nenhum tipo de objeção, é que sou o melhor pai que meus filhos têm. Nada, além disso.

Minha relação com o mundo material nunca foi das mais afinadas. Sempre me integrei melhor com o invisível e procurei estabelecer a seguinte relação: “Onde voas bem alto, eu sou o chão/E quando pisas o chão, minha alma salta/E ganha liberdade na amplidão”.  Em relação ao mundo infantil, nunca quis atender crianças profissionalmente e não era de meu desejo ter um filho com problemas físicos ou mentais. Esse fui eu.

Lorenzo nasceu em 2007 e vi minha vida virada de pernas para o ar. Perdi o controle sobre aquilo que havia construído, solidamente. Diariamente me perguntava sobre o que fazer, ou, melhor definindo, sobre o que tinha feito com minha própria vida. Não nos afinávamos muito, aliás, detestávamo-nos. Era um sentimento recíproco de oposições e de contrariedades. Foi a luz espírita, semeada e construída ao longo de mais de duas décadas, que nos deu uma chance e nos salvou.

De cara larguei tudo. Abandonei uma carreira profissional brilhante, sucesso, reconhecimento, respeito e uma sólida condição financeira para auxiliá-lo. Parti desse paraíso material para o inferno miserável das precariedades e das necessidades, chegando a não ter para comer. Reduzi significativamente minha jornada de trabalho, a menina de meus olhos, minha conceituação de missão espiritual. Parei de trabalhar para peregrinar pelo reestabelecimento do Lorenzo. Foram dois anos de uma refinada e truculenta tortura diante de meu errante estágio de evolução.

Um belo dia me tornei sócio do Serasa e quase cheguei a receber o título de benemérito, com direito a busto e alusões festivas. Isso para um alemão de princípios foi o fim do mundo. Eu, um devedor. Permaneci três anos sem dormir porque choro do meu filho não me permitia os cuidados a ele me solicitavam. Em verdade não sei se desfaleci. Minhas certezas diz que acabei renascendo.

Substitui a persona do famoso Drº Clécio e passei a viver o papel de um órgão anatômico: muito prazer sou o hemisfério esquerdo da cabeça oca do Lorenzo. Uma brincadeira puramente realista. Hoje confesso que amei passar por tudo isso e agradeço a transmutação ocorrida dentro de minha alma. Porém, isso não me faz ser um bom pai, muito menos um espírito desenvolvido. Nada teria valido a pena se fosse para passar a assumir esses jargões piegas e culpados, oriundos do senso comum.

Tudo isso, lido em minhas descrições, não passaram de meras obrigações atribuídas as minhas próprias escolhas. Hoje, percebo que mais doente do que Lorenzo, éramos eu e sua mãe. A pequena criança se transformou num espelho. Sua desorganização, limitações, a falta de perspectiva e até o risco de morte que algumas vezes surgiram, simplesmente mostravam a doença em que vivíamos e a morte filosófica que se dava diariamente através do comportamento suicida que optávamos em perpetuar em nossa rotina.

Falando, exclusivamente de mim, até por que depois da confusão em casa, chego a conclusão que o Drº Clécio jamais foi uma mentira, mas era um ser incompleto, uma metade que se sustentava na jornada da vida. Uma louca e insana vida de dedicação ao outro, buscando responder à sua responsabilidade social, mas sem a devida dedicação para a erradicação dos próprios males. Espiritualmente, um médium obreiro, preletor exímio, contudo, sem se permitir gerar a intimidade com a própria alma.

Foi pela consciência dessa obrigatoriedade, que pude esculpir a minha verdadeira ligação com o amor factual, com a atitude que fomenta esse sentimento.

Lorenzo me ensinou que não bastava cuidar e zelar, mesmo que de forma irretocável. Éramos muito mas do que isso. Era preciso sentir, degustar cada instante e digerir lentamente cada processo para se alcançar um algo, indefinido, melhor. Mesmo sem se saber para quem ou para quê.

Lorenzo me mostrou que a maior riqueza e os valores mais nobres se encontram dentro de nós, desde que transformados em ações, saindo de discursos vazios para atitudes de impacto. Que nossa grande missão se inicia dentro de casa, como espíritos encarnados e não pela defesa de rótulos desenhados em bandeiras doutrinárias ou filosóficas.

Lorenzo traduziu cada uma das linhas do evangelho de Jesus, que lia diariamente por tantos anos, elucidando-me sobre esses ensinamentos frente as dificuldades, as dores, os sofrimentos e minhas frustrações que feriam minha ilha ego centrada de ser. Fez-me participativo, conseguindo definir meu estado de envolvimento com as coisas, até então, e minha passagem para uma condição de comprometimento com aquilo que vivia verdadeiramente.

Lorenzo estimulou minha função mental da afetividade. Como era fácil amar o que identificava e mantinha-me controle sobre as situações. Ampliei isso, projetando meus sentimentos à diversidade, ao inesperado, àquilo que bagunçava tudo que tinha como concreto e certo. Desenvolvi o amor ao vilão, pois pude perceber que ele me transformava de fera em belo, de uma suposição, agora em fato.

Lorenzo provou que tudo era possível, até mesmo no fato de eu poder ser pai dele. Melhor ainda, fez isso comprovando que milagres não existem, mas, sim, a boa vontade, a dedicação e a auto permissão possibilitam essa conquista.

Lorenzo passou a ser minha maior escola filosófica, pois apenas ele, e só ele, consegui me apontar que a consciência sobre as coisas é maior e muito mais relevante do que o conhecimento que se tem sobre elas.

Hoje consigo ter essa consciência. Sei que não perdi nada, pelo contrário, fui angariando cada vez mais com o passar década dia. Somente hoje me percebo rico, pleno e consolidado dentro da miserabilidade que minha alma se encontra. Um espirito pronto para seguir e galgar os degraus que conduzem à evolução e ao aperfeiçoamento.

Lorenzo está com seis anos e seis meses. Ele passou a sentar, depois se levantou e em seguida caminhou para rumar a seu destino. Está frequentando a escola e lutando com dignidade contra suas limitações, valorizando suas conquistas em detrimento a não se lamuriar frente as dificuldades que ainda possui. Lorenzo fala, e talvez esse tenha sido me equívoco na dosagem de sua vitória, porque fala mais que o homem da cobra, dá até um ruim na gente. Mas, acima de tudo isso, Lorenzo é afetivo, ama e conquista com seu sorriso. Hoje está mais um sem vergonha do que um menino doente. Está mais preguiçoso do que incapaz. E eu adoro poder escrever isso.

O que será dele? Se continuarei ao seu lado por muito tempo? Não tenho nenhuma dessas respostas, assim como está no ar muitas outras. Apenas sei que essa história marcou nossas vidas e a de muitos que a acompanharam. E que nosso laço de amor fraterno e de caridade com nossas imperfeições, marcaram a jornada que travaremos nessa linda viagem pela eternidade.

Meu filho, tenho apenas a te agradecer, pois você, mesmo tão pequeno, preparou-me para um novo ciclo. Oportunizou-me a ser uma alma melhor. Repito: não sou um espírito elevado e nem um bom pai, mas sempre fui o melhor pai que você tem. E hoje me sinto capaz de caminhar ao seu lado e me preparar para ser um pouco mais. Você me ensinou que isso é possível.

Minha tarefa, agora, é poder levar a muitos outros pais esse relato de alternativas, fazendo com que passem a ser, igualmente, pais melhores para seus filhos, afinal, são os únicos que eles têm, suas possibilidades exclusivas para serem felizes.

Lorenzo I

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