Skip navigation

Pobre Maquinista, nada encontrou. Já ocupou seu lugar, já passou a participar da rotina e enquadrou-se na dinâmica do grupo ao qual foi inserido. Insatisfeito, reclamando e chamando à atenção para a sua desilusão, chorou, berrou, importunou, incomodou……  um novo vagão foi solicitado para auxiliar e assim conseguir com que efetivamente se adaptasse à viagem na qual embarcou. O cobrador não deu conta, os passageiros não se adaptaram ninguém gostou e a confusão para todos os lados se instalou!!! Chegou à hora do Maquinista aprender a conduzir a sua vida e a se enquadrar na velocidade e no percurso determinado. O vagão da escola o aguardava.

Havia no início a precisão de cuidados por parte de quem me tomara por tutela, bem como aos outros passageiros da locomotiva da alma. Não apenas pude ver, mas como sentir, que aqueles que se candidatavam a essa função, em verdade, não conseguiam saber muito bem as razões que os levaram a essa responsabilidade. Nem sempre éramos amparados, havia um esforço básico para que nos mantivéssemos, até mesmo por parte de outros um esforço descomunal para o exercício pleno dentro do papel assumido. Contudo, ouvia-se muitas reclamações, falava-se do cansaço, de m tempo perdido e de um investimento às avessas com aquela situação toda.

Afinal, não havia escapatória, encontrávamo-nos todos no mesmo vagão, sem a possibilidade de volta em relação às escolhas feitas. Isso era para nós os passageiros assim como para quem nos tutelava. Logo em seguida a partida, passada comoção do reencontro, as coisas passaram a se assentarem, como se depois de um vendaval de emoções, motivado por inúmeras expectativas, ou por mero acidente, a poeira baixando, as reflexões a respeito da opção em adentrar a essa viagem viessem à tona no pensamento de cada um, dos que lá já estavam e daqueles que foram embarcando nas estações.

Era claro o conflito que se estabelecia entre as necessidades de cada um, a realidade própria que eclodia de um vulcão em erupção, situado no âmago de nossos seres, com o enfrentamento às imposições geradas por pessoas, as naturais, enfim, a adequação entre ser e aquilo que já o era. Era nítido perceber em quem ali já se encontrava, que o vazio tomava conta de parte de cada um. A insatisfação com o que lhes ocorria, as frustrações relativas ao inalcançável, às perspectivas evasivas cunhadas pelas fantasias que provocavam a fuga dessa realidade, tornando-se intransponíveis pela falta de clareza e de objetividade. Tudo isso se convertia para um contágio epidêmico, onde todos se sintonizavam, orquestradamente, para uma mesma direção.

A diferença é que para quem lá já estava, isso dava a entender que gerava uma consequência pelos erros cometidos e, para nós que subíamos aos vagões, uma mera impregnação contagiante como se não houvesse algum outro tipo de possibilidade. A cada espaço percorrido, era notório que cada tutor perdia-se cada vez mais em seu exercício. Largavam-se pela obrigatoriedade da responsabilidade assumida, intransferível e irreparável, isolando-se no gozo de um sofrimento silencioso e manifesto de forma a não serem delatados, pegos em flagrante, afinal precisavam honrar com os erros cometidos. Jamais, efetivamente, a maioria esmagadora dava conta de serem concretamente pais de seus tutelados. Negligenciavam, omitiam-se e com isso não davam conta de viverem, plenamente, aquilo a que se propuseram, escolheram.

Assim como o marco histórico, em dado momento, fomos transferidos de vagões. O espaço vazio ocupado abria vagas a novos passageiros e nós, embarcados, recentemente, em estações anteriores, familiarizados já a paisagem e os trilhos, éramos repassados a novos cuidados e cuidadores. A finalidade única de sermos adestrados à incorporação de um mesmo padrão cultural dessa organização social estabelecida pela comunidade solidária que se reunia e desunia nos intervalos de tempo e nos locais por onde passavam.

Definido que precisávamos de boa educação e de modos, fomos transferidos aos mestres da doutrinação. O que chamava à atenção era que esses louváveis educadores já exerciam ou estavam exercendo o mesmo papel tutorial que nossos cuidadores anteriores. Via-se, notoriamente, que as amarras eram semelhantes e que os pressupostos daquilo que se edificava como um devir único para diferentes seres, era exatamente o mesmo. A função se modificava, o papel era diferenciado, porém, o princípio exatamente o mesmo.

Adentramos nas bases da escola da vida, onde iniciaríamos o preparo futuro para a perpetuação de tudo o que nos repassavam, falo dos acolhedores desse trem. Uma nova etapa de aventura começava.

Gente!!! Isso aqui até pode ser arte, mas não é ficção!! As pessoas do primeiro vagão são os pais!!!!! Sabe o que acontece hoje?! Negligência, abandono e intolerâncias as próprias escolhas, no caso, os filhos, para parte do que assumem esse desafio. Ai empurram para o outro vagão, a escola…. mas no final, confraternizam juntos.

Imagem

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: