Skip navigation

Não há nenhuma outra finalidade, para todo e qualquer ser vivo, a não ser, provocar o movimento, deslocar-se através do espaço, contribuindo para as transformações do meio e dos demais e, igualmente, transmutar, as imperfeições emergentes à identidade. A promoção, em único sentido, da evolução pela depuração. A essa agitação da matéria, cabe apenas à execução da ação. Karma, originado do sânscrito, norteou a caminhada oriental na direção à luz espiritual mais aperfeiçoada e madura. Budistas, hinduístas e jainistas propagaram sua fundamentação aos simpatizantes de suas propostas. Posteriormente, já no século XIX, os espíritos, dentro dos relatos repassados, reaproximaram a ideia e o valor da ação como vital para a obra de crescimento apontada à regeneração. Paralelo à contextualização mística, a Física mecânica, postulada sobre a ótica acadêmica, afirma que existe a lei a toda dinâmica material, onde “para toda ação existe uma reação de força equivalente em sentido contrário”. (http://www.significados.com.br/karma/). Enfim, a construção do pensamento humano, pautou-se à edificação, como resultante do feito humano. E ao contrário do que se discursa, karma não é castigo, punição ou pena a crimes cometidos. É preciso reparar o ledo engano oriundo da cultura católica.

Pré-existente à obra, faz necessário, produzir o moto que a impulsiona. As razões que conduzem à realização originam-se no dharma, ou dá sustentação, segunda a tradição védica. Aquilo que estrutura permite, então, a ampliação que tem por razão construir, fazer. Agora, para cada tarefa a ser executada, antecede a diretriz orientadora e determinadora, legislando as normas à execução, segundo a relação do bem, que leva para o alcance dos objetivos de vida, na sua totalidade. É a sensatez angariada na experiência, atual e pretérita, que definirá os atributos dos valores a serem utilizados, assim, frente às escolhas contínuas, eleitas diante de todos os estímulos vivenciados. Nesse ponto da reflexão, vale destacar, que cada pilar aplicado à história, deve-se, única e exclusivamente, ao eu, a identidade exclusiva que define cada alma. Não se pode delegar, repassar, abandonar ou negligenciar, pois em um espaço diferenciado, encontrar-se-á o elo que motivou permanecer perdido. Ou seja, não são os outros ou as coisas que assumem a responsabilidade nem as justificativas sobre o impulso estimulado. Eu sou o ajuizado pelos meus processos.  Aqui também se faz relevante, salientar, que o dharma não confere ao significado de redenção. Um tipo de prêmio e consolo obtido após perseguir o árido caminho da delirante pena cumprida.

Cada passo executado, adiciona informações que, sendo processadas, induzem, naturalmente a produção de conhecimentos. É com esse conteúdo que passo a estar apto a comparar e, dessa maneira, eleger. A apuração se dá pela referência estabelecida, compatível com o desejo pessoal, a ânsia pelo prazer e a satisfação, ou, nas mesmas proporções, pelo medo e receio da exposição, da perda do controle e do afastamento de uma imaginária zona de conforto criada pela vã comodidade que assola os embrutecidos e ignorantes. Por essa razão, a incompatibilidade, em alcançar o anseio e o modelo do outro, desfere a anulação daquilo que se faz. O pertencer ao outro, também é uma escolha, irreal, pertencente à ordem do ideal. A missão de cada um não está alicerçada à fantasia. O maior mundo a ser habitado e explorado é o interior, a própria alma. Entretanto, é vital, a esse empreendimento, pertencer a si, preservando a integridade do eu, ou do ego, descontaminando o potencial e as deficiências, desnudando-se para ver a si, com os olhos de que vê.

Podemos executar, desprendidos de orientação e de limitação. Agir pelo impulso e dominados pela passionalidade. Quase que um movimento voluntário, como se fosse uma contração espasmódica, sem a necessária consciência do ocorrido. Analogamente, um deslocamento por mero atrito, uma deambular oscilante, sem a devida precisão e precaução. Ao contrário, saudavelmente, apropria-se da resignação. Resignar não e desistir de si, permitindo que o externo assole a individualidade. Em profundidade, seu conceito aponta para o ceder espaço a si mesmo, ampliando a capacidade, a habilidade e as alternativas para o enfrentamento. É um abri mão de mim mesmo a favor de meu eu. Não existem perdas, somente amplidão. Ao contrário dos postulados traduzidos pelos livros das almas, quem resigna, jamais se conforma, cão contrário, permaneceria. Não renuncia, pois não perde, aprende e com isso ascende. Muito menos submete-se, já que se assim o fosse, sua soberania onipotente e onipresente, assumiriam o absolutismo e nada mais serviria, bastando-se em si.             Provocar a ação com resignação, é estar perseguindo a inflação máxima do potencial. É não ser submisso a própria incapacidade, inconformando-se com o pouco encontrado sobre si mesmo até então. Resignar, enfim, é a simples vontade em aceitar tudo que probabiliza. Isso só ocorre pela renúncia do que era, para a aglutinação do que é e a fomentação para o que passará a ser. Um aprimoramento para sentir, efetivamente.

Resigno, somente pela pré-existência da resiliência. A resistência se faz fundamental para a adaptação ao novo estado, ainda mais, para viver as adversidades da transição imposta à essa conquista. O enfrentamento a si mesmo provoca vulnerabilidade, apregoadas às raízes do apego que contrapõe ao estoicismo peculiar do encontro consigo. Uma adaptação essencial entre o estado atual e o talvez não desejado, mas, preciso, direcionamento a ascensão. É centrar toda a energia, a motivação e a vontade, no instante presente, mesmo que o cenário não seja promissor ao meu atual estágio de evolução. Isso é viver. Isso é lutar com garra. Todo o restante, pregado ao outro, passa a ser uma consequência lógica e natural.

Image

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: