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                Parte significativa das civilizações, ocidentais e orientais, educou-se a egrégia do auxílio de Jesus de Nazaré através da cura. O homem que fez paraplégicos caminharem, doentes graves reascenderem e até mesmo ressuscitar àquele tido como morto, Lázaro. A mística relacionada a esses fenômenos, assim como a propagação ritualística da filosofia cristã, permanecerá, aqui, somente no campo da fé. Direcionarei minhas reflexões à ordem da interação humana e sua inserção política e social.

 

                A Doença: os povos vigentes pautavam a dinâmica da opressão e da ausência de liberdade aos indivíduos que as compunham. Havia a compulsão do uso, escravizando a massa para servir, os fortes para as batalhas e alguns poucos aos sumos sacerdócios. Não havia escolha dentro de um modelo político autoritário e impositivo. Um sentido torpe de valores fragilizados, pautado pela prerrogativa da conveniência. O doente, então, submetia-se, passivamente. A epidemia da doença lasciva social era propagada. Um modelo herdado e percebido até os dias de hoje.

 

                A Terapêutica: o homem de Nazaré assumiu o significado do remédio, antagônico aquela força propulsora. Opôs-se à homeostase presente que ditava um tipo de metabolismo comunitário. A partir desse movimento, significou ao povo um diferente sentido, que não era o da coragem, mas, sim, o da possibilidade para o enfrentamento. Não fez dos que o ouviam pacientes estáticos. Mostrou que a toda saúde que se busca, é essencial interagir e participar, comprometendo-se com a busca.

 

                A escuta terapêutica aconteceu livre de interrupções, julgamentos ou a prepotência onipotente de um sujeito suposto saber (FREUD, 1900). A realidade individual foi recriada, dando subsídios para seu diagnóstico e a escutação a melhor e inédita linha terapêutica até os dias de hoje. Símbolos pessoais eram expostos, crenças inconscientes da coletividade manifestadas: o real encontro entre humanos, bem simples. Concomitantemente, havia a construção de uma compreensão, levando a cada um, alcançar o seu próprio significado. O respeito institui-se como a maior e mais importante religião que deveria ser seguida. A derivação própria do imperfeito não mais se banalizou, rompendo o devir de múltiplos sujeitos. O prenúncio à ontologia do ser e à saúde solidária.

 

                A Resolutividade: esta, com certeza, não esteve na cura, já eu somos entes em constante evolução e damos luz, constantemente a um salutar processo de saúde e doença. Nem mesmo em milagres, pois isso, alguém criou, ou Deus criou.

 

                Muito mais do que levantar e caminhar, todos os seus consulentes encontraram na realidade própria, a identidade intransferível, única. A força capaz, impulsionada, exclusivamente por esse uno, ao movimento de erguer-se, postar a cabeça ao horizonte e dar os primeiros passos pela estrada que percorre. Promoveu a intimidade de vida com sentimentos pessoais que assim direcionavam-se em sentidos particulares à adoção de novos comportamentos. Fez do bom senso o fator agregador ao senso comum. Aniquilou a cura, retirando assim o ponto final para a existência e apresentou somente a alternativa para o crescimento. Tão só, uma opção.

 

                A cruz que faz reconhecer a saúde no mundo pode ser lida como o peso carregado pelo doente que não se encontra e pelo curador que não lhe proporciona a luz para a devida ascensão.

 

Saúde Solidária I

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