Skip navigation

Existem peças, relacionadas ao quebra cabeças da história humana, que se encontram perdidas. A trajetória evolutiva já se desvendou em múltiplos aspectos, entretanto, lacunas importantes ainda são percebidas, afetando a consciência plena do homem para consigo e suas respectivas reações com o meio em que se insere. A compreensão da conduta moral, diferente dos demais animais, pode estar perdida nessa impressão remontada pela Arqueologia.

Preteritamente falando, o Australopitecos, ancestral direto do homo, confere à somatória de diversos hominídeos que viveram no planeta há aproximadamente 2,5 a 2,9 milhões de anos. A correlação entre essa espécie de vida com a do homo mais desenvolvida é afastada, ou seja, não são alocados a uma mesma família de descendentes e ascendentes. A essa fragmentação, estabelece-se um gap evolutivo, formalizando um buraco até as concepções descobertas e elaboradas para o homo habilis, alguns milhões de anos depois. O que se releva é que habilidades diversas e capacidades superiores e inferiores conviveram, simultaneamente nessa escalada secular da ascensão humana. Confere-se a inexistência dos vários hominídeos há cerca de 15 a 30 mil anos apenas.

Enquanto o homo habilis manipulava instrumentos como forma de auxílio para a execução de tarefas, o homo erectus adota a posição bípede e sai do continente africano para explorar outras áreas geográficas. Contemporâneo, o homo ergaster fez uso da pedra e conseguiu controlar o fogo, além de fazer uso da carne com assiduidade.  Esse processo de desenvolvimento provocou um aumento do cérebro, num intervalo de aproximadamente vinte mil anos, compatibilizando com o da infância nos dias atuais. Com um cérebro ainda maior, surge o neandertal, juntamente com o homo sapiens. O primeiro não tinha as habilidades da agricultura, organização e poder social como os sapiens. As teorias apontam ou para uma proximidade entre as espécies, ou, para uma rivalidade.

A essa transformação antropológica, definiu-se aquilo que Marx (1818) referenciou como a hierarquia familiar, passando aos governos e o trabalho conjunto, onde se formalizou a supremacia de uma classe dominante sobre a dominada através da resultante efetiva das habilidades aplicadas à alteração do meio. O fato de os neandertais terem o cérebro maior, causando uma incidência de fatalidades em partos, já que a anatomia das fêmeas incompatibilizava-se com essas proporções e, de viverem em condições mais rudes assolados pelo frio e maior necessidade de alimentos, o homo sapiens angariou outras possibilidades para se destacarem. Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=ROwKq3kxPEA.

 

                Joshua Greene, in Moral Tribes: Emotion, Reason, and the Gap Between Us and Them, revela elementos importantes para essa confratrnização social, aém de indagações pertinentes referentes à moralização da humanidade. Constata, factualmente, que o Sistema Nervoso Central (SNC) adaptou-se para a vida em clãs, ou tribos. As diferentes capacidades produzidas pelas espécies de hominídeos e de homos levaram a uma conveniente e interesseira necessidade de agregação. O ganho pela adição é superior ao da unidade que age, isoladamente, com resultados constantes e limitados. O grupo, denominado pelo autor como Nós, passou a exercer uma função de luta e fuga em relação a Eles, ou, os que se opunham a um princípio comum. Aqui o conflito de interesses é instalado, não apenas entre os diferentes grupos, mas, igualmente, entre as partes, ou individuais, que compunham os clãs, levando a um destaque das atitudes mais elaboradas e qualitativas em detrimento das de menor impacto e resultado. Tendência essa repassada como legado até as gerações atuais.

“… Greene defende que os nossos cérebros foram concebidos para a vida tribal, para conviver com um grupo seleccionado de pessoas (Nós) e para lutar contra todos os outros (Eles). Todavia, a vida moderna obrigou as diferentes tribos do mundo a partilharem um espaço comum crescentemente exíguo, criando conflitos de interesse e confrontos em torno de sistemas de valores distintos, em conjunto com oportunidades sem precedentes. À medida que o mundo fica mais pequeno para tanta gente – afinal somos já mais de sete mil milhões de humanos – as linhas morais que nos dividem tornam-se mais evidentes e, em simultâneo, mais confusas. E é por isso que lutamos por tudo e por nada, seja por causa dos impostos ou do aquecimento global, o que nos obriga a questionar se será possível, um dia, partilharmos um consenso ou um denominador comum universal.”

Helena Oliveira. A Base Biológica da Moralidade, 2013. ww.ver.pt/conteudos/verArtigo.aspx?id=1760&a=Etica

                O fato de desconhecermos, na íntegra, a respeito da participação humana à composição de todo o grande sistema planetário, reporta-nos a um não saber que nos impulsiona pela não consciência de um tempo e de um espaço. A exata mesma premissa dissertada por Freud (1900) quando das revelações do inconsciente e seu impacto sobre a vida individual de cada uma das pessoas. Em seu artigo, Helena Oliveira aponta um questionamento pertinente sobre a obra de Joshua Greene: como é que conseguimos viver com “Eles” quando aquilo que “eles” pretendem nos parece errado?Moralmente e diante de uma carta de valores, se, não sabemos sobre nós, o que diríamos a respeito do conhecimento que temos por eles. Nossas próprias pretensões são frágeis e inconsistentes, conduzindo-nos à dúvida, porém, mesmo assim, as percebemos equivocadas ao outro. Um mero jogo de projeções?!

Image

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: