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O amor é considerado como o sentimento mais nobre, magnânimo, mesmo que não se consiga uma compreensão plena de seu significado e, igualmente, o contato direto com seu sentido anda mantenha-se afastado das muitas coisas ditas em seu nome. Antagonicamente, o amor é atemporal, já que se faz, naturalmente, presente na vida do homem, desde a mais precária de suas etapas primitivas, até o alcance maior de seu desenvolvimento. Ao mesmo tempo, impõe-se sobre um intervalo de tempo determinado, até quando recitado pela imortalidade da poesia ou a eternidade da mística espiritual.

 

O amor não cabe em si, eis à razão de sua magnitude. É contagioso e se alastra, nem que seja por mero desejo, pautado pela falta de prática. Sua intensidade e grandeza tornam-se incompatíveis com o traço ego centrado fomentado por nossa humanização. Em verdade, o amor é algo estranho, querido, mas nem sempre ambicionado. É confundido, misturando-se aos princípios que regem a lei de desamor que pauta a conveniência, o orgulho, a autoproteção e, acima disso tudo, seu maior arque inimigo, o amor próprio. É tido equivocado por isso, acabando por ser misturado, tendo uma identidade ora de objeto e em outro instante, como sujeito. Muito distante de ser sentido, o amor passa a ser usado. Porém, é o afeto distante de qualquer pessoa singular. Sua manifestação é eminentemente originada do plural, um envolvimento coletivo, sem distinção e nem diferenças.

 

Em verdade, o amor é eterno sim. Parafraseando a verdade em verso de Vinícius de Moraes, sua imortalidade é atrelada ao intervalo de tempo que determina sua duração. É único, de força exclusiva, apontando à diretriz e o rumo e revelando a consciência das partes envolvidas pelo sentimento. Ao contrário do que se disserta, o amor é lógico e quanto mais o for, melhor será sua compreensão e vivência. Refiro-me ao engessamento que o homem ambiciona a ele aplicar. O fato é que as pessoas são passageiras, meras tripulantes da Locomotiva da Alma. Os enredos que se participam, situacionais, vão e vem. Palcos são múltiplos, em tempos e espaços infinitos. Ou seja, nós somos simples sujeitos que se deleitam dos momentos do amor. A eternidade desse afeto encontra-se em sua execução, na verdade que se oferece a si e a quem ou ao o quê se ama, na vibração repassada e, essencialmente, na liberdade que se confere.

 

Esse hiato de tempo é a prerrogativa que alicerça o sentimento: o amor não aprisiona, liberta. O amor não só afaga e acolhe, mas quando sentido plenamente, reconhece que precisa bater. Ao amor não cabe expectativa nem ambiciona reciprocidade. Manifesta-se, apenas, por respeitar o que é complementado no ser aquele que se ama. O bem que causa e o benefício obtido com a oportunidade da ação de amar. O amor não se revela julgador, acolhe o que é pelo devir individual e não por aquilo que se almeja. Não importa se surja numa fração de segundos, num encontro casual, dias, meses ou anos. O devido valor do amor está na forma em que se oferta, acolhendo tudo o que pode ser oferecido pelo outro, tendo isso como a maior de todas as riquezas adquiridas.

O tempo do amor é imediatamente agora, sem apegos ao passado, muito menos pela vã esperança de um futuro incerto. O amor não é posse, nem do próprio tempo. O amor é um sabor a ser degustado, a ser aprendido.

 

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