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Parábola do Mau Rico

            5 – Havia um homem rico, que se vestia de púrpura e de holanda, e que todos os dias se banqueteava esplendidamente. Havia também um pobre mendigo, por nome Lázaro, todo coberto de chagas, que estava deitado à sua porta, e que desejava fartar-se das migalhas que caíam da mesa do rico, mas ninguém lhas dava; e os cães vinham lamber-lhe as úlceras. Ora, sucedeu morrer este mendigo, que foi levado pelos anjos ao seio de Abrão. E morreu também o rico, e foi sepultado no inferno. E quando ele estava nos tormentos, levantando os olhos, viu ao longe Abraão, e Lázaro no seu seio. E gritando ele, disse: Pai Abraão, compadece-te de mim, e manda cá Lázaro, para que molhe em água a ponta do seu dedo, a fim de me refrescar a língua, pois sou atormentado nesta chama. E Abraão lhe respondeu: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e de que Lázaro não teve senão males; por isso está ele agora consolado, e tu em tormentos. E demais, que entre vós está firmado um grande abismo, de maneira que os que querem passar daqui para vós não podem, nem os de lá passar para cá. E disse o rico: Pois eu te rogo, Pai, que o mandes à casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos, para que lhes dê testemunho, e não suceda venham também eles parar a neste lugar de tormentos. E Abraão lhe disse: Eles lá têm Moisés e os profetas; ouçam-nos. Disse pois o rico: Não, pai Abraão, mas se for a eles algum dos mortos, hão de fazer penitência. Abraão, porém, lhe respondeu: Se eles não dão ouvidos a Moisés e aos profetas, tão pouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite algum dos mortos. (Lucas, XVI: 19-31).

 

 

Ao contrário do que se pensam, pagãos e cristãos, orgulho não é uma expressão intrínseca do vocabulário filosófico da ordem mística. Inclusive, a palavra catalã, de origem espanhola, emerge ao meio social no século XX, derivada da postura do soberano militar Francisco, ativista sobre o controle e a vigília daquela nação. O orgulho surge como um espelho fiel que retrata a postura do destemido general, traduzindo-se pela excelência à bravura. O sujeito combatente que enfrenta a tudo e, quando necessário, afronta, alcançando extremos para o êxito de seus desejos e de seus mimos.

 

O sujeito orgulhoso é aquele que supostamente pode, em virtude de possuir, consigo, algo que o reporta ao poder. Essa posse é mágica, até mesmo delirante, pois faz crer que nada é inalcançável e que a ordem do impossível jamais passará a ser aproximada. Os símbolos do poder são verificados pela hierarquia, o domínio político que governa e conduz nações inteiras. A economia é outra forma de expressão, assim como o conhecimento pode tomar conta das mentes e dos corações das pessoas, tendo como verídica a possibilidade de se sobreporem umas as outras. Tais elementos acabam se transformando em verdadeiras armas para o genocídio filosófico da raça humana, visto que levam a uma relação entre dominados e dominantes.

 

O mau rico, dentro do contexto histórico, incorporava em si todas as forças descritas no parágrafo anterior. Esse personagem comporta centenas de outros que pertenceram à história do homem, com certeza manifestada de maneira diferente, entretanto, torna-se um ícone a ser retrato frente à dinâmica universal. Tinha conhecimento, representatividade social em virtude de sua condição abastada. Para conseguir o efetivo controle sobre esse estado, travava uma batalha fria com todos os que o cercavam, assim distanciava-se das ameaças, mas, principalmente, edificava em si a guerra mais sangrenta que um homem pode suportar: o engessamento de princípios, fazendo-se anular em valores e impedindo com que possibilidades se construam. Tudo em nome de uma falsa verdade, uma suposição desvairada, egoísta, onipotente e, acima de tudo orgulhosa.

 

Ao mau rico não caba o novo, afinal, tudo estava pronto e predefinido. A presença do outro, assim como seu respectivo conteúdo, era alocado à esfera da indiferença, pois não compactuava com as raízes que semeava enquanto absolutas em seu mundo interior. A definição de mau rico não aponta apenas para o uso inadequado de suas riquezas, mas, principalmente, pela miserabilidade em acolher novas perspectivas, observando tesouros diferentes, oriundos dos pensamentos diversos, das posições sociais marginalizadas e da devida importância a todas as outras necessidades existentes. O mundo era si mesmo, e o restante orbitava em torno de si, até que fosse conveniente.

 

Perpetua-se, até os tempos modernos, a anulação das novas possibilidades, por ainda nos mantermos escravos desse próprio planeta chamado EU. Afastamos o desconhecido, e nos encapsulamos cada vez mais às amarras das nossas verdades. E igualmente, solicitamos, quando se faz importante, o apoio e auxílio de tudo que refutamos quando nos encontramos derrotados em nossos conflitos internos. Não é uma questão de reverência a um Deus externo, isso compete à fé de cada um. Contudo, aniquilamos a ascensão do maior de todos os senhores que regem essa nossa vida material, a consciência. Optamos em permanecer tão somente percebendo, sem dar a devida consciência àquilo que fazemos com nossas vidas e com a vida dos que se colocam a nossa volta.

 

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