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A mentira, por si só, é nociva e aponta algum tipo de desvio, por menor que seja sua intensidade. A mitomania, diferente da simples mentira, faz com que o sujeito construa histórias estruturadas e com isso passe a viver suas respectivas alterações de realidade, passando a envolver as pessoas em sua volta, inclusive aqueles que relata amar intensamente. A origem que desencadeia esse quadro está presente na realidade interna, ou vazio marcante, desconhecido, inconsciente, do portador desse quadro. Habitualmente as elaborações construídas direcionam-se a pontos específicos, como por exemplo, a vida dupla em diferentes relacionamentos, mesmo quando há uma interação, preexistente, saudável e completa. Entretanto, casos mais graves podem alcançar uma generalização para outras áreas.

 

O mecanismo do mitômano envolve, além da própria ilusão, o envolvimento de pessoas que participam de suas fabulações, nesses elementos de devaneio, alcançando quase a ordem delirante, já que modifica os fatos da realidade, porém, o senso de julgamento permanece parcialmente íntegro, contrário aos traços presentes na Árvore dos Transtornos Psicóticos. A finalidade é única, exclusivamente pessoal, e para seu êxito há uma desmedida em termos de consequências e de impacto aos outros, independentemente do sentimento que nutra. Supostamente, então, o mitômano crê que dessa forma preenche o vazio que toma conta de sua identidade. Outra fantasia que nutre com isso.

 

A gravidade da doença, contudo, não se faz pré-requisito  para que seja identificada como desviantes pelo outro. O paciente é carente e demonstra isso, fazendo-se solícito, atencioso e sempre à disposição de suprir aquilo que é necessário a alguém. Ao mesmo tempo, demonstra que precisa ser especial e sempre presente diante das atenções dos outros. Essas características, muitas vezes, vêm a confundir as percepções frente à dinâmica dos relacionamentos. O discurso argumentativo é forte e a contra posição, ou replica, quando observado, torna-se difícil, já que sempre existe um complemento perfeito para aquilo que é visto e até vivenciado.

 

“Para Philippe Jeammet, professor titular de Psiquiatria da Criança e do Adolescente da Universidade de Paris, os casos evidenciam comportamentos mitômanos que não têm nada de verdadeiramente novo, a não ser a divulgação pela mídia de que foi objeto, isso, antes mesmo que se descobrisse que os fatos alegados não ocorreram. “A maioria das mitomanias é bem construída e se alimenta de histórias verossímeis”, explica Jeammet. “Assim, é lógico que as pessoas próximas se deixem atrair para o jogo, pois não podemos de todo modo começar a suspeitar que todos são mitômanos”, conclui.”

Andrea Bandeira  –  http://psiquecienciaevida.uol.com.br/ESPS/Edicoes/65/artigo215643-1.asp

 

O que se observa, é que a inclinação usual para o mitômano, desencadeando a produção dessa construção fantasiosa, visa encontrar em alguém, sujeito nem sempre definido, a aceitação e a aprovação. É como se esse vazio, mesmo que desconhecido, provocasse uma culpa por algo inadequado ou errôneo que em algum momento foi feito e, a partir de dado instante da vida, emerge como um monstro e assombra a rotina do ser. Uma forma de alterar a relação com o tempo e o espaço, fazendo com que a pessoa permanecesse a maior parte do tempo em seu passado, fixada em dado evento e assim passasse a oscilar entre aquilo que aconteceu com aquilo que de fato vive, porém, confundindo as condições, a época e as pessoas.

 

O tratamento envolve a administração de fármacos e a inclusão em processos psicoterápicos intensos, além do envolvimento e da participação das pessoas afins que acompanham a escalada realizada pelo indivíduo.

 

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