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Não se pode denominar de frase, esse verso que compõe, associado a outros, a admirável Oração de Francisco de Assis. Vale ressaltar que, independentemente da religião institucionalizada, seita ou doutrina, até mesmo para os aversivos a qualquer argumento espiritual, há uma reverência ao sentido humano que as palavras dissertam em sua narrativa. De beleza incomum e, assim, disseminada entre os povos, até entre Budistas e Tibetanos, quando proferidas por João Paulo II em 1986. Um poema em forma de prece veio à tona apenas no início do século XX, na França, passando por inúmeras divergências sobre sua autoria, mas tomando conta da grande massa mundial no decorrer das décadas do século passado, inclusive junto a personalidades representativas das nações.

 

“… no qual recolhe os testemunhos de Lanza Del Vasto, fundador da comunidade gandhiana da Arca; do nosso Dom Hélder Câmara, arcebispo de Olinda-Recife, no final do seu livro O deserto é fértil, de 1971; do Conselho Ecumênico das Igrejas, reunido em Nairobi, no Kenya, em 1975; da bem-aventurada Madre Teresa de Calcutá, que a recitou em Oslo, Noruega, em 1979, na cerimônia de aceitação do Prêmio Nobel da Paz; da Primeira-Ministra britânica Margareth Thatcher, conhecida como a “Dama de Ferro”, ao assumir o seu encargo em 1979; do arcebispo sul-africano Desmond Tutu, também detentor do Prêmio Nobel da Paz em 1984, famoso por seus esforços para superar o apartheid; do nosso papa João Paulo II, na Jornada mundial pela Paz em Assis, em outubro de 1986, diante dos representantes das religiões mundiais;” ”.

http://www.centrinho.usp.br/sfa/cur_04.html

 

Resgatando alguns elementos simbólicos, seu conteúdo vem a público em 1912, véspera da I Guerra Mundial. A humanidade vive a eclosão da revolução industrial, afastando-se da produção artesanal e enveredando cada vez mais para a mecanização fabril, assim como o condicionamento humano a paradigma descartável, consumista e de desvalorização da própria espécie. Culturalmente, recém-liberto do poder religioso que escravizou a raça e bitolou a capacidade de pensar. Em seguida, como um entremeio ininterrupto de ligação, acontece a II Guerra Mundial, mais intensa, atroz e dando um caráter de atrocidade requintado visto a evolução não só tecnológica, mas, principalmente, moral, ética e valorativa, desorganizando o controle e a manipulação social.

 

Paralelamente, a história de Francisco de Assis aponta a dinâmica da segregação junto a Igreja Católica. O obreiro marginalizado que combate e se opôs a incoerência e às insanidades praticadas no século XIII. O exilado que caiu na boca dos excluídos do período das grandes guerras e os vitimados pela evolução da manufatura e dos recursos tecnológicos. Aliás, existe uma probabilidade de que, Francisco, acabou sendo tão bem acolhido nos diversos sistemas sociais, justamente por sua postura humanizada e quase nula clerical. Com isso, fica a questão paradoxal: por que se deve morrer para alcançar a redenção, ou a vida eterna?

 

Francisco era um homem simples, desapegado e voltado a valorização das coisas simples, insignificantes diante dos regalos da vida. O homem que flava com os animais e de princípio empático. Oscilou entre a nobreza da família original, tradicional em sua região, até o polo oposto, quando então em vida humilde, porém sem a percepção de necessidade, pois seu olhar externava ao ego e dirigia-se à consciência coletiva em que se inseria.  Outra situação, mesmo renegada pelo catolicismo, foi homem e amou a mulher que o acompanhou, Clara, vivendo na prática tudo aquilo que construía em seu pensamento através da filosofia que formava.

 

Sua poesia descreve o antagonismo ao nocivo à humanidade. Afinal, somos banidos, e assim se deu ao longo da história, pelas escolhas competitivas, a busca ansiosa pelo poder absoluto, gerando ira e dor. Produzimos inseguranças e dúvidas consequentes, desprezando a própria vontade e a dos que estão conosco. A tristeza e o descrédito inunda a rotina e dentro desse perfil fragilizamos a vida real de cada um. Somos, meramente ego centrados e lutamos, arduamente, para manter a integridade desse ego doente e que faz adoecer. Isso está presente em todas as nações de todos os continentes, gerando diferenças e desigualdades, desde s micro núcleos familiares até as maiores conglomerações coletivas, desde a guerra fria que se dá na rua, no bairro, nas escolas e locais de trabalho, até o momento das armas em punho nos campos de guerra que se espalham aos quatro cantos.

 

Para Francisco, morrer é provocar o luto sobre a soberania do mal que reina incansavelmente om cada indivíduo, entre os povos. É renunciar o modos vivente e abrir-se, renunciando ao ego centrismo, ao respeito entre as diferenças. Profetizou sobre amar, incondicionalmente, sem dar margem ao ódio que aniquila. Ao comportamento do perdão, para não culpar, mas, ao mesmo tempo, não eximir da responsabilidade que faz crescer. Ensinou sobre a força da união e a anulação do semear da discórdia que separa e faz hostilizar.

 

Assis, igualmente, mostrou que a certeza vem do ato, da orquestração entre o que se deseja e o que se faz, apresentando a fé como maestro maior para as conquistas obtidas junto aos propósitos estabelecidos a si mesmo e não aos outros. Minimiza assim a desesperança, produzindo alegria e fazendo conquistar a luz que nos tira das sombras. A mesma sombra que nos faz permanecer com nossa consciência, pessoal e coletiva. Uma quebra radical de paradigma filosófico para o homem que se denomina humano. A morte do ser que reinou, eternamente, nos solos terrenos. O principio do renascimento, da ressurreição, do reencarne, à própria vida que se vive, em que se está.

 

Por isso que a única forma de se alcançar a plenitude, a vida eterna, é morrendo. Morre-se para a matéria, para o frívolo e eterniza-se como marca na formação e no crescimento de cada um que necessita daquilo que podemos oferecer. É ser o oposto do que foram as guerras. É lutar para modificar o assassinato e o suicídio filosófico aplicado à vida, todos os dias. É morrendo como homem medíocre e miserável que se eterniza.

 

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