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A sede pelo reconhecimento de razões que justificam os fatos no meio social, pauta, intensamente, a dinâmica coletiva, seja pelo meio empírico ou o oficialmente reconhecido, acadêmico. Somos adestrados, em verdade, a saciar essa avidez por respostas, cujas perguntas, nem sempre estão formuladas em nossas cabeças. Rompemos as barreiras que formam fronteiras entre as diferentes culturas dos povos, invadimos a realidade dos processos de vivência e de convivência das nações. Deformamos o tempo e vagamos pelo tempo que edifica a relação de causa e efeito dessa humanidade: um passado que causa para um presente que se faz consequente. Indubitavelmente, uma busca louvável e imprescindível para nossa conscientização.

 

Não interrompemos ai essa busca. Ultrapassamos todos os limites da matéria concreta e estendemos nossos braços em direção daquilo que se distancia da realidade, conseguimos, inclusive, mensurar coisas que extrapolam aquilo que define o que no está próximo. Alucinamos pela capacidade cognitiva e passamos a gerar condições que vão além daquilo que se mensura. Atravessamos o espaço, conquistamos a Lua e nos projetamos para outros planetas e até galáxias pertencentes as nossas dúvidas. Nem sempre olhamos mais para os corpos, adentramos às células, rompendo suas membranas e interagindo com suas minúsculas estruturas. Aproximamo-nos dos átomos e extrapolamos na viagem pelo reducionismo da vida.  Novamente, um processo perfeito e indispensável para a sabedoria do ser humano.

 

Em nenhum momento levanto uma crítica para essa caminhada, ao contrário, valorizo-a e reconheço sua importância. Minha inquietude está nas páginas não escritas e puladas pelo homem em relação a si mesmo. É considerável a afirmação de que somos possuidores, apenas, de um pouco de história de cada um de nós. A pergunta direciona-se ao que sabemos sobre nós e o que cremos ter de informação sobre as pessoas que nos cercam. É perceptível o quanto esse modelo de aquisição cognitiva e de amplo desenvolvimento social nos fez abandonar. Colocar em segundo plano a própria individualidade, o sentido único que nos pertence, em detrimento de algo, de outra coisa. Esse abandono próprio nos incapacita para participar da verdade dos que nos cercam, afinal, desconhecemo-nos, como passar a saber sobre a outra realidade?

 

O eu fala o tempo todo. Seu maior diálogo é travado dentro de si. Fala aos próprios ouvidos para escutar da própria boca as respostas que se encapsulam nesse universo interno que ninguém mais consegue desbravar. Qualquer insumo, matéria prima que nos forma e delineia, está a nossa disposição nesse espaço chamado de corpo, formado pela mente e coração, ou, pela razão e a emoção. Porém, é pouca a aproximação que permitimos estabelecer com essa identidade que nos faz ser, que nos é. Optamos por afastar, assim mantemos um suposto controle e estabilidade sobre tudo o que é preciso ser mexido. Ai o abismo criado transmuta-se continuamente pela extensão, o vazio se estabelece e a fragilidade passa a participar do estado que adotamos situacionalmente.

 

Desprovidos dessa fortaleza pessoal, simbolicamente desenhada pela consciência que se deveria ter sobre si, projetamos a inconsistência para a formação dos laços com as demais pessoas. Projetamos as promessas negadas à nós mesmos, idealizamos soluções mágicas e acabamos nos frustrando pela falta de reciprocidade que o poder das altas expectativas gera, nocivamente nesse universo pessoal. Em síntese, pressupõe-se que, ao contrário às questões presentes à vida, permanecemos com páginas em branco no que se refere a nossa própria postura e fatos que construímos. Alimentamo-nos, tão somente, de um pouco da história de cada um de nós. Uma dieta inapropriada que nos faz desnutrir.

Afinal, o que seria mais importante do que essa nossa própria vida que nos torna um vetor de ação para a realização para tudo que pensamos?

 

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