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Alguém, assim como poderia ser qualquer um de nós. Um ser de identidade definida, porém, desconhecido em meio à multidão que persegue a caminhada de todos nós. Não parava de caminhar, seguia em frente, mesmo que percorrendo estradas estranhas, desconhecidas. Havia um contínuo movimento, mesmo sem conseguir perceber a real finalidade. Eram obras seguidas de obras, sem ponto final, interrupção, talvez vírgulas simbólicas que ditavam pausas precisas e direcionavam a outra sequência que conduzia à compreensão. Por vezes a consciência ignorava, o afeto emergia reativo, mas era notório que não poderia parar.

 

Dentro dessas evidências, apenas conseguiu notar que uma inovação era contínua e a cada instante que se pontuava sobre a própria vida, conseguia oportunizar o próprio renascimento. Quando assolado pela dor, podia esperar que esse desconforto fosse aumentado e o que era considerado o fim, abria-se em luz a um aprofundamento frente ao sofrimento. Na mesma expectativa, quando se jogava ao chão, desesperançado, possibilidades rompiam-se mostrando o destino à ascensão, uma saída inesperada à redenção até então desconhecida.

 

Esse mesmo sujeito conseguiu se ver, repetidamente, morto, filosoficamente, inclusive, fisicamente, aproximou-se de estado tão semelhante. Quando não, passou a desejar tantas vezes que esse encontro com o desconhecido absoluto fosse conquistado. Um prêmio para o desespero e a falta de respostas. Interessante que, quando em júbilo, extasiado por qualquer tipo de vitória, mesmo que insignificante vinha à tona, com sede de viver, ambicionando poder compensar e curtir aquele fragmento de tempo em que se encontrava, estabilizado e controlando a própria vida.

 

Ao cerrar os olhos, perdia o sentido consciente da vida. A sombra se fazia presente em sua ausência. Já quando os feixes de luz inundavam suas córneas abrindo, a esperança para um recomeço inundava o corpo que saia do repouso. Isso era diário e de tempos em tempos, mudava-se de tempo e de espaço, uma transição que invadia para aquilo que era contínuo, prosseguisse. Viver, morrer, mas apenas vitalizar-se, o princípio que alicerça o sentido a essa dinâmica.

 

Essa pessoa resolveu não esperar mais. Deu-se conta de que renascer não pertence apenas à ordem biológica, mas derrama-se pelo componente emocional e através do comportamento. Não existe hora para isso, apenas vontade, motivação e a perseguição para a ressignificação do sentido que nos faz ir por qualquer estrada. O resgate da alma falada pelos céticos e pelos crentes, a orquestração que dá a essência para estar, ser e sentir.

 

A vida com isso não passou a ser bela somente sentida como especial e dentro de uma razão que não se equacionava. Esse sujeito passou a ter um olhar antes de nascer. Reconheceu suas alternativas de infinitos renascimentos, abriu os olhos e começou a enxergar, anulando sua cegueira.

 

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