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Qualquer que seja o segmento social, ocidental ou oriental, incluindo, até mesmo, o segmento agnóstico, inserido em diferentes nações, pode negar o estrondoso impacto que a figura de Jesus de Nazaré levou para a formação comunitária de toda a humanidade.

 

Preexiste ao ícone que pauta a religação da humanidade a Deus, o homem. Jesus pertenceu ao contexto comum do povo que vivia entre as fronteiras do oriente Médio com o sul da Europa e o norte do continente africano. O filho de família humilde, seguidor do ofício paterno, cresceu e se desenvolveu como mais um participante marginalizado da soberania vigente, responsável em ditar as normas econômicas e o controle. Inicialmente, fora esse mesmo homem que, então, apresentou aos seus pares, ensinando-lhes, uma visão diferenciada a cerca desse contexto coletivo em que se inseriam e, mais além, apontando uma nova prerrogativa de conduta diante da relação de poder que estava instituída.

 

Jesus de Nazaré, o homem, empreendeu à boa nova das relações humanas. Foi líder, conduzindo sua equipe a um movimento opositor aos padrões enraizados por séculos nos velhos continentes. O Nazareno foi, acima de qualquer outra coisa, um agente político, demonstrando que tal exercício independe de cargo, mas, sim, da atitude ativa de qualquer cidadão. Atuou sobre as diferenças, comprovando a dinâmica discriminatória e nociva dos homens para com seus semelhantes. Disseminou paradigmas irreconhecíveis pela ampla maioria, como a liberdade, a fraternidade e a igualdade, obviedades pagadas pela ignorância de mentes tidas como polidas. Não deixou de ser um representante da filosofia grega, assim como, passou a ser um referencial para a estruturação das nações modernas, como passou a ser o lema francês quando de sua revolução. Jesus de Nazaré orquestrou a cognição e a emoção. Seu êxito é contundentemente verificado no uso feito sobre sua imagem após a crucificação, com a eclosão da igreja institucionalizada, conduzida pela gestão dos homens.

 

Misticamente falando, Jesus foi além de Nazaré. O homem passa a dar lugar ao espírito que ocupou aquele corpo encarnada, dando ao Cristo espaço para suas manifestações. A tríade divina se completa: cognição, afeto e espiritualidade. Eis ai outra premissa incorporada à cultura desse planeta. O componente religioso passou a ser uma retórica de condução ao ser, independentemente se por internalização, medo ou obrigação, mas presencia-se no modo operante de vários segmentos populacionais. Jesus justifica sua posição opositora para um bem comum maior à vida das espécies. Resgata a figura de Deus e esboça o princípio monoteísta, agregando pessoas, unificando as diferenças e intencionando um caminhar a uma mesma direção para todos, um princípio equitativo. Consolidou-se, assim, como homem, pela coerência, imortalizando-se como alma, pela reverência e, dai, delegando ao planeta a maior de todas as heranças deixadas por qualquer personagem que por aqui esteve.

 

Acredito, dentro da minha ampla ignorância, que tenha sido João Evangelista, até o momento presente, o único homem que alcançou a compreensão da missão de Jesus, quando de sua passagem pela Terra. Quando ultrapassa seu olhar, transcendendo a matéria que nos constitui, João dá um salto, aproximando-se, de fato, do ser que acompanhou o Nazareno, o Cristo. Identificou-se, em essência, com os ensinamentos. João o concebeu não mais como um ente distanciado, supremo, mas como igual, um irmão em verdade que se aproxima para revelar e orientar. Desmistificou uma nova ordem para o medo e anulou a instituição de outro modelo de poder, acolhendo-o em sua razão, através da equação das livres escolhas, que resultam num determinado produto. Em seu diálogo com os animais, João percebeu que apesar da mudança do devir humano, o respeito a cada estágio diferenciado de evolução, precisava ser nutrido. João, em seus escritos sobre o Apocalipse, não deflagra o fim dos tempos, apenas aponta alternativas para a diferentes escolhas que distancia a inteligência, da emoção e da espiritualização. Aliás, vai além dessa concepção reducionista e eleva sua sensibilidade a uma simples definição: afirma a direção reta que o amor verdadeiro conduz, e desenha as curvas estabelecidas pela falta desse sentimento ou por sua manifestação desonesta, ovacionadas pelos discursos parcos e inconsistentes.

 

Não fomos capazes de internalizar a educação proferida por Jesus, nem pelo Nazareno, muito menos pelo Cristo. Ainda o interpretamos pelas raízes da conveniência que sustenta, fragilmente, os holofotes sociais, os prazeres momentâneos e as falsas expectativas de mudança e transformação. Ou seja, continuamos a ler Jesus, porém, interpretando-o frente as nossas projeções.

 

Que a simbologia da Páscoa, num momento tão marcado por atrocidades, oportunize, efetivamente, a religação com todos esses elos.

 

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