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As abordagens que definem a sexualidade são confusas e, ao mesmo tempo, inconsistentes. O que se pode afirmar é que, secularmente, isolou-se o predicado do sujeito, definindo-os como distantes de uma resposta espontânea e pertencente à natureza humana. Se a sexualidade tem um caráter inato, ou, se passou ao rol de condutas elaboradas ao longo do desenvolvimento de nossa espécie, creio que isso seja apenas um detalhe que se complementa. De fato, é válido se questionar esse indivíduo da ação.

 

O sagrado refere-se a tudo aquilo que se relaciona à integridade do sujeito em sua escolha sexual. A consciência sobre o seu desejo projetada em direção ao limite do outro. O respeito aplicado às necessidades pessoais, mas, acima de tudo, aos limites inerentes em cada um de nós. É o reconhecimento das repressões que erroneamente julgam o certo e o errado e impedem a pessoa de caminhar na direção daquilo que se almeja. Exercita-se, fortalecendo a fidelidade em si, nos próprios princípios e no enaltecimento dos valores.

 

O sagrado está na concepção do corpo como um templo, ao mesmo tempo em que se preserva para não ser invadido e dominado, é audaz na busca de sua saciação. É honesto diante daquilo que se propõe a construir o que diz respeito à relação consigo e com o outro. Intocável frente a maior de todas as intimidades vividas pelo homem quando explicita, veementemente, seus sentimentos, possibilita a troca, envolve-se com outro e, acima disso tudo, compromete-se com o desnudamento de sua alma sobre a cama, na companhia de seu convidado.

 

A sexualidade sagrada está na conquista concreta, mesmo que presente num intervalo de tempo ínfimo, de começo, meio e fim. No caráter ofertado aos que participam, assim como na preservação dos que se encontram distantes, participantes ativos desse mecanismo de fidelidade e de honestidade. Sim! Afinal não falamos de um jogo, muito menos de uma brincadeira em que seres humanos tornam-se peças inclusas de jogadas desmedidas. O sagrado é percebido na explicitação máxima da vida afetiva e da entrega, por cumplicidade, que se propõe esse momento de forte entrega e troca. O sagrado na sexualidade não pertence ao místico, mas, sim, exclusivamente, às escolhas aplicadas à imaculada expressão de amor do homem em evolução.

 

E a escolha pelo profano, onde se situa? Na falta de sentido e de limites, onde se perde pela inconsciência de si, fazendo uso de alguém sem identidade e, usando-se desmedidamente. É a valorização pelo descaso, minimizando o enaltecimento da preservação da integridade do desejo e do princípio que norteia, fazendo-se infiel às próprias possibilidades e a ascensão a uma máxima afetiva tão ambicionada.

 

Profanar é ser desmedido quando se transforma o templo do corpo em um habitat coletivo sem se quer saber de fato sobre o reconhecimento de seus hospedes. É a banalização da satisfação, pela miserável troca por um prazer instantâneo, rápido e sem marcas. É profano pela falta de sentido que existe naquele que faz do sexo um instrumento de fuga, aniquilando o significado premente dos que caminham em outra direção.

 

Profanar não é desnudar o corpo e entregar-se pela troca afetiva, mas, sim, corromper-se, fragmentando o devir de unir através de uma separação constante provocada pela falta de consciência em relação ao que se faz e para onde está se indo. Com isso exime-se a sexualidade de culpa, afinal, o sagrado ou o profano é uma questão de escolha, de postura pelo fato de sermos homens e mulheres e não pelo comportamento em si.

 

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