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Fala-se, aqui, de um princípio, talvez, algo ainda maior, um valor. Muito além de uma mera ação, perdoar é simboliza a concentra uma série de infinitas prerrogativas para o equilíbrio e a harmonia das pessoas, mantendo-as em um estágio adequado de saúde mental. De origem latina, per traduz-se por completude, totalidade e donare por doação, entrega. O sentido, então, de perdonare, ou perdão: doar-se por inteiro frente ao erro ou dano ocasionado. http://origemdapalavra.com.br/site/palavras/perdao/.

 

Para referenciar-se ao perdão, é preciso contextualizar o fenômeno que origina a causa para esse movimento sublime. Pessoas envolvidas, provocando ações e reações, em dado momento, podem provocar sofrimento ou dor ao outro, em intensidades variáveis. Tal fator gera uma mácula, como se fosse uma cicatriz que passa a acompanhar o sujeito autodenominado de vítima. Não restam dúvidas de que nossa realidade diária presencia esse tipo de comportamento e que um número incalculável de indivíduos acaba sofrendo com atitudes muitas vezes desmedidas. Isso se potencializa visto a cultura competitiva em que nos inserimos e, pelo perfil ego centrado que é disseminado na formação e no desenvolvimento das gerações que se perpetuam, antropologicamente falando. Por essa razão, orgulhos individuais são feridos e batalhas, algumas delas, intransponíveis, estabelecessem-se.

 

A irracionalidade e, até mesmo algumas insanidades, vinculadas a esse mecanismo, precisam de questionamentos fortes. A justificativa está no ciclo vicioso que se forma, perpetuando e disseminando uma série, ininterrupta e evolutiva, de ações atrozes, danosas aos envolvidos e ensinadas aos novos que testemunham esse desenrolar. Dentro de um princípio lógico, esse gasto de energia não cessa, além de potencializar desgastes e sofrimentos, já que há a necessidade de se existir um vencedor.

 

“Se não fôssemos perdoados, eximidos das consequências daquilo que fizemos, a nossa capacidade de agir ficaria por assim dizer limitada a um único acto do qual jamais nos recuperaríamos; seríamos para sempre as vítimas das suas consequências, à semelhança do aprendiz de feiticeiro que não dispunha da fórmula mágica para desfazer o feitiço. Se não nos obrigássemos a cumprir as nossas promessas não seríamos capazes de conservar a nossa identidade; estaríamos condenados a errar desamparados e desnorteados nas trevas do coração de cada homem, enredados nas suas contradições e equívocos – trevas que só a luz derramada na esfera pública pela presença de outros que confirmam a identidade entre o que promete e o que cumpre poderia dissipar. Ambas as faculdades, portanto, dependem da pluralidade; na solidão e no isolamento, o perdão e a promessa não chegam a ter realidade: são no máximo um papel que a pessoa encena para si mesma.”

Hannah Arendt, O Perdão e a Promessa, in ‘A Condição Humana’  http://www.citador.pt/textos/o-perdao-e-a-promessa-hannah-arendt

 

Para se compreender a grandeza desse valor, faz-se necessário compreender seu significado e simbolismo. Sua totalidade está ligada ao entendimento de que cada ser humano ocupa um degrau distinto na escalada evolucionista, tendo, assim, incorporado uma maneira de saber, que o leva a reações específicas. Ter como norte o bem de todos, é um caminho para se afastar da mesquinharia e assim auxiliar aos demais a galgarem novas etapas em seu desenvolvimento. Em caso de revidar, busca-se jogar ainda mais para baixo que vê o que pode ser visto, opondo-se a grandeza de estender a mão para que saia, ativamente, de onde se encontra limitado. Isso não é pasmar-se, muito menos ridicularizar-se, mas, sim, apresentar uma alternativa diferente daquela que se encontra vigente. É a verdadeira entrega à empatia e à dinâmica caridosa, tão ausente em nossa realidade social.

 

Perdoar não é fazer de conta que nada aconteceu. Não se aproxima de uma crise de amnésia, ou das fabulações dos mundos de faz de contas. O perdão, quando exercido, verdadeiramente, é a possibilidade única de transformar a ameaça em oportunidade à ascensão de todos os envolvidos. Um aprendizado histórico que se afasta do revanchismo e da vingança e conduz para o reparo, reordenando as coisas e reorquestrando as pessoas. Com certeza, algo difícil de ser experimentado e, inclusive, alcançado. Para esse êxito, vencer as barreiras sociais e os paradigmas impostos pela coletividade tornam-se os grandes obstáculos, entretanto, indispensável para a transformação da qualidade de vida de milhões de pessoas e a obtenção de uma vida comunitária mais próxima do pleno e da felicidade tão desejada por todos.

 

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