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Pessoas, eis a questão. Relacionamento, um princípio essencial para a evolução. Dentro dessa retórica há uma dinâmica funcional despercebida, ou, pouco valorizada, nos processos interacionais. Usar o outro ao extremo da conveniência e, posteriormente, aplicar o desuso quando não mais convém. Um princípio hoje nem um pouco escasso, ao contrário, uma prática comum nas alianças sociais que se estabelecem. Entretanto, vale lembrar que, nem tudo que é natural é saudável e nesse processo acaba-se construindo atropelos imensuráveis e de pouca consciência a cerca de seus resultados efetivos, tanto para quem usa como para os usados.

 

Usar é uma ação consciente, premeditada em sua intenção e finalidade, cujo alvo é predefinido e eleito como meta para a obtenção de algum tipo de conquista específica. O significado real que edifica todo esse movimento, nem sempre é consciente, isso é fato, contudo, o comportamento proposto, assim como o afeto projetado para a ação, está associado à luz da certeza, jamais da dúvida. Há a criação de um foco de atenção concentrada em que se atua, visando, exclusivamente a coisa a ser alcançada. Internamente, aquele que usa, divide-se em parte que crê ser benevolente e nada de mal estar fazendo com os usados e, outra, sarcástica, consolidando em seu perfil um poder de conquista e supremacia sobre vários outros que dessa forma não se conduzem.

 

Para os que usam, os outros assumem uma conotação de objeto, um mero veículo para a obtenção de suas conquistas e que, quando rebelados, passam a serem alvos de críticas e intenções de anulação de reatividade para que se mantenham puros e impunes para as intenções iniciais daquele que os usa. À sua lei é própria, sendo administrado por medida provisória o tempo todo, ou seja, articula e remonta suas estratégias, de acordo com o princípio de perda ou de ameaça de dano que pode ser provocada, impedindo o êxito para suas conquistas.

 

Por essa razão que o usado leva muito tempo para perceber o que de fato está implícito nas intenções do comportamento adotado por quem usa. Mesmo parecendo óbvia a finalidade, a manipulação é tão bem arquitetada que encobre o que de fato é, ou, no mínimo, marca uma dúvida significativa para maiores análises e conclusões. Porém, quando verificada as reais motivações que estabelecem a relação, e a postura do usado se altera, o desuso para a ser aplicado como uma ferramenta de corte por quem usa, anulando o outro da participação efetiva de sua dinâmica de vida. Alguns sujeitos que usam atingem requinte tão elevado, que conseguem fazer de suas vítimas, reais responsáveis por todas as mazelas provocadas até então.

 

A consequência disso tudo é a desarmonia e o desequilíbrio obtidos para os dois polos dessa relação, onde num primeiro momento, é visível que o usado permanece como sendo o destruído e quem usa consegue dar uma integridade ao seu estado. Vendo de fora, um traço forte de injustiça. Porém, verifica-se, posteriormente, que a maior vítima de todas está no sujeito que usa, pois o usado dá continuidade a sua vida, pautado numa linha de convicção que remonta sua estabilidade e princípio de vida, enquanto quem usa simplesmente dá continuidade ao ciclo vicioso, não galga degraus para sua evolução e em determinado momento, obrigatoriamente, acaba deparando-se com todo o conjunto de efeitos de suas ações.

 

O caminho saudável está no uso do respeito, sempre.

 

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