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Dentro do desenvolvimento das civilizações, o maior legado e exemplo identificados pela passagem de Jesus de Nazaré, foi seu comportamento amoroso frente às diferentes pessoas com quem esteve. Legado, pois parte das gerações subsequentes, assim buscaram transformar suas vidas em favor da perpetuação desse significativo sentimento. Outro grupo observou e, desavisadamente, permitiu passar despercebida a conduta de coerência e de integridade do maior ícone da história da humanidade. O fato é que sem distinção, a maioria absoluta deseja para si todo amor que houver nessa vida.

O anseio a essa conquista atingiu patamares tão elevados, que a cultura mística, fomentada a partir de meados do século XX, incorporou a expressão da alma gêmea como símbolo para a veracidade desse estado ambicionado e, ao mesmo tempo, tão distante. Livros passaram a ser publicados, conferência sobre o tema dissertadas e todo um enredo presente nas discussões dos indivíduos sedentos de amor, porém, nem sempre coerentes com esse objetivo.

Há uma preexistência fundamental para se falar, então, em almas gêmeas: a compreensão real a respeito do sentimento de amor. Ao longo do processo evolutivo humano, constata-se o predomínio das inclinações necessitando de algum tipo de garantia para mergulharem nas infinitas possibilidades surgidas para vivenciarem o amor. O poder das altas expectativas passou a ser o elemento de barganha, construindo-se uma simples equação matemática que descreve a ação de amar se… uma espécie de trocado prá dar garantia.

Amar pela essência que se é incomumente observado. Aliás, quando identificado pelo senso comum, torna-se alvo de crítica e de contínuas chamadas de atenção para o risco que tem em relação ao investimento realizado. Separa-se com nitidez a dor e o bem estar, como se amar fosse uma consequência da permanência em um estado qualitativamente permanente. Traveste-se de máscaras diferentes a fim de arquitetar condições que alavanquem o amor e com isso se recitar a poesia que agente não vive.

Para muitos, o amor cansa e freneticamente combate-se a rotina, pois se verifica cansativa ou não se tem a consciência de que o preparo adequado para se amar de fato existe. Ai busca-se do sujeito do amor à fonte inesgotável para se nutrir daquilo que é falta em si. O sujeito do amor, indevidamente, é responsabilizado pela falta ou pela plenitude. Passa a ser tudo, o transforma-se em um nada por completo, como se nem mesmo tivesse existido. Deixa-se de amar e dá-se início ao grande jogo da vida. Mesmo assim, orquestradamente, o coletivo por inteiro perpetua o desejo de ser seu pão, ser sua comida, todo amor que houver nessa vida, como se o sentimento fosse vital, e o é, mas sem compreendê-lo como fundamental.

É como se fosse preciso conhecer para amar e logo em seguida ao desvendar desse desconhecido, justificasse-se desamar. Ai, por mecanismos de defesa, substitui-se, compensa-se, nega-se e até se anula as juras de amor e a identificação daquilo que havia de bom em alguém, num dado instante. Estabelecem-se as conveniência, disseminam-se as traições e, racionalmente, justificam-se as conveniências trocas e afastamentos daqueles sujeitos outrora amados. Isso anula a caridade, a solidariedade entre os semelhantes e afugenta-se o amor verdadeiro das relações sociais.

Logo, ainda não se deve falar de almas gêmeas, sem se saber de fato o que é o amor. Pois como diria Gonçalves Dias Amar! Se te amo, não sei/ Oiço ai pronunciar/ Essa palavra de modo/ Que não sei o que é amar. Amar não é algo que se sabe, mas um estado que se senti, sem elucubrações ou expectativas de reciprocidade. Ainda caminhamos distantes desse destino tão desejado.

 

Citações de versos da música Todo Amor que Houver Nessa Vida  –  Cazuza

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