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 “É reduzido o número daqueles que veem com sus próprios olhos e sentem sentem com o próprio coração.  Mas da sua força dependerá que os homens tendam ou não a cair no estado amorfo para onde parece caminhar hoje uma multidão cega. 


Quem dera que os povos vissem a tempo, quanto terão de sacrificar da sua liberdade para escapar à luta de todos contra todos! A força da consciência e do espírito internacional demonstrou ser demasiado fraca. Apresenta-se agora superficialmente enfraquecida para consentir a formação de pactos com os mais perigosos inimigos da civilização. Existe, assim, uma espécie de compromisso, criminoso para a Humanidade, embora o considerem como sabedoria política. 


Não podemos desesperar dos homens, pois nós próprios somos homens.”

Albert Einstein, in ‘Como Vejo o Mundo’

 

                A política não é uma ação pertencente ao representante do povo, eleito por uma nação. Todas as pessoas de uma comunidade, seus respectivos cidadão, oriundos das cidades, dos estados e dos países, exercem uma atitude, espontaneamente, cívica. Do tijolo colocado em cada obra, da coleta dos resíduos à administração de grandes estratégias nas organizações, e tudo há o civismo. A postura se origina nos pobre e nos ricos, nos educados ou nos sem acesso a educação. Nas pessoas saudáveis e nas doentes. A vida comunitária gera uma conexão direta e indireta, porque as pessoas precisam uma das outras, no sentido de dependerem do comportamento e da afetividade uma das outras.

Mesmo que, reconhecidamente, não façamos parte de um sistema democrático, a participação de todos é um devir coletivo. A origem grega da política, não organizada, mas, socialmente aceita, aponta para o pressuposto de que o demos, ou povo, atuaria como agentes do poder e assim dominariam as conduções de seus povos, ou kratos. O que de fato ocorre é uma indicação de políticos, profissionais, por parte da população. Isso retira o caráter da massificação do exercício político e, ainda mais, o traço de representatividade do povo para que aconteça uma ação em prol dessa comunidade. Diga-se de passagem, o que tem de político que nunca trabalhou na vida não tá escrito.

Agora, a crítica, tanto velada como a explícita, aos sujeitos diretos da atividade política, merece algumas reflexões. O bom senso, devido às escolhas realizadas para o bem estar de uma sociedade, está acima dos déficits educacionais. Contrariamente, as carências econômicas e o distanciamento em relação aos recursos da saúde, moradia e segurança, tornam as pessoas vulneráveis à proteção do estado (Hobbes, 1588), tornando-se cúmplices das decisões, independentemente do caráter das mesmas.

Analisando o perfil das duas Américas, a Central e a do Sul, o continente Africano, em sua totalidade e, boa parte dos países que formam o oriente médio, o cenário é de absoluto descaso a coisa pública e a estrutura básica de sobrevivência de suas populações: políticas de educação infundadas, sistemas de saúde absolutamente precários, desenvolvimento cultural fragmentado e a miséria material predominando, aliás, muito além disso, ausência de elementos essenciais para a manutenção da vida de milhões de indivíduos. Logo, as migalhas oferecidas em forma de esmola por centenas de governantes, acabam calam bocas e enclausurando seres humanos em si mesmos, em suas próprias miserabilidades.

O ciclo milenar, então, de simbiose, perpetua-se. Nossos semelhantes clamando por qualquer tipo de aceno à possibilidade para sobreviver e sustentar a vida dos seus e, de outro, governantes que se nutrem do desespero de seus eleitores e que, de grão em grão, vão mantendo seus servos presos a um sistema corrompido e sem nenhum tipo de princípio humano, distante de premissas religiosas, nem mesmo pautado no sentido filosófico apontado pela cultura grega.

“Não sabemos se haverá ingenuidade em desejar moral na política e se não terá havido em qualquer nação governantes em que o carácter e a dignidade pessoal tenham julgado de um dever entrar também na vida pública, regrando processos de administração. Não sabemos. 

 
O que sabemos é que a desordem e imoralidade políticas têm um efeito corrosivo na alma das nações. E o abastardamento do carácter nacional não pode deixar de influir no desenvolvimento e progresso de um povo, sob qualquer aspecto que o queiramos considerar.” 

António de Oliveira Salazar, in ‘O Ágio do Ouro – Banco de Portugal (1916)’

 

                Somos, naturalmente, políticos. Sempre, porque, não é de hoje, que o sistema que constrói as sociedades, corrompe-se. Eleitos e eleitores, destroem, rumpere, os alicerces para a qualidade de vida do Estado. Com, atribui a cumplicidade ocorrida entre todos, ou seja, todos juntos contra o próprio espaço que habitam. A corrumpere, corrupção, gera o mal de uma maioria, necrosando as possibilidades de futuro para todos. É um sistema doentio, nocivo.

O que é universal, comum a todos, é o anseio de uma vida melhor. Isso é inquestionável, porém, esse princípio, volta-se aos interesses pessoais, individualizados ao egocentrismo, sem primar pelo bem de todos, frente à coletividade. Não há felicidade quando a massa sofre. Assim como não existe saúde quando alguém padece pela doença. A educação não acontece, quanto alguém não consegue ler ou escrever, nem mesmo quando não está hábil a interpretar um parágrafo que seja.

Em plena era e domínio tecnológico e científico, verificar diariamente pessoas passando fome ou comendo aquilo que parte significativa da população se recusa ingerir, é a prova cabal de que algo de muito errado se perpetua. Saber que o dinheiro é aplicado de maneira indevida, superlativando o desnecessário frente a tantas carências provoca revolta e indignação. O fato é que essa dinâmica política afronta a saúde física e mental da população, ferindo os valores e os princípios sociais, contradizendo suas políticas de direitos humanos em confronto com a prática vil que, filosoficamente, mata diariamente tantos seres humanos.

A mudança desse cenário não está na mão dos eleitos, mas, sim, dos eleitores. Não apenas no sentido de mudarem suas escolhas e de fato passarem a delegar essa ação direta a pessoa com princípios e valores, mas, pontualmente, atuando como chefes a quem esses devem as devidas satisfações num mecanismo de hierarquia, que é o que é, teoricamente falando.

Não adianta falar em diretos sociais, dissertar sobre as leis, evocar ensinamentos evangelizados, proclamar pelo homem e pela necessidade de religar-se a Deus. Discursar sem ação é profanar a coerência e a integridade do próprio homem. É delirar, coletivamente, falseando sua própria condição e ilusionando seu futuro próximo, muito próximo. Assumir essa natureza política é passar à ordem ativa que muda, efetivamente, nossa realidade. É ser gente, concretamente, é exercer suas filosofias e princípios de vida na íntegra.

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