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Minha crença sempre esteve direcionada a um sentido. Defini-lo, porém, jamais foi fácil. A clareza que tanto almejava distanciava-se na medida em que minhas impressões enganavam-me com a suposta aproximação de algo concreto. Fui acompanhado de ilusões de ótica, assim como aquelas desenhadas no horizonte infinito do deserto. Ao longo dos anos, consegui construir um número vasto de realidades, distanciadas daquilo que me puxava com os pés ao chão, gritando em meus ouvidos sobre as verdades sem sentido, aquelas pertencentes a todos, mas nem um pouco internalizada à identidade daquilo que chamava de minha alma. Ingenuamente, dentro da minha maturidade, senti que não havia sentido para a alma sem que sua dinâmica fosse expressa. Além disso, dei-me conta dos incontáveis modelos que necessitavam de interpretação, encenados para o aprendizado de todos, somados diante de todas as diferenças que faziam do mundo algo tão belo e, ao mesmo tempo, interpretado como inalcançável.

Aprendi que a alma é o símbolo da essência humana e através da natureza que a compõe, colocamos em comum nossos sentimentos, nossas ideias, os valores e as marcas que formavam a nossa história. Enquanto corria, perseguindo a atenção de meus semelhantes, reconheci que a reunião dos pares dava um dos elementos paras esse grupo. Forças que se atraiam desejantes e desejadas, cuja vontade pulsava, intensamente, para envolverem-se e comprometerem-se. Imediatamente, a desilusão, fazendo com que as diferenças que somavam eram as mesmas que afastavam, destruíam, desuniam. Quantos foram os aniquilamentos presenciados de tantas identidades que se perderam pelo conflito estabelecido entre o que cada indivíduo conseguia e devia no embate coletivo daquilo que era, perpetuado e consolidado como Lei. Por isso interrompi minha ansiedade por fazer parte desse aglomerado e dei início a própria redescoberta.

Para tanto, desloquei-me em tempo e espaço, ora aqui, ora acolá. Envolvi-me com as situações e outras pessoas. Comprometi-me e internalizei todos os sentidos envolvidos na magia da vida. Tinha no corpo, físico e material, o veículo condutor de uma centelha divina, do âmago, semelhante a algo indefinido, sem prévia concepção, porém, sentido, intensamente. Aproximei-me, jamais da verdade, apenas da sensação de que viver era uma viagem alucinantemente, maravilhosa!  Encontros e desencontros eram promovidos, estímulos contínuos, ininterruptos, provocados pela minha sede de consciência, a avidez de conhecimento e a necessidade vital de evolução. Ai me via imerso em nova ilusão, pois somente me enxergava cada vez mais distante de tudo isso, na mesma proporção em que me aproximava. Sofrimentos e deleites preenchiam minhas conquistas e perdas, desatando ou fortalecendo os noz das interações e dos entendimentos. O corpo, locomotiva da alma, que motivava loucamente esse processo, fragilizado e descartável, apenas alimentava meu espírito condutor para que se fosse, independentemente, pelo tempo sem fim e na direção do absoluto.

O marco de minha partida dava-se em minha constituição mais rudimentar, norteada pelo princípio do prazer. Tamanha era a sede para suprir meu traço mais elementar, que era o da realização. Tinha-me como um ser ativo, pronto para entrar em ação e fazer qualquer coisa que se relacionasse a uma construção. Notei ser esse meu sentido e a ele declinei-me em reverência, entoando louvores às minhas possibilidades e alternativas. É claro que minha crença chegava à ordem da impulsividade, tamanha era vontade em realizar. Porém, a entrada ao ciclo da vida, conduzia-me por trilhos justos e determinados, levando-me à direção única, específica. Igualmente, também não estava mais sozinho, os modelos diferentes expressados por todas as pessoas, constituíam-se de vagões que se atrelavam a minha vida e a minha a de todos os demais. Uma limitação invasiva entre cada uma das vidas que se associavam, fazia-se espontânea e incondicional diante da trajetória.

Em verdade, um caminho pautado pelo conflito entre esse prazer que me fazia desejar, alicerçando cada gesto sobre a égide da motivação, em duelo contra o princípio da obrigatoriedade, delineadora do senso comum que guiava e conduzia cada modelo carregado nos vagões que percorriam os trilhos impostos à vida. Éramos todos agrupados e muitas vezes clamando por uma separação para o alcance da liberdade. Formalizávamos os grupos, dando estética à condução filosófica de uma vida em comum. O pagamento da passagem ao percurso dava-se com o aniquilamento da identidade de cada um dos passageiros e com isso, em alguns espaços e intervalos de tempo, somávamos para impulsionar o bem de todos e, em outros, subtraíamos, aniquilando um pouco mais aquilo que de ético deveríamos preservar frente à paisagem que se desenhava.

Não sei por que o símbolo da alma, com todos os seus significados, marcou tanto a minha interpretação para esse cenário. Afinal, muitos eram descrentes a essa razão, outros, a usavam bem distantes de seu significado e por vezes pude perceber um jogo competitivo de palavras, incoerente à atitude, deformando e recriando infinitos significados convenientes para a alma. Mas, existia um universo em comum para todos. Algo que dava uma intersecção que nos aproximava e o elo estava justamente na diversidade que especificava a cada um e ao mesmo tempo nos distanciava. Muito inicialmente pude verificar esse perfil como sendo a maior de todas as insanidades humanas: o homicídio culposo, provocado por cada uma das partes que compunham a vida, matando, filosoficamente, a riqueza intrínseca de quem, partes da vida, desejasse afastar-se da locomotiva e abrir novos caminhos diante da multiplicidade geográfica desenhada a nossa frente.

A alma! Tão somente o significante da associação de todos esses significados. A sentença que dita a somatória de cada uma das partes, da qual eu participo e contribuo. Nada metafísico e nem transcendental, mas um estado natural, permanente para ser e assim constituir o a de vir de cada um de nós. Um algo íntimo, tão interno, impregnado e, simultaneamente, negligenciado por esse padrão que fere e macula o que a personifica. Por essa razão é que me vi pertencendo à locomotiva da alma. A fim de compreendê-la e de fato internalizá-la.

E ai, você, passivo e submisso a leitura dessa minha história, você sabe qual o caminho que tem percorrido?! Por onde anda à sua locomotiva?!

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