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Fé, apesar de ser uma palavra de domínio do segmento místico, apresenta um significado amplo, reportando-se a diferentes sistemas de inserção humano. Sua raiz ortográfica é latina, apontando para a adesão que se faz a algo ou a alguém, de maneira absolutamente verdadeira. Designa o sujeito fiel apoiado em m predicado de fidelidade. (http://origemdapalavra.com.br/site/palavras/fe/)

 

Aderir a algo é uma consequência da identificação que se faz com esse. A identificação é definida, psicopatologicamente falando, com um mecanismo de defesa do ego, estabelecido como uma função totalmente inconsciente que atua assim que o nível de ansiedade dá sinais de ameaça à estrutura do eu. Essa situação não pode ser separada da aproximação que estabelecemos em nossas relações, assim como do universo desconhecido que participam da vida humana e da própria realidade interna de cada indivíduo.

 

Antropologicamente falando, as diferentes espécies de homo, dentro da ordem evolucionista, travaram batalhas significativas com tudo que havia ao redor e, especificamente, consigo mesmos. Justifica-se essa afirmativa pela razão constatada ao aperfeiçoamento de suas funções mentais, salientando ai, essencialmente, a cognição, o afeto e a habilidade social. Assim, o ser eu era primitivo, até o rompante do terceiro milênio, progrediu avassaladoramente para a ruptura do ignorado e, ainda não satisfeito, com a busca frenética de novas oportunidades de interação com o que é incógnito. De fato, isso ampliou e muito as questões relativas à dinâmica externa, comunitária, às formas de relacionamento e, significativamente, à realidade ontológica do que é o próprio ser, o eu de cada um.

 

Esse processo constitui-se como dual, ou ambíguo. O não saber gera dois sentimentos iniciais que definem a escolha para a integração ou não ao novo. Tudo que é encontrado à sombra da lucidez, ou da consciência, provoca, de partida, medo. O medo é o resultado do conflito entre a ignorância contra o que é concretamente. Esse medo gera, automaticamente, a sensação de ameaça, colocando a pessoa em vigília, defensivo e habilitado para mecanismos de luta e fuga. Essa simples reatividade pode levar, então, a opção de não prosseguir, recuando frente à relação. Entretanto, nem tudo que nos é exposto, é cabível ao declínio, muitas delas necessitam, obrigatoriamente, de enfrentamento.

 

A outra vertente que se ramifica sob o que não se sabe, é o da oportunidade. Uma maneira diferenciada para se olhar sobre o desconhecido. Quando tocados por essa sensação, o homem coloca-se, mesmo que em observação, em disparada a descobrir. Dessa forma desvenda-se tudo o que é perceptível e estimula-se a busca do que está inexplorável, sem consciência a cerca desse surgimento. O empreendimento sobre o misterioso universo obscuro do não saber é conduzido pelo veículo da fé. Falando em misterioso, essa é a casualidade da relação com o segmento místico, já que sua lógica é da ordem abstrata, sem uma concretização materialista. Só nos lançamos à coisa pelo fato de cremos. Não existe outro motivo.

 

Por essa premissa, pode haver a fé que se constitui por medo e aquela que se faz por respeito. Porém, o implemento para esse crer, alicerça-se através do mito original e que se propaga, já que sempre mantemos uma ponta de não saber. O mito é a permissão sobre o mistério, a possibilidade à sua descoberta. O mito, mais uma vez, sob a ótica antropológica, transformou-se no conteúdo de pensamento obsessivo coletivo. Somos, genericamente, místicos. Desdobrando-se, quase como simbiose, emerge o rito. A compulsão, ou o condicionamento comportamental. O rito é cerimonial que constitui o protocolo para a condução comportamental do indivíduo ou da coletividade.

 

Ai localiza-se ai a resultante da fé: ameaça ou oportunidade. Aquilo que foi se concretizando e se solidifica hoje, pertencia à ordem do misterioso e a essa ordem se mantém, pois há outras a serem desvendadas. Sobre o componente místico, esse ou foi revelado, ou ainda é contido à sombra do querer saber. Novamente, uma questão de fé.

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