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                Fala-se na vida. Diariamente, milhões de pessoas refletem, talvez, não sobre si mesmas, mas a respeito das circunstâncias que se envolvem. Voltam ao passado, carregadas de frustrações em relação àquilo que não obtiveram. Projetam-se para o futuro numa ânsia incontrolável, agarradas em perspectivas mágicas a fim de alterarem suas realidades presentes. Enfim, em algum momento, lá trás, agora, ou em futuro breve, passamos por esse tipo de deslocamento no tempo e no espaço, quando não, alimentamo-nos sempre desse tipo de fuga da realidade.

                A vida em si é muito simples, até mesmo, ronda a ordem da banalidade. Entretanto, é essa nossa cognição, por vezes estúpida, em outro instante irracional, que nos leva a fazê-la complexa, enfadonha e de grande dificuldade para manipulá-la, no sentido de transformá-la em parceira efetiva para nossa caminhada enquanto sujeitos ativos de seu simplório fenômeno.

                Por que esperar, afinal? Questionamento que nos leva à dinâmica de estagnação absoluta para o modo vivente enquanto seres humanos. Esperamos pelo outro, ou melhor, delegamos a todos a responsabilidade cerca da solução dos entraves. Ao mesmo tempo, julgamo-los, considerando muitos como réus, vilões de fatos que atuam contrariamente ao sucesso almejado ou a plenitude tão cobiçada. Um interessante mecanismo em que nos desnudamos da própria força e da capacidade própria em detrimento da concepção de super homens e mulheres que ao osso ver devem, criam débitos, ou por nos impedirem ou por anularem o poder subjetivo de cada um de nós.

                Aguardamos, ávidos, por toda uma estrutura que está por vir. Vivemos a expectativa da estabilidade, sendo essa projetada em um emprego perfeito, num salário ideal, na solidez de uma casa própria, preferencialmente mobiliada e assim mais alguns outros alicerces materiais de suposta sustentação. Alcançado isso, estabelecemos a necessária condição de manutenção para essas conquistas. Um elemento agregado, pois não paramos de pensar em expandir, criar possibilidades e se destacar.

                Paradoxalmente, quando nada se tem nesse sentido, há um vazio e um desejo por percorrer estradas para essa proximidade. Já quando da conquista, passa-se por duas novas vertentes: a primeira de ter certo sobre a oportunidade de ampliá-la e passar a ter mais e, o início de uma nova sensação de vazio, pois, afinal, a indagação de para onde tudo isso vai e o que de fato faço com minha vida, mantêm-se presente ao longo de todo esse processo de desenvolvimento. É quando composições musicais como a do Titãs, passam a se transformarem em hinos diante da confusa opção feita pelo homem diante de sua própria vida.

 
Ter chorado mais 
Ter visto o sol nascer 
Devia ter arriscado mais 
E até errado mais 
Ter feito o que eu queria fazer…

Queria ter aceitado 
As pessoas como elas são 
Cada um sabe alegria 
E a dor que traz no coração…”

(Titãs)

                Por que esperar, então? Viver de fato o sentimento que se produz, é gratuito e fortalece a alma. Chorar como forma de humidade, reconhecendo ao outro e a si mesmo pela expressão mais pura realizada por nossos próprios olhos. Conseguir ver e, acima de tudo, interagir, com as pequenas coisas, aquelas que são desvalorizadas e que a princípio não ofertam nenhum tipo de retorno, como o nascer do sol. Permitir-se, desafiando-se e levando a se movimentar em rumo ao que se precisa, que se quer e ao desejo mais sublime, intrínseco à peculiaridade de cada estágio de evolução dos sujeitos que compõem a vida.

                Por que não errar? Por que passar toda uma vida na expectativa em alcançar a exatidão de um acerto permanente, inexistente, somente ilusório? Não seria essa a hora exata em nos aceitarmos, como realmente somos, na íntegra, para ai nos reconhecermos e conseguirmos seguir por uma rota de evolução? Passar a saber que o outro também é limitado, assim como nós, e pararmos de projetar sobre tudo e todos o desejo de um milagre não realizado? Afinal, não existem milagres, mas, tão somente, a impressão cravada em nosso pensamento e nos sentimentos que emergem no coração.

                Por que esperar?  Por que aguardar para cantar essa canção? Não existe razão para se ser o que é, nem mesmo para viver a essência sublime de uma vida mascarada por enganos e armadilhas arquitetadas durante a nossa rotina. Não cante apenas essa melodia, viva, intensamente, o significado de cada um de seus versos. Não é mais preciso esperar. 

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