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Robert Foley in Humanos Antes da Humanidade (UNESP, 2000), apresenta uma série de constatações comprovando a relação do homem primitivo com o medo frente ao desconhecido, sua necessidade  para obtenção do controle e a repetida e interminável busca por um tipo indefinido de estabilidade. Nossos ancestrais hominídeos não cabiam em si com toda essa gama de elementos ameaçadores e anteriormente ao período paleolítico, fósseis de ritualização à morte foram identificados, preenchendo a dinâmica social dos humanos. Ao longo de milhares de anos, aliás, até os dias de hoje, reportamo-nos à fé como um escudo, a proteção que nos falta, a completude que não nos reservamos internamente.

 

Com a conquista de sua sustentabilidade diante do ecossistema, ou, domínio quando comparado com as outras espécies vivas, o próprio homem assumiu oposto hierárquico de maior ameaça desconhecida da humanidade. Não bastasse a supremacia sobre o reino animal, inflacionamos as ambições e projetamos em nossa espécie o desejo, incontrolável, de poder, pressão, passividade e submissão. Tornamo-nos escravos de nós mesmos. Desenvolvemos a guerra, e a partir dela a violência. Adotamos a ação do assassinato, do estupro e da disseminação em massa de incontáveis animais humanos. A essa guerra couberam armas  que violaram a integridade física e a renúncia moral e valorativa, pior de todas as armas, aniquilando a alma de seres vivos, pela simples necessidade de barganha, modificando falsas ameaças em mentirosas oportunidades.

 

Deus e a agressividade do homem foram os pilares da transcendência do Eu. Perdemos a razão, fragilizamos a lógica e negligenciamos sentimentos por séculos, ou, por todo nosso processo de formação antropológica. Alcançamos intensidades de uma insanidade tão nociva que demos conta de racionalizar o próprio mal que aplicamos à vida em um todo. Discursamos para uma direção, absolutamente oposta ao das atitudes e anulamos mecanismo de defesa mais intenso que a negação, o genocídio moral, educacional, cultural, físico e até mesmo espiritual que a pequenez humana deu conta de aniquilar.

 

Porém, não conseguimos, com todas essas supostas conquistas, dar conta de nós mesmos.

 

Iniciamos a guerra interna, conosco. A verdadeira degradação entre um princípio de obrigação engessado chamado por FREUD (1900) como superego e uma remota lembrança do princípio do prazer, esmiuçado e jamais reparado pelo sucesso e a não convicta ascensão. Na década de 40, do século passado, a indústria farmacêutica começou a produzir medicações para essa guerrilha. A camisa de força química, Haloperidol, depois antidepressivos como o Anafranil e em poucos anos uma avassaladora gama de remédios para termos uma melhor qualidade de vida. Mais uma vez, geramos situações externas para revermos o  poder e o controle, mas, dessa vez, sobre nós mesmos.

 

Jamais colocaria em xeque a importância e a colaboração de todos esses medicamentos à saúde. Realmente, existe um grupo estatístico que precisa deles para a regulamentação de sua condição física. Contudo, questiono os demais grupos das pesquisas que não precisam mas acabam compartilhando esse método para facilitar e eximir seus usuários sobre a responsabilidade à própria vida. Fluoxetina daqui a pouco passará a ser colocado no tratamento da água, assim como foi feito com o flúor! Não há fronteiras entre as especialidades médicas, muitos prescrevem, claro que muitos pacientes solicitam e assim girando-se a roda da vida.

 

Concomitantemente, nos primeiros anos do século XX, a valorização do afeto e do comportamento emergem na sociedade europeia com Freud e Jung e demais contemporâneos e nos Estados Unidos com Skinner.  Um veículo altamente eficaz e de resolutividade, cabível a qualquer indivíduo, porém, ganhando o devido reconhecimento apenas no final do século XX. Uma instrumentalização para o efetivo encontro da pessoa com si mesma. Mas, muitos usuários, intencionam fazer de seus processos outro agente externo para assumir as responsabilidades que são intransferíveis. Uma cultura fomentada pelos seguidores da linha freudiana, fundamentados na dissertação intitulada de Análise Terminável ou Interminável.

 

A psicoterapia é mágica e de grande valia, assim como a farmacoterapia, mas, veneno é definido de acordo com a dosagem. Igualmente, nessa evolução, reproduzimos as crenças que transcendem o Eu, absorvendo, literalmente, a fluoxetina e outros sais, e percebendo a psicoterapia como um refúgio de percepções algumas vezes desprovidas da devida consciência.

 

O resgate da crença do Eu é o devir a ser experimentado e aplicado para a consumação de um sentido real para a vida. Consequentemente, inflando a qualidade do existir e gerando, como uma forte usina, uma energia motivacional que anula qualquer tipo de vazio ou desgosto existencial. Esse é o movimento do indivíduo, sem usando como meio todo e qualquer instrumento, como a medicação, a psicoterapia e a religação concreta a Deus, ou outro tipo de mito ou de rito. Jamais passando a ser dependente, como se algum tipo de substância psicoativa agisse no organismo clamando pelo seu consumo. O fim é o EU e sem a ação desse sujeito, todo o resto não passará de engodos que  perpetuarão as fantasias, as ilusões ou delírios, que filosoficamente nos acometem da morte diariamente.  

 

Abandono I

 

 

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