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E a vida prossegue, naturalmente, dentro de uma linha de convicções. Entretanto, nem todos se conformam cm algumas mesmices, estigmatizam a rotina como tédio e acabam se perdendo diante das expectativas da mudança, sem ponderar que isso seja, necessariamente, algo novo. Passa-se a limpo os sonhos possíveis, produzidos na mente e impulsionados pelo afeto que clama por algo imaginado, muitas vezes desconhecido. Cremos ser um alguém possível e negligenciamos nosso potencial multifacetado, resumindo-nos a indivíduos que são aquilo que desejam que fôssemos. Partimos para a busca da saciação da expectativa alheia, como se essa fosse à alavanca das nossas realizações, clamamos pela aceitação dos que convivem em nosso redor, como se esse fosse o eixo fundamental e essencial à plenitude às nossas vidas. E assim desvendamos nossas fantasias e descobrimos:

 

“Um dia me disseram

Que as nuvens não eram de algodão

Um dia me disseram

Que os ventos às vezes erram a direção

E tudo ficou tão claro

Um intervalo na escuridão

Uma estrela de brilho raro

Um disparo para um coração”

 

 

 

Assim se dá o espetáculo da vida. As cortinas se abrem e iniciamos a interpretação do enredo proposto por nós mesmos. Em cada cena uma história, a cada emoção vivida a máscara dos vários personagens que incorporamos. Distanciamos da identidade original e lançamos luz a desafios repetidos à superação do eu que nos habita em detrimento de outra persona que então necessitamos. Interpretamos e fazemos de conta, literalmente no mesmo formato dos contos de fadas repassados e perpetuados entre tantas infâncias. Assumimos uma vida de faz de conta almejando um final feliz como reciprocidade para esse esforço e dedicação.

 

Como filhos, submetemo-nos para não contrapor a hierarquia, afinal, há uma dívida a ser quitada para com quem nos gerou e manteu. Como alunos, certa passionalidade revoltada que dá chance para o êxito de transpor etapas e fases na formação. Enamorados, noivos e casados, acomodando-se para dar conta da perpetuação de um modelo familiar original, afinal, fomos preparados e formados para essa tarefa. Relacionado ao labor e a vida profissional, a competitividade velada, um engolir de sapos e uma insatisfação contínua, consequente de frustrações que vão do não gostar da atividade, a incompatibilidade financeira através do reconhecimento e a incansável sede de ascensão. E para cada um desses sistemas, um novo velho personagem, disfarçado por outra máscara que entra no palco da vida para atuar. E assim potencializamos o que já estava descoberto:

 

 

“Nós dois temos os mesmos defeitos

Sabemos tudo a nosso respeito

Somos suspeitos de um crime perfeito,

Mas crimes perfeitos não deixam suspeitos.”

 

 

 

E é por isso que parte reencena, troca a máscara, mesmo insatisfeito com a interpretação anterior. Sai da comédia e direciona-se para a tragédia, mesmo sendo essa o enredo constante para as atuações. Questiona-se, sem resposta, o faz sobre o placo da vida e busca com ansiedade a origem ara seu destino mais próximo. Assume a incompletude, tendo consciência de que faz sendo guiado pelo desejo do outro. Dúvida sobre as próprias escolhas e reafirma, de maneira insegura, as razões pelas quais não enveredou por outro destino: ser o que é ou ser para o outro? O que me leva a minha profissão? O que essa tal de responsabilidade social que deve exercer pelo meu trabalho? O que motivou ficar cm alguém e o que me leva a continuar nesse mesmo padrão afetivo até os dias de hoje?  Seguir modelos preexistentes, impostos pela pressão social, por vezes corrompe o maior de todos os personagens que carregamos, nós mesmos, nosso eu, a identidade fundamental para o processo de enfrentamento da vida.

 

É no teatro das máscaras que a encenação da morte filosófica do ator se dá. “Viver, é melhor que sonhar.” (Belchior), pois é vivendo que o ser se torna íntegro, honesto com sua maturidade, verdadeiro frente a limitação e o potencial, desnudado para a construção de sua marca eterna. Desapegados, tendo a possibilidade para se despedir e reencontrar, simplesmente, a si mesmo.

 

“Um dia desses

Num desses encontros casuais

Talvez a gente se encontre

Talvez a gente encontre explicação

 

Um dia desses

Num desses encontros casuais

Talvez eu diga, minha amiga,

Pra ser sincero, prazer em vê-la

Até mais… (até mais)”

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