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                Chama à atenção a avalanche de títulos literários e audiovisuais que focam o tema da autoajuda e da confecção de bulas que conduzem à magia sofredores psíquicos. Aliás, há uma retórica para essas últimas décadas que prega um tipo de evolução saudável. Algo circunscrito pelo mercantilismo, já que falamos de um cenário epidêmico, o sofrimento emocional e a conduta comportamental inadequada. Além da produção de tantos arcabouços teóricos, também encontramos segmentos variados oferecendo auxílio a esse público que cresce progressivamente.

 

                Hoje encontramos na Medicina, na Psicologia e outras áreas afins, de base acadêmica, um dos veículos para o plano de tratamento de tantos indivíduos. Além desses, todo o grupo de terapias complementares, onde se observa alinha ligada à naturologia, assim como a associada a algum tipo de energia ou espiritualização, como a cromoterapia. O mercado está tão completo, que, espiritualmente falando, igrejas, templos e centros espíritas oferecem acolhimento e atendimento para melhorarem a vida dessas pessoas e até intencionam à cura.

 

                Absolutamente nada contra e meu total respeito ao trabalho sério e consistente. Contudo, esse contexto me desperta curiosidade: a demanda de sofredores psíquicos, com todos esses serviços, tende apenas a crescer. Onde se encontra o ponto cego dessa dinâmica? Creio que esteja na consciência, no desenvolvimento da consciência das pessoas que se encontram enquanto pacientes, que são humanos.

 

                Essencialmente, há o conflito de um ser, estabelecido entre mais de uma situação. A essa contradição, pautam-se como alicerces, as diferenças. Aquilo que não se iguala é encontrado na realidade interna da pessoa, bem como no mundo que a cerca. O que passa ao ritmo ao grupo, padroniza-se e fundamenta-se como um senso comum e herdado pelas gerações subsequentes. Uma mescla desproporcional entre desejos e frustrações, conquistas e perdas, predominando a inclinação negativa para se apegar. O que construímos, com isso, para esses dias atuais?

 

                Em geral, desenvolvemo-nos assim: deixamos de ser crianças e, precocemente, assumimos responsabilidades incompatíveis com o nível de maturidade mental e física. Não brincamos mais, substituindo o lúdico pela competição, a realidade pela imaginária virtualidade. Convivemos pouco, muito pouco com nosso pais e os afastamos de nossas próprias casas para nos asilarmos nas escolas que pregam ensinar em período integral. Deixamos de subir em árvores e correr na rua e nos trancamos nas salas de aula de inglês e de informática. Deixamos de orar para formarmo-nos fiéis n academicismo eclesiástico.

 

                Adolescemos, crentes de estarmos carregados de muitas razões, mas logo nos frustramos, porém, mais rápido ainda, negamos que não sabemos das coisas. Beijamos a todos, mas vivemos com sede de companhia. Transamos desde muito cedo e repetidamente, todavia, a solidão é a maior companhia. As dúvidas não temos com quem sanar, pois as casas continuam vazias, com todos trabalhando e tendo que dar conta de sobreviver. Muitos engravidam cedo, outros se tornam dependentes químicos e boa parte, em comum, não consegue crescer e mergulhar no mundo adulto.

 

                É nesse mundo que somos cobrados, maciçamente. É o tempo que temos que ter obrigações, assumindo responsabilidades. Ter uma profissão, cumprir horário, casar, ter filhos e construir uma família sólida e saudável. E a partir dai dar início a repetição de tudo aquilo que fora feito conosco enquanto filhos, agora pais. Há uma realidade ai onde muitos adoecem. Como curar o quê?! A essa mesma realidade encontramos uma necessidade emergente de resgatar aos que se afastam dela e, não dando para fazer isso, marginalizando-os. Contudo, o homem é responsável pelo seu processo, logo, precisa se ater a esse contexto e, acima de tudo, permitir-se mergulhar em si e construir a consciência maior, que é sobre si mesmo e não mais padronizar-se. Assumir o encargo dos próprios processos.

 

                É essencial voltar à pureza infantil, porém, dessa vez, com a permissão de vivê-la, saboreá-la, sem infantilizar-se, somente alegrando-se e motivando-se à vida. Essa é a consciência: retornar e reviver, repercebendo.

 

Crianças I

 

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