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Existe uma negativa confusão em relação à definição desses termos, até mesmo porque passam a serem utilizadas para comporem os perfis pessoais e coletivos das pessoas. Sigmund Freud (1900), responsável pelo desenvolvimento das teorias referentes à personalidade e ao desenvolvimento humano, define o ego como sendo a parte da instância psíquica que equaciona o EU de cada ser. Sua funcionalidade e representatividade se voltam para a efetivação do equilíbrio e da harmonia, consequência do embate entre o desejo pessoal com as regras e as leis valorativas, impostas pela sociedade. Uma junção saudável entre esse eu o as unidades estruturadas por eles e que formam o nós. Carl Gustav Jung (1910) agregou a essa visão, entre outras coisas, a aproximação do ego cm os elementos que compõem o inconsciente coletivo.

Dentro da Filosofia, especificamente a abordada por Nietzsche em Assim Falava Zaratustra (1883), descreve a seguinte concepção: “O homem é para o Super-Homem o que o animal é para o homem, uma dolorosa vergonha, uma gargalhada, um sarcasmo e nada mais”. Acredito que a preexistência dessa concepção, amarrada a uma trilha desenvolvida por vários outros filósofos, alicerçaram importantes estruturas para as concepções da ciência da psicologia, iniciadas a partir de Freud. O desenrolar de todos os compilados teóricos nos levaram a compreensão do homem, sua funcionalidade e respectivas justificativas de reação.

O homem, por si só, representa-se por esse símbolo egoico do Eu. Para sua sobrevida e, fundamentalmente, evolução, faz-se necessário a adoção da postura egoísta. Afastemos o sentido pejorativo da palavra: ser egoísta não é abandonar e negligenciar o outro e nem a vida que rodeia o eu, em detrimento de uma soberania própria. O egoísmo é saudável, quando inclinado para o foco de aperfeiçoamento e de desenvolvimento pessoal. Não havendo essa especificação, o sujeito perde-se em meio ao todo, fragiliza-se e assim incapacita-se a alavancar suas próprias necessidades e torna-se, parcialmente, inútil, para contribuir com a ascensão dos que o cercam. O indivíduo desnutrido não consegue levar alimento para os que precisam.

A nocividade reativa do ego não está no egoísmo, mas, sim, na posição egocentrada adotada diante da própria vida e na maneira de se tratar as demais pessoas. O egocentrado incorpora o papel de super homem, assim como o descrito por Nietzsche. O Super Homem é aquele que crê ser único, quase que como isolado feito à ilha cercada pelo oceano. Tem quase como certa sua supremacia em termos de necessidade, vontade e atendimento das necessidades quando comparado a qualquer outro. Percebe-se com sendo uma usina produtora, dentro de um princípio de qualidade total, de consciência plena, um exemplo a ser seguida, quase uma alternativa viável para o devido encaminhamento dos problemas que as pessoas, e somente elas, deve dar resolutividade. O egocêntrico é impregnado com a certeza de ser seu eu o centro de todo o universo que o segue, em movimento de rotação, como se possuísse tal força de atração. Trata ao homem como um animal inferior, fazendo-o tão pequeno como o bicho que se relaciona com esse mesmo homem então desqualificado.

O sufixo ista, da palavra egoísta, refere-se a pertencer, ser adepto. Ou seja, o indivíduo que se permite ser seu, participar da sua própria vida, estar em contato e em relação consigo. Assim, enquanto o egoísta luta para aperfeiçoar-se e, igualmente, anseia em compartilhar com os demais suas conquistas, também vê a importância em adquirir através do outro, subsídios para se tornar uma pessoa melhor. Percebe que a relação ganha x ganha é a mais indicada e saudável para o crescimento de todos. Ao mesmo tempo, tem em si que é preciso preservar a si para que esse intento aconteça. O egocentrado se basta, não acreditando haver muita riqueza nos demais para aumentar seu capital valorativo e interativo. Compartilhar é uma ação que ocorre quando convém, não que seja importante.

O egoísta participa ativamente como sujeito direto de suas livres escolhas. Já que é responsável por seus processos, precisa agir sobre eles, reconhecendo-se e fortalecendo suas estruturas para que a insegurança e a baixa estima não contaminem o direcionamento daquilo que venha a fazer. Torna-se a criatura criadora, assim como o mito profetiza, de se ser imagem e semelhante do criador. Isso o não faz devasso e nem dilacerador de suas companhias ou da atitude delas. Contrariamente, o egocentrado tem como referência única, ele mesmo. A clausura humana e seu holocausto, socialmente permitido, deriva da conduta egocentrada e não das pessoas egoístas.

Todas as personalidades que geraram impacto social construtivo, como Jesus, João Batista, Sócrates, Francisco de Assis, Gandhi entre muitos outros, pautaram-se nas diretrizes de seus egos. Mantiveram-se fiéis aos seus pressupostos até o final de suas vidas, todas relativamente trágicas, diga-se de passagem. Os menos conhecidos, figuras nem tanto públicas, também. Outra coisa em comum: esse atuaram na direção da divisão de suas ações e intenções, tanto que carregaram e, carregam, até agora, milhões de seguidores.

O egoísmo é um resgate importante, inclusive para o aniquilamento da persona egocentrada. Somente pelo resgate do eu, é que as convicções passarão da vulnerabilidade à solidez. Incertezas assumirão o caráter do princípio. O senso comum que delibera a drenagem das impurezas, levando ao uso contínuo do bom senso. Acredito, ainda, que será somente pelo fortalecimento do egoísmo, que se dará o abandono absoluto da individualidade em detrimento do real bem de todos, da solidariedade, da fraternidade e do exercício sincero e verdadeiro do sentimento de amor. A máscara egocêntrica, é um mecanismo de defesa, que omite nossas inabilidades, as fraquezas e a covardia que nos impede de enfrentar. A máscara que dá a ilusão para afrontar, competindo e destruindo, jamais construindo.

Todo egoísta pode se desviar, chegando ao egocentrismo, porém, o ser egocentrado não viverá essa dualidade. No egocentrismo até mesmo a participação consigo, em sim é difícil, já que o centro para todas as interações é algo que chega a uma ordem supra pessoal inclusive.

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