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As vivências temporais e espaciais são pertencentes às funções mentais, de acordo com o que se discorre nos conteúdos relacionados à semiologia dos transtornos mentais. Ambos delimitam o elemento organizacional e, consequentemente, funcional, à condução da rotina do indivíduo. Estabelecem limites físicos, assim como o da prática e exercício dos valores e das virtudes pessoais. É num dado intervalo de tempo, circunscrito em uma área restrita que o acontecimento, infinitos, oriundos de todos os seres humanos, dão-se. Complementa-se, de acordo com os postulados kantianos, que isso só se dá, efetivamente, quando cada pessoa aplica ao seu contexto, objetos de seu conhecimento (DALGALARRONDO, 2000).

 

A interação entre esses fatores, componentes do funcionamento mental, é ativo. O tempo e o espaço se dão pelo movimento. O tempo nos leva para trás, remontando a memória através do conjunto de atividades vividas. Mantém-nos no presente e nos lança a um futuro, mesmo que incerto, indeterminado. Já o espaço, esse é pluridimensional, possibilitando um cercar-se em todas as direções, em sentido que nos conduzem a um mesmo foco, um destino. Assim, a pessoa está ou é, unicamente quando circundada pelo espaço e o tempo que ocupa, significando-o, bem mais além disso, sentindo-o.

 

As portas que abrem para o início desse processo é a consciência, neurobiologicamente falando, sobre a vida e, as que se cerram, encontra-se com a realidade que se faz presente sobre o conhecimento da morte. A vitalidade, em si, simboliza o maior de todos os intervalos de tempo e de espaço. É nesse lugar e hora que é cravado  tempo do sujeito e o pertencente à realidade, onde nem sempre a orquestração entre esses dois ocorre. Esse princípio nos reporta a maior de todas as interrogações que acompanham a antropologia: de onde viemos e para onde vamos. Inúmeras respostas contundentes, e outra série de hipóteses disseminadas. O fato é que não se tem uma consistência que as defina. Segmentos diferenciados apontam suas verdades, seus tempos e espaços antagonizados, paradoxais mesmo.  Igualmente, é assim que se constroem todas as demais perguntas, pessoais ou coletivas, a respeito do funcionamento humano.

 

O rito e o mito perseguem a jornada das pessoas, e isso se dá quando a favor do componente místico, ou, em combate a esse. Giramos, mesmo que oponentes, em busca de um mesmo objeto. O sagrado é quilo que está com, dedicando-se a algo ou alguém. Sagramos, assim, as formações sociais, bem como as leis vigentes que as mantêm. O termo real. Entretanto, extrapolamos e rompemos essa situação, distorcendo as barreiras do tempo e do espaço e transcendendo ao concretismo que nos delimita no local específico. Com isso, chegamos ao além-homem, endeusando o Deus criado. O ato profano é a atuação que nos faz estar afrente do templo, distantes das limitações desse tempo e espaço, buscando atender a outras normas, ou, simplesmente, contrapondo-se as existentes. Em resumo, tudo que se identifica, simpaticamente, é sagrado, e o que é antipatizado, é lançado à ordem profana, mistificando-se pelo julgamento e as preconcepções, a simples falta de saber,  ignorar.

 

O encontro do desejo com o objeto concreto ou idealizado pode provocar a escolha entre passar ou permanecer em diferentes tipos de tempo e estado. Ao contrário do que se prega, não é a ordem mística que nos reporta, de maneira engessada, mas, apenas, esse desejo percebido, porém, ausente de consciência, alterando as sensações deturpando a real condição da função. O místico, saudável, possibilita oscilar, ir e vir, deformando somente o tempo e o espaço e posteriormente readequando-o, pontuando-se dentro de um dos vários pressupostos filosóficos da condição humana, transcendendo-os.

Aliás, místico deflagra tão somente o desconhecido, rompendo algo em busca de um saber sobre. Dentro dessa ótica, tudo é desconhecido, principalmente, o próprio homem. Transcender é romper a ignorância que se tem sobre algo, o outro, mas, essencialmente, sobre a própria realidade que se mantém à sombra.  Para isso, desbravar o histórico pessoal, bem como  coletivo, ou as várias vidas que nos formaram pela cultura que ultrapassou há todos os tempos e boa parte dos espaços, faz-se fundamental. É indispensável passar pelo sagrado, experimentando o que é vigente e mantido vital e, profanar, ausentando-se do templo consolidado e permitir-se aproximar-se do novo. Caminho para a minimização das diferenças, aproximação da empatia e impulso para a maturidade.

 

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