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A afetividade representa um conjunto de múltiplas modalidades da dimensão psíquica experimentadas pelo homem em suas experiências, capacitando-o a externar, qualitativamente, o humor, as emoções e os sentimentos (DALGALARRONDO, 2000). A essa função mental, constitui-se uma etiologia inata, de caráter instintivo, ou, primitivo, assim como elementos elaborados e sofisticados pela associação à inteligência, ao pensamento e à memória. A marca evolucionista da raça humana aponta para esse princípio desenvolvimentista, natural. De acordo com artigos anteriores, constata-se a aproximação da nossa espécie, já no período do paleolítico, com as concepções místicas e transcendentes à realidade do homem (MITHEN, 2002) e da vida dentro do ecossistema como um todo.

O isolamento teológico promovido através da institucionalização da religião provocou um movimento interessante para o pensamento e a formulação de ideias do indivíduo, marcante até o rompimento ao terceiro milênio. Para uma maior compreensão, resgato alguns pressupostos de Karl Popper (1902) a cerca da falsificabilidade. Inicialmente, o Filósofo afirma que a ciência deriva, eminentemente, das conjecturas produzidas pelos sujeitos que observam, alterando hipóteses antigas por novas. A substituição se dá pelo princípio da falsidade, ou seja, aquilo que supostamente estava, deixa de ser e outra teoria toma seu lugar, tendo um novo prazo de validade à sua conclusão. Logo, Popper conduz a concepção do conhecimento ao senso comum. Um paradoxo a busca impositiva estabelecida, repetidamente, pela Igreja e a academia oficial. Ciência e mística partem de uma mesma origem: intuição ou pressentimento, não passíveis de refutação pela observação em seu instante inicial.

A solidez da ciência está no desenvolvimento concreto das formulações que a embasam, levando a constatações visíveis. Isso determina as contradições de algumas das estruturas estabelecidas como modelo referencial para o pensamento do homem. Jesus de Nazaré, além de ter sido arrancado da cultura judaica, como se essa não fosse a vigente e a que dera sustentação para o homem peregrino, foi acusado da responsabilidade de construir uma religião e por essa estruturar uma igreja. Projetou-se ao mártir, o apontamento do endeusamento do homem, levando seus contemporâneos e gerações subsequentes a hierarquizarem a mística que tomou conta de boa parte da Terra. Mesmo sem possuir recursos materiais ou pertencer à elite da Galileia, projetou-se a ele a necessária ambição das conquistas geográficas, a captura dos bens alheios e a imposição autoritária de uma doutrina que não lhe pertenceu.

O contrassenso foi tamanho que a toda essa invasão delimites era professada por seus representantes maiores, o clero, em latim e virados de costas para os fieis que buscam a palavra do evangelho e a efetiva religação a Deus. A coerção alcançou à ordem dos delírios compartilhados, quando se vendiam aos seguidores conforto e possibilidades do reio dos céus, em troca da obediência e da submissão. Culturas diferenciadas foram violadas por essa arrogância, inclusive as dos povos americanos que, posteriormente, foram acessados pelas grandes navegações. Secularmente, a educação e a formação moral das pessoas ficaram ao encargo de homens moralmente duvidosos. O eixo central do conteúdo era a de um Deus imaginário e conveniente, método de aliciamento e o princípio o da mentira.

Formulou-se uma antinomia à construção do saber, danificando aquilo que para Popper, afeta a austeridade científica, que é a da capacidade para a flexibilização do pensamento, aceitando observações diferentes daquilo que passa a ser afirmado. Assim como os segmentos ligados às ciências humanas e das que rompem em emergência através das áreas místicas, a ciência em si, oficializada pela comunidade científica, todas, eximem-se dessa tolerância. Há uma competição que não se estabelece em si mesma, na busca do aperfeiçoamento e da amplitude sobre o olhar, mas, entre si, desejando uma sobreposição uma sobre as outras, descabida e sem senso lógico.

“A tolerância ilimitada leva ao desaparecimento da tolerância. Se estendermos a tolerância ilimitada, mesmo para aqueles que são intolerantes, e se não estamos preparados para defender uma sociedade tolerante contra o ataque dos intolerantes, então os tolerante serão destruídos e tolerância com eles. – Esta formulação, não implica que devemos sempre suprimir as filosofias intolerantes, contanto que possamos combatê-las por argumentos racionais e mantê-las sob controle pela opinião pública.

 

Mas devemos reivindicar o direito de suprimi-las, se necessário até mesmo pela força, e isso pode facilmente acontecer se elas não estiverem preparadas em debater no nível de argumentação racional, ao começar por criticar todos os argumentos e proibindo seus seguidores de ouvir argumentos racionais, devido ela ser uma filosofia enganosa, ensinando-os a responder a argumentos com uso de punhos ou pistolas.

Devemos, portanto, reivindicar, em nome da tolerância, o direito de não tolerar os intolerantes. Devemos enfatizar que qualquer movimento que pregue a intolerância deva ser colocado fora da lei, e devemos considerar a incitação à intolerância e perseguição devido a ela, como criminal, da mesma forma como devemos considerar a incitação ao assassinato, ou sequestro, ou para a revitalização do comércio de escravos como criminoso.”

POPPER, Karl. A Sociedade Aberta e seus Inimigos. 1974  –  http://pt.wikipedia.org/wiki/Karl_Popper

                Comparativamente, essa manipulação do saber, externada pelos grupos de domínio, empíricos ou de pesquisa, disseminados através dos séculos, a partir da Idade Média, significa, em essência, a realidade do mundo interno de cada ser, construídas dentro desse padrão cultural e tornado paradigma ao senso comum. O homem transformou-se em um mero experimento de si mesmo, escravo de suas ambições e desejante da pseudo realidade melhorada que não lhe pertence, mas, sim ao outro. Postulado pregado por Francis Bacon (1561) que mantém essa prática por eliminação, cujo critério de exclusão seja a provável insatisfação. Opostamente, Popper enfatizava a importância da verificação, não apenas para comprovar de fato pela razão, mas, inclusive, para se identificar as diferenças pertinentes e que concretizam a dinâmica da vida.

Não somos criadores, mas criaturas. Criar nada mais é do que simples interpretação daquilo que não acessamos pela falta de entendimento, tanto objetivo como subjetivo. Não somos deuses, mas seres com vida própria e que escolhem livremente seus desígnios, responsáveis plenos das consequências. Não temos problemas, mas, tão somente, usufruímos das escolhas que efetivamos. Viver da transcendência é uma ilusão, logo, a formalização da morte filosófica que nos impede de viver realmente. Torna-se o homem incapaz de comprometer-se com aquilo que vai além de si mesmo, se negligencia sua participação na vida e não se responsabiliza pelo estado presente em que se encontra. Assim, só se envolve, nada mais.

A razão, ainda não conquistada, não se reporta apenas à lógica, mas também ao afeto, mesmo que subjetivo. O homem moderno precisa se permitir confrontar-se consigo, acessar, efetivamente sua inconsciência, encoberta pela atenção concentrada que se fixa à consciência, o raso palpável.  Dentro desse método, reconheceremos de fato a Deus e teremos a capacidade de traduzir o saber no sentido de o que o é e de como o é, por si próprio e não pela imposição da vontade da humanidade. Só assim, chegaremos aos versos de Caetano Veloso:

“E onde voas bem alto, eu sou o chão
E onde pisas o chão, minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão”

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