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As palavras loucura e normalidade se opõem, são antônimas. Socialmente, repelem-se. Quando comparados ao grupo dos sãos, os ditos loucos são marginalizados e alocados a um espaço, literalmente, a parte da participação do espaço público. Aos alienados, então, cabe tão somente à percepção de estranheza. Um olhar que tenta traduzir as razões sobre os comportamentos adotados pela grande massa e, além disso, uma compreensão a cerca das justificativas que os fazem afastarem-se do senso comum.

Ao louco cabe ser, desenvolver-se dentro do contexto próprio, que fere os que os visualizam como expectadores de suas comédias ou tragédias. O sujeito da loucura, ao contrário do que argumentou Michel Foucalt (1974), não se construí por uma indução social. O louco é e sempre foi. O que emerge da dinâmica coletiva, nada mais é, do que a adjetivação do predicado que acompanha esse sujeito. A busca por uma posição, equivocadamente, tida como adequada, promove uma dicotomia dos vários personagens da comunidade, essencialmente, se esses não são passíveis do adestramento e do controle que, ilusoriamente, dão a certeza do domínio pela cultura e os paradigmas que sustentam a sobrevida dos povos.

Insana. Nenhuma outra palavre define tão bem a postura de seres humanos semelhantes diante da diversidade que os determinam. Um mesmo papel social é julgado ou preconcebido de maneira diferente. O espiritualista que incorpora em sal casa de atendimento é visto como um ser altruísta, doando-se ao outro. Fazendo isso no centro da cidade, é diagnosticado com um quadro psicótico e internado para algum tipo de tratamento. O cidadão comum que rouba para matar a fome é tratado como bandido, já o indivíduo com destaque nos grupos sociais, é tido como figura maior, importante. Assim, o comportamento tido como louco, é variável. Seu lugar de atuação, idem, e o tempo que se manifesta, também. Contrapõe-se à razão, à verdade à moralidade, porém, nem mesmo se sabe, de fato, os conceitos exatos desses instrumentos sociais que dão, supostamente, harmonia às pessoas reunidas em grupos. Em verdade, nossa funcionalidade é a mesma, manifestada em intensidades diferentes (FREUD, 1900).

A conquista parcial sobre o conhecimento, derivado da função mental inteligência, fez-nos seres eminentemente quantitativo, embasados em médias estatísticas e assim implementando, cada vez mais, fortemente, rótulos para usos e costumes. Dentro disso, a normalidade passou a ser internalizada como uma situação pessoal que se adequa aos padrões impostos para um funcionamento predefinido para o comportamento coletivo de indivíduos, subjetivos. Aos que não se enquadram, ou são isolados, medicados com camisas de força química e permitido o mínimo possível de participação ativa para que não corrompam os alicerces que mantém a vida em grupo.

Em contra partida, para balancear, permite-se a desarmonia e o desequilíbrio, tidos, assim, como socialmente aceitos. Grita-se e desqualificam-se com filhos, mas não se mete em assunto de família. Opta-se por relacionamentos estáveis e ao mesmo tempo se trai repetidamente. Discursa-se contra as drogas, porém, vicia-se em benzodiazepínicos ou se habitua a tomar a dose de bebida todos os dias para gerencia o estresse. Contraria-se à corrupção, mas a lei do mais fácil e a do passar de pernas persiste e é enaltecida como esperteza. Enfim, deseja-se, intensamente, o bem de todos e a igualdade para as relações, mas discrimina-se até os próprios seres, próximos a si, se optam pela homossexualidade ou por uma postura mais anárquica.

Loucura é não ter a consciência de que aceitamos isso, desde que seja do modo próprio de cada um. É fomentar a doença mental, diariamente, em todos os sistemas de relações sociais que participamos, desrespeitando, diminuindo e fazendo do outro um ser impróprio ou inexistente para nosso ecossistema. Ai um dos fenômenos humanos do saber, John Rawls, debruça-se em dissertar sobre as possibilidades de justaposição ao ser. Sua obra, A Teoria da Justiça, de 1972, revela a necessidade de se atuar sobre as consequências disso tudo, buscando mecanismos de inclusão para a diversidade. Mas uma vez alterada para tudo continuar como sempre foi.

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