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Não existem milagres. Há uma lógica que rege o jogo da vida. A inexistência de problemas é um fato. A permanência das escolhas, uma realidade. As opções podem nos conduzir por caminhos ermos, difíceis e cercados por mazelas e conturbações. As dificuldades naturais não representam, em si, aborrecimentos, mas, tão somente, a forma de serem percebidas e encaradas. Somos conduzidos pelo conflito básico humano, aquele que dita sobre a guerra fria que se estabelece entre o desejo próprio, na maioria das vezes não muito bem definidas, sem a devida consciência para se justificar e até mesmo ausente de uma razão concreta para acontecer, levando ao embate com os princípios da realidade que estruturam o senso comum, norteando as leis sociais e as padronizações de controle para a relação da coletividade.

Em verdade, somos meros frutos daquilo que semeamos. Nosso presente reflete as ações do passado e causam o contexto para um tempo futuro. Por isso, quando diante de escolhas mal elaboradas, emerge a frustração, derivando dai o arrependimento. A essa carga de vibração afetiva produzida, eclode a culpa, no sentido de justificar as razões que me levaram a isso ou àquilo. Fomentam-se todas as possibilidades existentes no passado que não foram seguidas, construindo-se novos finais para as situações que ocorreram, como se assim fosse possível.  Escraviza-se sobre um tempo que não mais existe, mantendo-se lá, no outrora, como se essa fosse à solução mágica para a resolução de todas as insatisfações.

Passando por um tempo anterior, carregado de falhas e de vazios, chega-se ao instante atual desprovido das devidas munições para o enfrentamento adequado. Ou seja, não se vive o que é factual ao instante que se atua. Generaliza-se como consequência da vigília, a fim de que as coisas não se repitam, mesmo que a sensação premente é de que tudo não passa de uma similaridade sem tamanho. A atenção concentrada não se ancora nas precisões imediatas, pois permanecem voltadas ao suposto insucesso daquilo que não fora realizado e que se mantém agarrado ao desejo não realizado.

Passa-se por um tempo e adentra-se a outro, constituindo-se dois polos incompletos, vazios. Os sentimentos negativos norteiam a rotina e assim dilaceram-se as possibilidades intrínsecas da vida de cada um dos sujeitos. O mecanismo de luta e fuga acessa-se com frequência, afinal não é isso que se quer e assim não se encontrando, parte-se para um novo espaço e tempo imaginário na vã tentativa para se adquirir.

Parte-se, então, para o tempo futuro, como se lá existisse o refúgio que alenta e ameniza a dor e o sofrimento estruturados na vida que se ocupa. Ilusionam-se situações, modificam-se personagens e até mesmo agregam-se e transforma-se elementos da realidade, levando a aproximação fictícia de um mundo ideal. O sonho de consumo projetado ao longo de toda uma jornada de existência.

A prisão do passado entristece, levando até mesmo a depressão. Já o presídio futurista, fomenta a elevação dos níveis de ansiedade e essas duas falsas realidade compõem o cenário por onde caminha parte significativa das pessoas, oscilando entre uma e outra e, por vezes, dando uma rápida passada no momento real chamado presente, onde realmente se situam. Um mecanismo de defesa nocivo, que leva ao adoecer sistêmico do ser que se denomina humano.

Essa é a dinâmica da fuga. Alcançar o que de fato é saudável e necessário para a ascensão da vida, pauta-se pelo enfrentamento. A vida, em sua essência, está na transformação do meio que se insere e na transmutação de si mesmo diante das vicissitudes impostas pela vida. Ai há aproximação dos estados desejados de saúde física e mental, além da edificação da harmonia e do equilíbrio consigo mesmo e com as interações estabelecidas.

É a colheita. Semeia-se agora e colhe-se depois de maturado. Plantar tomates e colher melancias é milagre, inexistente.

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