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A humanidade perde, recentemente, um dos ícones da dramaturgia. Robin Williams talvez tenha sido bem mais que um ator, personificando em cada personagem vivido, um pouco da realidade de cada um de nós. Fez-nos refletir, mudar valores e direcionar nossas ações a novos comportamentos. Lamentavelmente, dependente de álcool e de cocaína, associado a um quadro depressivo, suicidou-se: sintomatologia mais grave dentre todos os critérios diagnósticos apresentados à doença. Por ser uma figura pública carismática, o fato repercutiu de maneira avassaladora e inesperada.

O grande artista encerra seu espetáculo, novamente, incorporando o cotidiano de outros milhares de pessoas, assim como o fizera em seus papéis. Robin Williams, simplesmente, encenou a vida de outro infinito de semelhantes: João, Maria, Tereza e assim por diante. O retrato dessa particular tragédia é considerado por parte dos profissionais e pesquisadores, como a doença epidêmica para o terceiro milênio. Informalmente, afirma-se que o indivíduo, genericamente falando, teve, ou tem ou terá um episódio depressivo ao longo da vida, podendo levá-lo ao suicídio.

Isso leva a uma lógica interessante: a depressão não distingue, marginaliza e anula a participação de ninguém. Podem ser manifestados, em várias raças, diferentes padrões culturais e educacionais, assim como condições financeiras diversas. Logo, não é o dinheiro sobrando em grande escala, o conforto material e tecnológico, o reconhecimento público e todos os outros tipos de enaltecimentos ou de poderes que por ventura afastam ou distanciarão o indivíduo para essa sintomatologia. Afinal, o que pressupõe essa disseminação para o declínio do humor da humanidade?

Dentro da minha percepção, observo um crescente processo de desumanização, provocado pelos próprios humanos. As pessoas distanciaram-se de si mesmas e também daqueles que participam de suas vidas. O encontro, tão dissertado por Moreno, foi substituído por uma aproximação acelerada, porém, virtual. Tudo é acelerado, rápido e muitas coisas, aliás, talvez quase todas, desapercebem-se ao nosso olhar. A parceria foi desfeita pela competição, e viver passou a ser confundido com sobreviver.

Os sentimentos são superficiais, até mesmo inadequados pela ausência de empatia. A incoerência virou doutrina obrigatória para o dia a dia: pensa-se algo, fala-se diferente e se comporta numa terceira versão. A tolerância está sendo aniquilada pelo princípio da obrigatoriedade, levando consigo, boa parte do princípio de prazer que da sustentação e nutre a rotina. Não há cidadania, tão somente egos centrados caminhando pelas ruas, direcionando-se ao centro de seus próprios umbigos.

O conhecimento se dilacera, fortalecendo a miserabilidade das informações que nos tornam incompletos, inconsistentes. A ação de amar, essa então, é varrida pela estagnação do vazio que preenche o interior das almas… almas penadas, literalmente, que vagam sem sentido e razão por esse planeta. Solidariedade virou soberba e boa ação em orgulhos. Não se presta mais atenção na sociedade … dos Poetas Mortos. Amar, Além da Vida, uma blasfêmia perante o afeto reprimido do aqui e agora. Realmente, alcançamos a égide do gênio … Indomável, carregado de insanidade, ignorâncias da própria realidade, ilhados pela onipotência, abandonados pelas próprias escolhas.

A graça e a alegria, antagônicos da malévola depressão, estão no resgate de nosso Patch Adams. No sentido que passamos a dar a vida como um todo, desnudando interesses próprios e atingindo osso definitivo despertar.

Patch I

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