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Em ambas as ações, propostas no título desse artigo, percebe-se divergências que levam a uma confusão diante da escolha realizada para a postura aplicada à vida como um todo. Alguns falam sobre a necessidade de se partir para o embate, travar-se lutas para a modificação das injustiças e das indiferenças que se aplicam sobre grupos sociais, assim como para os acontecimentos individualizados, referentes às pessoas que nos acompanham no dia a dia. Outro grupo disserta a favor da neutralidade, dando a entender que a submissão e a passividade se tornam os principais veículos para o alcance da harmonia e do equilíbrio a serem alcançados. Minoritariamente, há um terceiro grupo que comunga pela ação, porém, muitas vezes, nem sempre é interpretado em sua essência e, até mesmo, perde-se nas fronteiras onde se situam o confronto e o enfrentamento.

É preciso tornar essa relação mais clara. A vida é naturalmente dinâmica, em contínuo movimento. Cada um dos seres humanos, em virtude de sua capacidade de criação, estágio de maturidade em que se encontra e necessidade natural de adequação entre o perfil que lhe pertence, adequando-se à realidade em que se insere, constrói uma mutável e acelerada condição para a sobrevivência. A interação e a troca são consequências espontâneas e inevitáveis que se darão, seja pelo viés positivo ou negativo, jamais pela neutralidade. Obviamente, banir o negativo é a busca fundamental para o desenvolvimento humano, assim como romper o pensamento repetitivo sobre a neutralidade, agregando novos valores e a adoção de uma postura que venha ao encontro do bem estar de todos, afugentará a covardia e nos fará mais proativos frente às mudanças inevitáveis que deveremos viver frente à escalada evolutiva.

Enquanto o confronto solicita às pessoas envolvidas uma associação, um estado próprio para se estiver em relação com, a fim de agredir para que a supremacia de um sobre o outro se dê, o enfrentamento designa tão somente a resistência, consolidando a devida resistência para não sucumbir às forças opositoras que fazem combate contra os valores pessoais. O confronto aplica-se a batalha travada contra alguém com a finalidade competitiva de um vencedor se sobressair a um derrotado. Já quem enfrenta, trava a mais saudável forma de competição existente: a exercida consigo mesmo, aquele que busca como resultado a consolidação dos pressupostos pessoais, que edifica o bom senso e se faz de exemplo para a coerência e a integridade dos que enxergam o exemplo através das atitudes.

Aquele que confronta o faz na tentativa de impor-se, tanto sua lei como a delimitação de um espaço, desrespeitando a capacidade alheia. Em essência, sua finalidade é a de anular uma outra condição para angariar estabilidade, provocar o autocontrole sobre algo não muito bem determinado e ativar qualquer tipo de poder que no fundo mais fragiliza do que cria vantagens em relação ao andamento da própria vida. Aos que enfrentam, cabe exclusivamente à competição consigo mesmo, no sentido de fortalecer seus pontos de vista, ou abandoná-los, quando assim for verificado, permitindo ao próximo seguir dentro de sua carta de valores. A finalidade não é a de angariar rebanhos de seres adestrados para seguirem um senso único, mas, sim, a de não se perder, tornando-se volúvel e conveniente para que se seja aceito e participante daquilo que não se deseja.

Assim, confrontar se faz, de fato, desnecessário e improdutivo, pois nos faz andar em círculos até regressarmos ao ponto original. Vital é enfrentar, superar obstáculos e vencer a si mesmo frente às incertezas ou a rigidez que nos toma conta. Enfrenta-se, primeiramente, a si mesmo, verificando-se e comprovando-se o que se é e como se é para a devida aplicação à vida, pessoal e intransferível.

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