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“O homem (que tem as capacidades limitadas) não pode compreender,

nem abraçar o conjunto das normas do Criador; aprecia as coisas do ponto de 

vista da sua personalidade, dos interesses concretos e convencionais que criou

para si mesmo e que não se compreendem na ordem da Natureza. Por isso é

que, muitas vezes, aquilo que consideraria justo e admirável, lhe parece mau e

injusto, caso conhecesse a causa, o objetivo e o resultado definitivo.

Pesquisando a razão de ser e a utilidade de cada coisa, verificará que tudo traz o

sinal da sabedoria infinita e se dobrará a essa sabedoria, mesmo com relação ao

que não lhe seja compreensível.”

 

A Gênese  –  O bem e o Mal  –  Capítulo III

 

 

 

                Historicamente, é inegável o domínio secular da igreja católica. Nascida, convenientemente, em Roma, propaga-se por todo o continente Europeu, de pois pelo Oriente Médio e influencia alguns territórios asiáticos, até alcançarem as américas nos descobrimentos do século XIV e XV. A concepção de surgimento apropriado, justifica-se pela oportunidade criada pelo Império Romano e agregar a força cristã para a ampliação geográfica e econômica de seu poderio, onde o clero passaria a participar, com esmero, no adestramento das populações e assim arrebanhando um contingente interessante de forças para a máquina imperial. Apesar da castração aplicada à sociedade, em geral, seria imprudente afirmarmos que tivemos uma era de trevas. A escuridão pairou sobre a liberdade, contudo, parte da produção do conhecimento foi riquíssima,  secundária. O lado negro sobressaiu-se pelo tolhimento exercido à expressão, a criatividade e ao direito de existir através do próprio devir.

 

 

                Após mil e quinhentos anos, aproximadamente, inicia-se o resgate da humanização, em detrimento da espiritualização, fragmentada, falsa, distante de uma possível religação a Deus. O renascimento, concepção de grande propriedade para a nova Era, promoveu o reencontro do homem com ele mesmo. A centelha divina, filhos do Pai, concebidos a sua imagem e semelhança, responsáveis por suas escolhas e direcionamentos. Até hoje estamos nessa caminhada, afinal, a cultura religiosa impregnada ao longo de centenas de anos, mantém-se acessa em nosso desenvolvimento antropológico. Uma das contribuições para essa mudança, emergiu no século XIX, pela manifestação de vários pensadores e filósofos, entre eles, o mais notável e analisado, Nietzsche.

 

 

                Logo após publicar o memorável Assim Falava Zaratustra, em 1886 edita Além do Bem e do Mal, outro título dissertado de forma fenomenal, com certeza, interpretado tão somente sobre o enfoque do homem material, ascendendo intelectualmente, industrialmente e cosmopoliticamente. Nietzsche argumenta que tudo aquilo que se filosofava, o amor a Sophia, embasava-se em premissas morais, alicerçadas à filosofia cristã e que o resgate da identidade individual, demarcando a posição de cada ser sobre a dinâmica comunitária, deveria acontecer, a qualquer preço, além do bem e do mal. Decreta o caos cultural e espiritual que guiava a sociedade.  O bem e o mal se caracterizaram com um dos grandes paradigmas da Idade Média, nas cruzadas e nas catequizações. Ambos postulados pelas prerrogativas da igreja.

 

 

                Em minha percepção, os pressupostos de Nietzsche visavam o exercício de uma teologia da libertação, pautada no respeito e no livre arbítrio, a qualquer preço. A religação a Deus aconteceu pela mentira, à omissão e a desonestidade de homens que se diziam cristãos, pior, que falavam em nome de Jesus Cristo. Mulheres foram condenadas severamente, homens estigmatizados como brutos ou intelectuais, marginalizações distribuídas aos cântaros. Formaram-se inúmeros rebanhos de seres humanos racionais, abrindo mão dessa condição, em nome da concretização de um senso comum. Assassinou-se, perseguiu-se, violentou-se, física e moralmente, o pensamento e o sentimento humano. A ação do homem pelo homem, para e por seu semelhante.

 

 

                Corrompeu-se o sentido espiritual, desviando-se a essência vital que impulsionaria o ser humano ao caminho da evolução. O saber Ocidental e, parte do Oriental, fundamentou-se pela interpretação dos gregos em justaposição à interpretação dos livros bíblicos, latinizados e de posse de uma minoria absoluta que controlava as civilizações e que detinham parte majoritária do poder. Verifica-se essa afirmação lembrando que os dois maiores pensadores da idade média eram religiosos: Tomás de Aquino e Santo Agostinho. Sem querer reiterar isso com veemência, parte significativa dos demais também era.

 

 

                Nietsche considera que ao homem não cabe o divinismo, pois somos limitados e errantes e que de fato não podemos negar o nosso atual estágio de evolução. Viver o que se é, simplesmente conduz o homem a sua senda evolutiva. Na Génese, capítulo III, os espíritos falam a Kardec que a personalidade de cada alma vê o que tem capacidade e que enxerga o que seu espírito alcança, provocando, com isso, o mal produzido, naturalmente pelo próprio homem. Sua frequência estabelecida e a vibração usinada nas relações e escolhas, ditam o padrão que cerca cada um de nós. Pela cegueira, julgamos e negamos nossas próprias limitações.

 

 

                Essa visão que se construiu, origina-se do pacote de valores morais, institucionalizado pela igreja, bloqueando a livre escolha e ação daqueles que contariam e não aceitam. Enfim, o bem está naquilo que se anseia corrigir após a consciência se apropriar do erro ou do desvio que se segue. O mal, esse está na propagação do erro ,na negação de sua conscientização e a potencialização do mal emanado pela lama, una, de cada um. A autoimposição de um devir não saudável, que não é bom. A verdade é relativa, mas, o bem e o mal, não. Quando relativizado, é porque temos a valorização do homem sobre as qualidades que não lhe pertencem.

 

 

                O resgate da nossa origem está o encontro consigo potenciais, necessidades. Um tornar-se puro em si e por si. A fomentação, a partir daí, de uma energia mais pura que leva o homem a ele mesmo. A metamorfose necessária para o homem espírito que então se religa a Deus.

 

Origem I

 

 

 

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