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Doença é uma expressão latina utilizada para expressar a dor vivida pelas pessoas. O sujeito da dor é o enfermo, ou, pessoa inclusa a um estado instável, fragilizado. As últimas décadas do século XX, seguido pelo romper do terceiro milênio, estabelece um intervalo de tempo marcado por uma incidência acentuada de pessoas diagnosticadas assim como pelo surgimento de novas patológicas clínicas na área da medicina geral, assim como na saúde mental. Mesmo sem diagnósticos efetivos, jamais fora percebida tantas manifestações sintomatológicas desviantes nos indivíduos como nos grupos sociais. Obviamente que o desenvolvimento da ciência possibilita essa visão, contudo, não é apenas a evolução cognitiva do homem que atribui uma razão exclusiva para a epidemia generalizada de transtornos físicos e mentais no mundo.

Da consequência à causa, é notória a série de reflexo que podem ser observados na vida diária de homens e de mulheres, passíveis de reflexão. Há falta de alegria para a execução das tarefas rotineiras. Isso por conta da ausência de um sentido que impulsione as pessoas a realizarem suas ações. O fato de o indivíduo auto perceber-se quebrando pedras repetidamente e não construindo catedrais, gera desmotivação e assim um amplo vazio existencial. Concomitantemente, as relações interpessoais passam a adotar um caráter semelhante, ou seja, a participação social perde a razão de ser, o esforço e o comprometimento devido, assume, meramente, uma dinâmica de envolvimento, um no sense que leva a uma comodidade injustificada para o devir da responsabilidade de cada um.

Ampliamos nossa ansiedade natural, fazendo do instinto de sobrevivência uma situação secundária, preocupados com o exercício dos valores pessoais, da competitividade entre semelhantes e o estabelecimento de uma guerra fria entre pares, filosoficamente sangrenta e aniquiladora, assim como são as experimentadas nos vários campos de batalha espalhados pelo mundo. De tão elevada, a ansiedade transforma-se em angústia, confundindo-se com os sinais depressivos, diagnóstico esse epidêmico na maioria das nações que constituem nosso planeta.  Realmente, não conseguimos ter claras as razões de que nos levam a ser, a fazer e, ainda mais intenso, de sentir o significado das coisas, dos comportamentos e das pessoas com quem convivemos muito menos as que se mantêm distantes das nossas relações. Incorporamos um sentido frio, adotamos comportamentos calculistas e fizemos da lógica uma equação sem sentido e incompreensível.

Valores tornaram-se descartáveis e sem solidez. Crenças adotaram um perfil instantâneo e os ritos voltaram-se ao encapsulamento e distanciamento da vida como um todo. O desprazer tomou conta da regra, fazendo com que a satisfação apareça em instantes de exceção dentro do dia a dia. A causa para isso tudo é bem menos complexa do que seus efeitos: abandonamos a nós mesmos, esvaziamo-nos e assim deixamos de ter o que oferecer àqueles que necessitam, assim como nós. Individualizamo-nos de tal maneira que mesmo cercado por milhões, fazemos brotar o pior de todos os sentimentos de solidão, o estar só acompanhado.

A vida real deixou de ser a grande riqueza, sendo substituída pela vida imaginária, ilusória e fantasiosa, hoje muito bem verificada pelo mundo virtual. Coisas e fatos assumiram o lugar ocupado pelas pessoas. A conveniência atropelou o bom senso e o que deveria ser concreto em nosso contexto, passou a ter um perfil ilusório, desejado. A Lei moral implantada, dita que a atenção deve ser debruçada sobre aquilo que se quer, desvalorizando o que se conquistou, aplicando uma menor valia às conquistas. Interessante que tudo isso é estruturado tão somente através da nossa livre escolha.

Ai, não nos falamos mais, pior, não falamos aquilo que deveria ser falado. Externamos de forma tora, as expressões de amor, optamos em ter, mas em verdade, nem sabemos o porquê. Estabelecemos e mantemos relacionamentos e papéis sociais, sem a devida consciência da responsabilidade e sem reconhecer que podemos mudar. Fazemos uma busca frenética por compensações e substituições, a maioria insana e sem sentido, potencializando ainda mais esse mar de frustrações.

Consequentemente, adoecemos. O corpo físico padece, os órgãos se deterioram, as células modificam suas estruturas naturais. O humor cai em declínio, à ansiedade alcança níveis insuportáveis e alguns ultrapassam todos os limites do suportável, alcançando a ruptura ampla de sua estrutura funcional e de personalidade. Perdem a condição estrutural para conduzirem todos os aspectos da vida, adoecem.

A cura não está na remoção da doença, mas, sim, no resgate da possibilidade plena para deterem a própria vida, num sentido diferente, fraterno, sem o egoísmo não saudável. Voltando a ser o eu que se perdeu em algum lugar, e em todos os momentos dessa correria para subsistir aceito e acolhido, mesmo que falseadamente.

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