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A cultura preconiza, universalmente, sempre uma razão que justifique algo. O que se distancia disso passa à ordem do insano, do conteúdo ilógico. Mas, afinal, qual é a razão? Nada mais do que o produto final que resulta nua comparação entre pares, uma analogia que os identifica. Há um cálculo, obviamente de risco, que supõe, então, um determinado significado, um sentido que dá a inclinação do ser para a compreensão ou a realização.

É indubitável que a razão contribui e auxilia para a construção geral do mundo, assim como a construção da identidade pessoal, dos processos de interação e da ascensão social num todo. A razão é racional e é pela cognição, associada ao pensamento e a memória, que o homem, antropologicamente falando, galgou em sua história conquistas tão significantes frente ao auto desenvolvimento e a transformação da realidade em que se insere, consequentemente.

Entretanto, não se pode deixar de perceber uma lacuna, um espaço vazio que torna a razão humana paradoxal. Nessa área, dois elementos são observados e, talvez, com tamanha intensidade de importância e de influência sobre a vida das pessoas, assim como o é o resultado atingido pelo exercício dessa razão. E, creio, ser de suma importância à análise de seu pareamento para que possamos refletir algumas coisas a cerca da complementação desses buracos.

Considerando, então, todas as conquistas derivadas do uso da razão, por que a qualidade de vida de quem as usa, os sujeitos individualizados, assim como a representatividade elevada da coletividade, é tão prejudicada? O pensamento é de propriedade de todos e, a experimentação das teorias edificadas, apresenta a participação das pessoa. Através do senso comum, rumamos, em paridade, a um mesmo sentido, uma mesma direção. Coletivamente agimos em prol de algum tipo de crescimento, seja esse tecnológico, de consumo, emocional, enfim, porém, uma pequena porcentagem, minoritária, da estatística, usufrui desses resultados.

Em parte, pensa-se diferente daquilo que é padronizado, participando de um meio (in)comum. Outro item está na hierarquização para o usufruto da razão. Aquele que mais habilidoso é e com maior competência para o uso de habilidades que geram a razão, encapsulam um tipo de controle acionário sobre a condução das coisas. Detém-se de maior poder, passando a controlar o sistema em sua volta e assim garantindo prerrogativas de posse sobre aquilo que a razão produz frente à dinâmica dos processos, dos serviços e das relações entre as próprias pessoas, promovendo uma distribuição desproporcional e injusta das benesses frente ao coletivo que as produz.

O segundo elemento está atrelado à desconsideração de tudo aquilo que não pertence ao campo da razão. É como se aquilo que a mente humana não alcançasse, automaticamente, passaria por uma intensa desvalorização  até chegar ao limiar da anulação de sua existência, em virtude do descrédito aplicado. Etnicamente falando, um verdadeiro desrespeito às múltiplas culturas que alicerçam os povos em nosso planeta. Um mecanismo redutivo de símbolos e de significados que norteiam e conduzem povos e civilizações até os dias de hoje. Verifica-se isso pela dicotomia do saber entre a erudição acadêmica e a prática empírica aplicada pelos cidadãos comuns em seu dia a dia.

Mesmo cientes de que nem toda verdade é passível de evidências, até mesmo de comprovações, sua respectiva autenticidade não é da ordem da fantasia, muito menos da mentira. Além disso, a vida, em seu pressuposto geral, é conduzida por essa premissa, principalmente do que diz respeito à realidade do mundo interno de cada um dos sujeito diretos que provocam a execução da razão, ou seja, externamente se instiga à lógica quando que internamente se move pela subjetividade nem sempre compreendida em sua totalidade, mas, sim, percebida sem a devida consciência.

Por tanto, afinal, qual é a razão? Jamais é a conveniência. A razão, em sim, está no resgate da saúde mental de cada indivíduo, estabelecendo pilares de coerência entre o que se pensa com aquilo que se faz, dando vazão ao devir de cada um dos estágios de maturidade presentes nas pessoas que compõem a realidade chamada vida. Harmonizando e equilibrando o impulso pessoal e natural, frente às imposições preexistentes deflagradas pelos sistemas que acolhem e convidam a participar. Uma mudança de paradigma em verdade. Um longo e importante exercício de transmutação de identidades e de transformações ambientais.

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