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                A ação que leva a mentira é naturalmente não saudável, pois torna prejudicial à vida de todos os envolvidos, desde o sujeito direto que promove a mentira, até as pessoas que o circundam, vítimas do contexto elaborado pelo mentiroso. Entretanto, dentro do contexto referenciado, destaca-se a mentira como um comportamento que se volta, em maior impacto, contra esse próprio sujeito mentiroso, já que o gatilho para o processo está na mentira que se prega contra si mesmo.

A mentira não deixa de se atrelar a uma das nossas funções mentais, seguindo a visão da semiologia da Psicopatologia. Somos dotados de juízo, cuja habilidade possibilita a interação com os elementos da realidade, daquilo que é fato verídico, capacitando o ser a avaliá-lo e defini-lo como sendo algo próximo ou distante daquilo que se constrói subjetivamente.

A mentira pressupõe falsear a realidade em que se insere em busca da correção de supostos defeitos ou falhas, construindo estruturas imaginárias e de caráter ilusório com a finalidade de, então, alcançar o êxito de modifica-las. Contudo, não se consegue essa alteração permanentemente, pois aquilo que é, é. Pode-se obter situacionalmente, um intervalo em que se amenizam as circunstâncias reais, mas por engodo e não por fato.

Ao que mente caba, intensamente, procurar negar e até mesmo anular a realidade a que pertence, desejando, pela alteração dos componentes reais, uma nova forma de viver. Entretanto, o movimento é paradoxal, pois, ao invés de se fazer um enfrentamento com a tentativa de se transformar segmentos indesejados dessa realidade, estabelece-se um mecanismo de luta e fuga cuja única finalidade centra-se em destruir o que então é substituindo-se por aquilo que se deseja.

Ao mentiroso cabe renunciar. Deixa se perder em seu conflito básico (FREUD, 1900) quando seu princípio de realidade torna-se mais forte e poderoso do que seu princípio de prazer. Uma luta travada entre o que se deseja e o que se vive. Omite em si seu atual estágio de evolução, seus ganhos e perdas reais, alimentando-se de tudo aquilo que é, apenas, ilusório. Sim, a mentira faz criar um mundo de encanto onde tudo é belo, pela simples razão de afastar o sujeito da mentira daquilo que realmente vive e o faz ser.

Parafraseando Legião Urbana “mentir prá si mesmo é sempre a pior mentira” porque o vitimado reserva seu contato com a realidade, já quem mente, esse vai se afastando gradativamente do que é até um momento futuro, indeterminado, em que volta a se deparar com seu concretismo real.

Enfim, a mentira tem prazo de validade. A verdade vem à tona e isso é uma Lei da natureza humana. Vale muito mais apenas lutar para transformar a realidade que se vive do que de maneira nada saudável procurar destruí-la como se então não existisse ou não voltasse a participar da rotina que nos conduz a um caminho de evolução.

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