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Fazer afirmativas sobre o exercício da verdade que se fala e aquela que se ouve, é como encontrar uma pessoa qualquer que sai avisando por ai que se deparou com vários micos leões dourados numa esquina qualquer, ou seja, um fenômeno raríssimo a ser constatado. Mesmo praticamente ausente, essa conduta é venerada e solicitada por parte significativa das pessoas. Clamam, avidamente, para que aqueles com quem consigo, relacionem-se e exerçam esse princípio. Entretanto, conduzimo-nos a um analfabetismo tamanho que, mesmo conseguindo juntar as letrinhas e significar os seus símbolos, fizemo-nos incapazes para “aprender, reaprender e desaprender” (Alvin Toffler).

A verdade, nada mais é, do que a expressão daquilo que se representa. A verdade não pertence à ordem do achismo, muito menos relata ilusões referentes a contos de fadas inexistentes. Não deve pertencer as esferas delirantes que alteram a ordem da realidade. A verdade apenas coloca em comum fatos ocorridos. Não se baseia em possibilidades e nem se alicerça em alternativas mágicas que anseiam o que é desejado. Para os agentes ativos, aqueles que falam a verdade, espécie rara a ser percebida em nossos meios, observam-se duas vertentes esquisitas: aos que fazem uso da verdade, deposita-se o repúdio em intensidades diferentes, sempre condizente com aquilo que é dito e seu impacto.

O ser verdadeiro tende a ser retirado dos eixos principais dos ciclos sociais e passam a ser marginalizados, assumindo suas posturas e conduzindo suas vidas a parte daquilo que se faz com a vida em si. O indivíduo que tem como prerrogativa a verdade falada, raramente se importa ou busca oposição a essas manobras, simplesmente, é verdadeiro pela constituição ontológica de seu caráter. Não há dúvidas de que aqueles que a executam, temem a reação dos que ouvem, contudo, não se eximem dessa prerrogativa.

Já aos que obrigatoriamente, passam pela experiência rara da verdade ouvida, é comum, quase que absoluto, de ater-se não as palavras que traduzem o que se é, mas, sim, ao tomar-se pela indignação contra o sujeito que as trás para seus ouvidos. Essa rivalidade sem sentido impede de se escutar com ouvidos de quem ouve. Centra-se fortemente na indignação atribuída a alguém que se permite opor-se a outrem revelando o que ocorre. O conteúdo em si é deturbado, modificado, filtrado até que as racionalizações permitam dar entrada aquilo que se dá conta de receber sem se ferir. Faz-se uso de um ouvido seletivo. Mesmo que isso logo seja colocado de lado e o ouvinte se agarre com todas as forças à indignação contra aquele que se fez ativo em falar.

Essa dinâmica aculturou-se de tal maneira na sociedade que a omissão à verdade, assim como sua transformação em tópicos que passam a não serem verdadeiros é pertinente em vários segmentos da estruturação coletiva. Isso pode ser constatado nos meios jornalísticos, na mídia de comunicação em geral, na política ou nas pessoas que representam o poder de todas as demais, nas escolas, enfim, em variados sistemas de interação comunitária a que pertencemos. Isso nos faz a não mais nos situarmos sobre o que é real, mas, sim, oscilarmos dentro de um tempo e de um espaço que edificamos como idealizado, porém, inexistente. Essa realidade virtual, tão somente fora transpostas ao mundo digital, não deriva dele, pois sempre convivemos com isso, fazendo uso de outros mecanismos.

A não verdade muito além de corromper esses sistemas aos quais pertencemos, dilacera e fragmenta aquilo que em verdade somos. Isso nos faz desconhecermo-nos e adotarmos posições insatisfatórias para o nosso desenvolvimento. Isso se reflete nas escolhas que fazemos e nas consequências geradas por essas, no sentido de promovermos, inevitavelmente, problemas e conflitos a serem novamente fomentados como mentiras para as nossas vidas e par a vida dos que nos cercam. Um ciclo vicioso e danoso, que provoca a doença da mente, do corpo e da alma, enfim, da essência que nos faz ser.

A verdade não é nociva, mas, tão somente, suas intenções desviantes do crescimento e da consciência. Não reivindica a eleição de culpados, muito menos almeja encontra um sujeito criminoso. A verdade é, por si só, a compreensão que buscamos a cerca de nós mesmos, do outro e do sistema m que nos inserimos. É pura, mesmo que dolorida, saudável, mesmo que desfaça nossas crenças. É edificante, mesmo que a reconstrução e partes de nossas vidas tenham que vir a acontecer. A verdade é tudo e sua ausência nos preenche com o nada. A execução da verdade rompe barreiras e nos direciona ao caminho evolutivo e de crescimento para o encontro com nossa realidade interior, afastando sombras e nos direcionando para a luz.

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