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As funções mentais representam todo o conjunto de áreas e funcionamento específico dos aspectos psíquicos das pessoas, tanto as funções de origem orgânica como as de origem emocional e as de origem neuropsíquicas.

Para o bom funcionamento são necessários um aparato anatomofisiológico saudável e um equilíbrio psicológico significativo para que o estado mental da pessoa tenha uma boa representatividade.

As funções mentais traduzem padrões e comportamento dentro de certa normalidade ou desviantes, medindo o tipo de desvio e sua intensidade. Isso possibilita aos técnicos que trabalham na área da saúde mental, respeitar as características individuais de cada paciente e formular diagnósticos precisos quando relacionados e comparados à população do ambiente social no qual está inserido (GOMES, 2003).

A consciência é uma função mental de etiologia orgânica e que tem por função manter a pessoa em um estado de vigília e com lucidez suficiente para discernir a resposta adequada ao estímulo recebido.

Patologias relacionadas à consciência estão relacionadas a uma redução parcial, como estados de estupor, ou de obnubilação ou perda total, como os quadros de coma ou de lesões neurológicas severas, como traumas craniencefálicos.

A memória permite a retenção e a fixação dos estímulos recebidos, bem como, a evocação dos dados mnemônicos do exato intervalo de tempo que for necessário ou que lhe convier. Também é uma função mental de etiologia orgânica.

Os processos de formação da memória ocorrem dos fatos remotos, ou seja, dos episódios mais antigos, para os recentes. Desfaz-se ao contrário, das lembranças recentes para as remotas. As patologias relacionadas à memória são a hipomnésia, ou a redução da capacidade de reter e evocar os episódios. A paramnésia, onde ocorre uma falsa caracterização dos fatos registrados, alterando o conteúdo do material arquivado e a hipermnésia, que é caracterizada por uma perda considerável da capacidade neurológica de fixar dados e evocá-los (DALGALARRONDO, 2000).

Quadros de Alzheimer ou demências provam essas alterações da memória. Lesões provocadas por substâncias psicoativas também podem produzir esse tipo de patologia.

A inteligência pode ser definida como sendo a habilidade de captar estímulos diferenciados, apreendendo-os. Consequentemente, aglutinando-os por similaridade ou oposição, independentemente da complexidade, de seu princípio lógico ou de abstração, processando seu conteúdo e transformando-o em respostas eficazes a si e ao meio como um todo. Isso permitirá adaptações construtivas a toda nova situação vivenciada (DORIN, 1978), oferecendo à pessoa a capacidade de resolver problemas. A inteligência é um atributo eminente da estrutura orgânica.                Qualquer alteração na estrutura anatômica ou na fisiológica do Sistema Nervoso Central, pode provocar um prejuízo na capacidade intelectual. Os déficits cognitivos estão relacionados à incapacidade de aquisição e processamento dos estímulos do meio. A patologia primária são os quadros de retardo mental que pode se medido desde a intensidade leve até a severa ou profunda. Quanto maior for essa intensidade, menor será a capacidade de resposta, limitando as ações do indivíduo.

A sensopercepção é uma função mental de etiologia biopsicológica. Funcionalmente temos nas sensações o aparato orgânico que permite a captação de todos os estímulos ligados ao meio ambiente. Também é capaz de decodificar todos os estímulos internos. A ciência considera cinco modalidades de sentido. A visão é uma dessas modalidades e tem por característica responder aos estímulos da luz, formando padrões ou simbologias visuais para aquilo que se enxerga (GYTON, 1988). Já o sentido auditivo conduz o som ao longo de todo o canal auditivo, produzindo ondas sonoras das mais variadas quantidades e qualidades.

O olfato representa um dos mais primitivos sentidos das bases sensoriais (HILGARD; ATKINSEN, 1979). Se a visão e a audição entram em relação com som e a luz, o olfato traduz através do ar seus aspectos odoríficos. O paladar está atrelado a especialidade gustativa, centrada nas papilas localizadas na língua. O tato promove na superfície do organismo, mais específica e diretamente na derme, sentidos distintos como a dor e as sensações térmicas.

Os chamados órgãos dos sentidos vão formar as bases sensoriais da percepção, ou seja, captando tudo o que ocorre no meio externo, tendo uma continuidade em virtude da estruturação física, que dá um significado ao material captado pela percepção.

A psicopatologia mais relevante para as alterações da sensopercepção são os quadros de alucinação, onde a pessoa percebe e relaciona-se com estímulos sensoriais inexistentes na realidade, permitindo que essa alucinação conduza parte ou a totalidade de suas ações e determinados intervalos de tempo.

Pacientes esquizofrênicos ou com outros transtornos psicóticos manifestam sintomas e alucinação, desorganizando seus comportamentos ou enfocando o pensamento em focos da realidade inexistentes ao contexto do paciente.

Orientação é uma função mental de causa biopsicológica que dá o norte à pessoa, permitindo que siga de forma coerente e clara. Há dois alvos fundamentais nesse processo, a orientação em relação a si ou autopsíquica, e em relação ao outro e ao meio, a alopsíquica. O sintoma patológico característico dessa função é a desorientação autopsíquica ou global.

Definir quem sou, o papel que exerço diante da sociedade e conseguir fazer o mesmo com os que o rodeiam, são os princípios elementares da orientação.

O pensamento tem por função elaborar conceitos e ideias, não necessariamente sensoriais. O pensamento é formado por conteúdo, forma e curso. Uma das alterações observadas é a relacionada aos conteúdos do pensamento. A forma delirante é predominante e possui um caráter obsessivo ou de autorreferência. Obsessivo tem um significado de repetitivo, com rituais compulsivos congruentes ao pensamento elaborado.

A forma de pensamento também pode manifestar um perfil patológico. A dissociação e a desagregação, ou seja, a manifestação de várias ideias diferentes ao mesmo tempo e desconectadas.

Uma perturbação formal do pensamento inclui todas as perturbações de pensamento que afetam a linguagem, a comunicação do pensamento ou o conteúdo do pensamento. (TALBOT; HALES; YUDOFSKY, 1992).

O curso do pensamento pode apresentar aceleração, com um discurso rápido. Há fuga de ideias e a pessoa não consegue unir e dar sequência ao pensamento, permitindo a perda de ideias associadas. Também podemos encontrar bloqueios onde o fluxo permanece fixado em um determinado ponto, impedindo o surgimento de novas manifestações. O atraso na resposta do pensamento é mais uma alteração de seu fluxo.

Os quadros obsessivos compulsivos demonstram bem as manifestações do pensamento, pois seu conteúdo é voltado à repetição sempre dentro do foco que motiva a obsessão, por exemplo, pessoas citadas pela sociedade com mania de limpeza. Continuamente o conteúdo do pensamento está voltado para a necessidade de limpar e retirar a suposta sujeira, já que isso ocorre mesmo tudo estando limpo ou tendo sido limpo repetidamente antes da ansiedade de limpar se repetir no pensamento da pessoa.

Após a obsessão, pensamento repetitivo, vem a compulsão, que é a ação que minimiza essa ansiedade focada no processo de limpeza.

Normalmente esses sintomas mostram a desestruturação da personalidade, pois tais características impedem o trilhar normal nas interações da pessoa com ela mesma e com os outros. A dificuldade se dá pela incapacidade de diferenciação entre o indivíduo e a coletividade.

A afetividade representa a série qualitativa e a intensidade das expressões dos sentimentos humanos. As patologias relacionadas às alterações de afeto manifestam estados de angústia ou de aflição em relação às respostas que devem ser dadas aos estímulos recebidos. O afeto inadequado ou insuficiente também é um desvio. A insuficiência é dada pela falta ou descarga parcial de emoção diante dos estímulos.

O afeto também pode desestabilizar o humor da pessoa. Ao invés de permanecer em oscilações saudáveis entre a alegria e a tristeza, sinais comuns a todas as pessoas, ultrapassa o limar. Excedendo à alegria, passa a ter reações eufóricas, induzindo a pessoa a ter um comportamento maníaco. E a tristeza direciona para a depressão.

O afeto alterado pode estar presente nos pacientes com Transtorno Depressivo Maior, cuja sintomatologia é marcada pelo humor deprimido, falta de energia para fazer as coisas, falta de prazer em realizar e desejo de morrer ou de se matar. Também podem ser identificados em pacientes com Transtorno Bipolar, onde o humor manifesta-se de forma eufórica, potencializando o funcionamento da pessoa e desviando as ações saudáveis e comuns para intensidades exageradas e socialmente não aceitas, como por exemplo, a exacerbação do comportamento sexual.

Essa função mental representa, em síntese, a preservação da energia emocional. A vontade simboliza nosso reservatório de potência para nos direcionarmos as ações que nos dispusermos a realizar. Também é uma função mental, quando em desequilíbrio, que pode ser identificada nos quadros depressivos.

Já a atenção, tem por finalidade direcionar, pela vontade, a vigilância do indivíduo a um ponto específico nos seus processos de interação. A ação permite que ocorra uma captação de estímulos através da capacidade sensoperceptória e, posteriormente, armazenamento na memória. Não há uma patologia primária para as alterações da atenção, apenas déficits que pode ocorrer de forma genérica ou marginal, concentrada ou específica.

Um diagnóstico bastante falado nos meios sociais é o Transtorno de Déficit de Atenção, quando a pessoa não consegue direcionar sua atenção concentrada para boa parte das atividades da rotina diária. Entretanto, é importante ressaltar que nem toda alteração de atenção possui uma conotação patológica primária, e nem sempre é voltada apenas aos transtornos de déficit de atenção.

Finalizando esse tópico das funções mentais, temos o julgamento cuja característica é permitir a análise da realidade na qual a pessoa encontra-se inserida. As alterações dessa função mental podem levar o indivíduo a desenvolver um quadro sociopático, onde a busca desenfreada no sentido de destruir aqueles que agem contrariamente a sua ética e valores.

Quadros delirantes são típicos na alteração do julgamento. O delírio ocorre quando a pessoa provoca alterações dos estímulos reais, dando a esses um novo significado e um novo sentido, ou seja, reinterpreta os signos e significados naturais que o estimulam.

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FONTE: GOMES, Clécio Carlo. Perícia Psicopatológica no Crime. Unoesc Virtual. Joaçaba, 2012

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