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É paradoxal referir-se à vida, acompanhado pela sombra da morte. Essa última alicerça a maior de todas as incógnitas humanas, seu maior pavor e, ao mesmo tempo, o ícone sobre qualquer probabilidade que nos direciona. Apegamo-nos à vida e buscamos nos afugentar, continuamente, do final de um ciclo. Evitamos, mal falamos e chegamos ao ponto de abominar, mesmo que diante de sua inevitabilidade. Mas, afinal, qual seria o sentido para essa morte? Nada menos do que dar o real significado à vida que nos pertence.

Viver é uma oportunidade diária, repetindo-se cotidianamente. O sono que edifica é uma prévia daquilo que a cultura definiu, e consolidou como paradigma, a definição sobre a morte. Já o despertar faz-se alusivo a retornar, reacoplar a carne. Essa volta possibilita, oportuniza o novo, assim como a repetição. Dá a chance para rever, cotidianamente, erros e acertos, compreender o bem e processar o mal, transformando-o. Potencializa as aproximações e amadurece as distâncias. Essa deveria ser a prerrogativa aplicada ao dia a dia. Um simples caminho de aperfeiçoamento e de ascensão a uma maior consciência sobre si, as coisas e as pessoas com quem convivemos. Um caminho de evolução natural, sem obrigações, conveniências e intenções desviantes.

Contudo, tão somente, repetimos, exatamente como se nossa realidade fosse a similar ao do dia anterior ou ao do próximo que está por vir. Apegamo-nos às crenças que conduzem nossos comportamentos e ditam as manifestações emocionais. Acoplamo-nos ao outro como se esse nos pertencesse. Somos possessivos e valorizamos uma capacidade e um poder que necessariamente não nos pertence. Geramos uma dinâmica que nos leva a viver para as próprias expectativas, as que projetamos sobre os que nos cercam, validando a responsabilidade sobre nossas conquistas e sucessos a um alguém qualquer, eximindo-nos do que nos cabe e compete. Frustramo-nos, sem dúvida, mas mesmo assim, permanecemos presos num mesmo ciclo vicioso. Ações antagônicas frente ao sentimento corriqueiro de aversão à morte: adotamos comportamentos e reações suicidas, quase como em doses homeopáticas, que nos anulam um pouco mais a cada intervalo de tempo percorrido.

Isso, invariavelmente, afasta-nos do sentido que aplicaríamos à vida. Distancia-nos de uma razão para as ações e fragmenta a lógica que leva à compreensão e ao respeito sobre nós mesmos e cada ser vivo que nos acompanha. A vida eterna é representada pelas marcas que empregamos ao sistema e as partes que o rodeiam. Está no ensinamento repassado, no exemplo marcado e na expressão amorosa que acolhe, mas, simultaneamente, age com dureza para que não ocorram desvios por parte dos que se assemelham a nós, ou seja, todos, incluindo-nos. A vida não está em apegar-se, mas, ser pego. Falo da espontaneidade e da verdade de nos quererem, independentemente das nossas qualidades ou precisões de aperfeiçoamento. É ser pego mantendo a liberdade de estar, de ser e de sentir, mesmo que distante. É reverter essas expectativas para si, retirando no todo do outro e ainda verificando se não ficou nenhum vestígio, pois nossas inclinações cabem a nossa incompletude, ao vazio que toma conta pela ignorância e as inabilidades.

Um sentido à vida ou à morte. O maior de todos os investimentos está na eternização da vida. Esperar pela morte é tornar-se cúmplice do próprio fim … que não se da de fato por for contínua, mesmo com desesperança.

Sentido I

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