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Um personagem, genericamente simbolizado pelo ser. Um sujeito que pode ser eu mesmo, você ou qualquer outra pessoa disponível nesse mundo. Não importa muito, aliás, em nada, sua identificação, mas, apenas o contexto em que se insere. Afinal, há uma universalização de atitudes propagas a todos os demais que o observam, acompanham e até mesmo o criticam. Enfim, é uma reflexão que se embasa na individualidade de todos nós, ou seja, em uma coletividade disputada em prol da exclusividade que cabe a todos. Um nada inédito que teima ser uno. Talvez um princípio dos direitos humanos.

Esse ser a quem me refiro, disse sim, pois tinha uma imensa dificuldade em impor limites através do não. Por esse razão, tornou-se, incoerentemente, negativista diante de si mesmo. Permitiu-se ser invadido quando, em verdade, o que mais almejava, era a reclusão do seu próprio silêncio, ou, a construção de uma oportunidade concreta para gritar em unissom suas palavras mesmo que sem sentido pra os que ouviam. Tinha na aprovação e na aceitação dos que o cercavam, o sentido primário, talvez único, para a condução daquilo que supostamente acreditava levar a ser. A frustrante reciprocidade vinha como avalanche a encontro de seus desígnios, pois não se sustenta através de uma expectativa desconhecida, mesmo que querida.

A esse sujeito descrito, parte de seu brilho ofuscou-se. A omissão de alguns princípios e a deflação dos próprios valores foi banalizando sua identidade. Personas diferenciadas foram sendo criadas na tentativa irracional de se compensar as ausências e o vazio que se alastrava dentro de si mesmo. Condutas incoerentes passaram a ser adotadas. Amores descabidos foram sendo vividos. Caridades mentirosas se estabeleciam traçando tênues caminhos para uma fraternidade muitas vezes interesseira. Um tipo de compulsão para o uso, direcionada à aquisição de alguma coisa muito mal determinada, mas, ao mesmo tempo, qualitativamente estruturada para a desordem individual e coletiva, socialmente aceita.

Ai esse ser se perdeu. Fez-se confuso, carregando em si uma infinidade de indagações. Boa parte sem respostas, a outra sem coerência e suas poucas verdades sem a aplicação da devida credibilidade por quem alcançava as respostas. Sua sobrevivência deveu-se e, até o presente momento,pela fomentação de uma dinâmica paradoxal. A incoerente conveniência que alimenta esse personagem, contudo, não o nutre, tão somente o torna desmilinguido, diante da própria fraqueza reproduzida em suas condutas e na manifestação de seus sentimentos.

Percebendo, mesmo sem a devida consciência, o caos e o desespero provocado dentro do próprio mundo interior, o ser, em desespero controlado, busca em suas crenças, a vã tentativa de se reconhecer ileso, alegre sem felicidade, pleno, porém, sem conteúdo, através das suas projeções transferências efetuadas a outros seres, como se nesse espaço sombrio, pudesse se localizar, acertar-se de afirmativas duvidosas, fazer-se incerto crendo se deparar consigo, fora de si. Uma verdadeira loucura distante dos manicômios. O desequilíbrio aceito e perpetuado.

O outro endeusado, confunde-se, assim, com um deus. Deus, em si mesmo, passa a ser visto como o responsável absoluto, tornando-o algoz das próprias mazelas mesmo tendo sido o precursor para a nossa liberdade. Passamos a viver escorados nas projeções que nos fazem ausentar, eximindo-nos d que somos, para que estamos e da definitiva incumbência de encontrarmos o nosso ser, procurando-o dentro de nós mesmos.

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