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A frase paradigmática que marca, ou marcou, a união de milhões de pessoas. Invertendo a ordem, vamos resgatar a origem que dá início aos relacionamentos conjugais, ou seja, até que a vida oportunize um reencontro. O ser humano ampliou sua constituição biológica há séculos. Não nos aproximamos mais apenas para procriar, evoluímos e por isso provocamos uniões, construímos pequenos núcleos sociais e passamos a construir uma história. Mas, afinal, qual o sentido para esse movimento feito pela quase absoluta população desse planeta?

 

Infinitas respostas poderiam ser elaboradas. Congressos seguidos, ininterruptos, discutiram as razões para essa situação tão comum à vida humana. Contudo, é certo que mesmo assim pouco se aproximaria de algum tipo de certeza, ou de uma equação lógica para a escolha desse comportamento afetivo. O fato é que somos seres imperfeitos, incompletos, e não existe domínio total sobre nossas potencialidades ou fragilidades. O outro nos complementa. Talvez tenha sido essa a ideia concebida por Aristófanes quando em seu discurso no livro redigido por Platão, O Banquete (Século V a.c).O filósofo relata com sapiência e humildade a separação promovida por Zeus dos gêneros que viviam grudados e a posterior caminhada a esmo em busca da cara metade.

 

Em princípio, é da natureza humana, procurar nos que o cercam, o complemento do vazio existencial que pertence à sua realidade cotidiana. É provável que expressão cara metade, simbolize o quão é importante tudo aquilo que alguém pode trazer e, assim, contribuir, para a complementação da estrutura daquele eu que se encontra. Com pré-requisito essencial, é fundamental para o sujeito da relação amorosa, que esse reconheça o devido valor sobre o seu contexto que virá a fazer parte da realidade de alguém.  Indivíduo por si só, é caro, com valor e isso jamais pode permanecer à sombra daquele que se acompanha.

 

Inicialmente, o reencontro é marcado por uma força que atrai. Há uma identificação que atua como mola propulsora para a conexão. Não está apenas no físico, mas nos ideais, nos valores, nos princípios e na maneira como se percebe e se encara a vida. O processo de simpatia direciona-se às similaridades, assim como às diferenças. Potencializam-se as personas existentes e atuantes em cada uma das partes. Gera-se a admiração, o enaltecimento e o respeito às partes envolvidas. O desejo de perpetuação para esse estado estende-se do princípio desse até que a vida nos reencontre.

 

Analogamente aos princípios antropológicos, os pares lançam mão da dança do acasalamento, aperfeiçoando a conduta para que a relação se concretize. Interessante que isso se dá independentemente da razão e até mesmo da qualidade relacional que se estabelece. O desejo de quere com que apenas a morte afaste essa sensação não parte apenas do componente místico, mas, igualmente, da ânsia em querer com que o que se desenvolve permaneça.

 

Porém, o relacionamento afetivo, não se resume a um encontro, há uma continuidade, um caminho percorrido e edificado. Ai cabe um questionamento pertinente: vaga-se, anda-se pelo tempo e pelo espaço. Encontra-se a tão dissertada cara metade, transforma-a, espiritualmente, em alma gêmea, mas, temos depois, partes significativas desses enlaces e desmancham, como se não existisse significado, muito menos história. O que leva a isso? Afinal, relata-se um paradoxo, uma incoerência. Por quê?!

 

Não me refiro às relações experimentais, que seguem o método de tentativa e erro, mas, sim, aquelas que desabrocham e vingam dentro da estabilidade. A dita dança do acasalamento é substituída pelos padrões estabelecidos pela rotina, levando a uma formalização da rotina, negativamente falando. Os sentimentos despertos são encobertos pela autoconfiança que a conquista carrega em si. E, talvez, como sendo a causa principal para isso tudo, a negação inconsciente de que um erro fora cometido. Ou a pessoa que passa a conviver não seja, realmente, a parte fundamental que chega para se complementar, ou, a condição vivente que é estabelecida dentro do relacionamento estável, incompatibiliza-se com a maturidade dos envolvidos que ainda prendem-se em etapas anteriores da vida, quando não existia o relacionamento e até mesmo os filhos gerados por esse.

 

O amor precisa de compreensão, um entendimento maior. Inicialmente, o amor que aprisiona, que toma posse e submete, não traduz a veracidade do sentimento. O amor liberta, permitindo ir, ao destino que é preciso alcançar. Não se tem divisão pelo amor, apenas soma-se. Amor sem admiração, é pena. Amor sem respeito, é rancor. Amor sem desejo, é comodismo. O amor levado pela mentira, é dissabor, uso inadequado da pessoa certa pelo motivo errado.

 

Se te Amo, Não Sei!

“Amar! se te amo, não sei.
Oiço aí pronunciar
Essa palavra de modo
Que não sei o que é amar.

Se amar é sonhar contigo,
Se é pensar, velando, em ti,
Se é ter-te n’alma presente
Todo esquecido de mim!

Se é cobiçar-te, querer-te
Como uma bênção dos céus
A ti somente na terra
Como lá em cima a Deus;

Se é dar a vida, o futuro,
Para dizer que te amei:
Amo; porém se te amo
Como oiço dizer, não sei…”

Gonçalves Dias, 1861.

 

O amor, por si só, é indefinido. Ganha sentido quando qualificado pelas pessoas que o alcançam. É sublime, e está acima de tudo, não pelo o outro, mas porque dá razão para aquele o vive. Não tem idade, peso, situação financeira, nem condições para inclusão ou exclusão. O amor, simplesmente, é tudo que se busca, em cada fração de segundos, a cerca de sua identidade. O amor é aquilo que se responde e, imediatamente, após, questiona-se, sem parar, pois é inesgotável. O amor não interfere no sujeito do amor, apenas nas condições que o fazem crescer, igualmente, ao lado de quem é parceiro(a) desse afeto.

 

O amor é a direção que aponta para todas as demais demandas erguidas na vida. É o que dá consistência para o que se senti, indo-se além daquilo que se pensa que é, ou, do mero estado que se está. É a fonte de matéria viva para doar-se, entregar-se, e assim conseguir compartilhar e estar vivendo. Amar é não saber decifrar se significado, porém, tocá-lo n âmago da alma. É viver pelo outro, mas sem se anular, pois a fonte do amor encontra-se do indivíduo que oferta, e não no sujeito que recebe. É dar valor ao que se elabora, não manipulando esse sublime sentimento, como se nada o fosse.

 

E que a vida nos reencontre, sem que matemos a cada dia e, com isso, a morte nos separe.

 

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