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Estética compõe uma das vertentes que estruturam a Filosofia. Sua aparição se deu, inicialmente, na obra do Filósofo Alemão Alexandre Gottlieb Baumgarten (1750), Eesthetica, focando sobre a criação e a percepção humana em relação ao tema. O termo vai além de das definições do belo e de seus veículos de expressão como a arte, a poética e a linguagem. A Estética compreende o valor empregado às projeções do homem após o processamento cognitivo, de pensamento e afeto na relação estabelecida com os estímulos do meio. O período histórico do renascimento fala por si só. Definido como sendo o tempo para  resgate do homem frente ao ostracismo imposto pela Igreja institucionalizada. A visão não é de uma repugnância ao elemento místico, mas, sim, ao uso conveniente dos preceitos religiosos a favor do controle e do domínio das classes dominantes sobre a grande massa que compunha os povos invadidos e dominados pelo catolicismo em associação aos governos que expandiam suas fronteiras geográficas assim como inflacionavam seus recursos econômicos.

O caos administrativo e social provocados pelas invasões germânicas e a fragmentação do Império Romano propiciou a consolidação da Igreja Católica. Disseminando seus pressupostos entre os povos bárbaros, preservava a cultura helênica, unificando a sociedade feudal. Em troca de promessas fraudulentas, a economia católica expandiu, trocando os dividendos dos povos catequisados por espaços nobres numa suposta constelação universais para o fenômeno do pós-morte. As investiduras e os movimentos reformistas fomentou uma dinâmica de corrupção, distanciando os homens que representava a fé da essência que estruturava a Igreja. Em virtude dessa incoerência, as manifestações de fé passaram a acontecer deforma diferenciada aos pressupostos impostos. Essas crenças e superstições foram apontadas como verdadeiras heresias, então perseguidas e julgadas nos tribunais da Inquisição. Através do medo, o minoritário grupo político que aplicava seu poder, aumentava ainda mais o exercício de adestramento do povo que se rebelava o pretendia adotar essa ação. Em seguida surgem as cruzadas, em apelo ao Papa Urbano II, 1095, almejando a reaproximação aos espaços em poder do povo mulçumano.

 

Pressionada pelas monarquias católicas, a Inquisição desempenhou um papel político e social, freando os movimentos contrários às classes dominantes e, dessa maneira, ultrapassando sua finalidade declarada de proceder ao mero combate às heresias religiosas”.

http://www.historiadomundo.com.br/idade-media/a-igreja-medieval.htm

                A repetição de um padrão por séculos levou a uma consequência inevitável à humanidade: o pensamento e o comportamento persistente e invasivo. O perfeccionismo e o controle mental preponderavam, afinal, adotar uma postura diferente era um risco à vida e à alma. A preocupação  com  regras ordens e detalhes permitia a presença ao senso comum. A rigidez na execução de tarefas, atribuído aos ritos aplicados ao ecumenismo, desenvolveram um devotamento fervoroso à conduta obrigatória. As pessoas tinham que e isso era supra a realização do que lhes era devido ao prazer. Princípios de consciência e escrúpulos, apontaram ao paradigma da inflexibilidade aos valores, a ética e a moral. A gênese da organização das diferenciações e da discriminação social embasada na preconcepção e no julgamento. Rigidez e relação a tudo e a todos. Enfim, dinamizaram-se à humanidade polos distintos para viver em função do passado, aproximando-se quase que permanentemente a Jesus e seus ensinamentos, semeando matrizes de culpa e incorporando em cada cidadão a sensação de réus diante da vida. Ou, direcionar-se ao futuro na expectativa pela redenção eterna pela permanência ao lado de Deus. Uma prática cotidiana de acordo com os critérios de uma personalidade obsessivo-compulsiva-compulsiva, acompanhada de um humor angustiante (depressivo) por permanecerem no passado e ansiosa por ambicionarem o futuro distante e irreal.

Concomitantemente a esse cenário, duas figuras de importância significativa atuam em sentido contrário. Giordano Bruno (1548) foi simpatizante das correntes de pensamento grego. Mas foi a religião egípcia que mais inspirou e influenciou seu olhar em relação ao que se disseminava na Itália. Foi por esse interesse que se encantou pelas ciências ocultas e a astrologia. Adotou uma postura voltada para o saber científico. Em 1565 torna-se sacerdote, porém, sua intolerância com os demais pares do clero mostrava sua postura opositora. Ao ponto de ser levada ao tribunal da Inquisição  e condenado a morte por heresia. Atravessou sua vida contestando e apresentando contra argumentações sobre aquilo que se acreditava. “Ao final do século XIX intelectuais italianos redescobriram Bruno, tomando-o como símbolo do tipo de filósofo de vanguarda ousado e livre, e mártir da ciência e da filosofia. Para muitos no entanto não passou de um ocioso, um filósofo andarilho, um poeta vadio, e ficou longe de merecer ser chamado um cientista. Foi, sem dúvida, um pioneiro que acordou a Europa de um longo sono intelectual. Ele cunhou a frase “Libertas philosophica”, o direito de pensar, sonhar e filosofar, e foi martirizado devido ao seu excessivo entusiasmo. A ideia do universo infinito foi uma das mais estimulantes ideias do Renascimento”. http://www.antroposmoderno.com/antro-articulo.php?id_articulo=78

O outro personagem foi Martinho Lutero (1483). Nascido na Alemanha passou a pensar a Igreja de outra forma, não como os homens o faziam , mas dentro dos pressupostos evangélicos. Apesar de ter sido um grande estudioso de Santo Agostinho e dos escolásticos, deparou-se com a publicação de uma bíblia antiga redigida em latim, transformando suas convicções. Em 1507 começou sua procissão de fé. Tanto como Professor de Teologia como missionário diante de seus fiéis, Lutero repassava a palavra de Jesus sobre uma nova, velha, interpretação, e mesmo ponderadamente, contestava o que era repassado pela Instituição Católica. Acabou tornando-se um dissidente e o ícone do protestantismo e da ação que levou a reforma do catolicismo. Assim como Giordano Bruno, também foi levado aos tribunais e perseguido pela Inquisição. Assim, diante de uma purificação reinante e carregada de boas intenções, não havia uma aceitação plena por parte das pessoas e das sociedades em geral. Mesmo aos calados e de menor coragem, a liberdade de expressão e a coerência pelo que era e como era, cito as transcrições dos evangelhos, eram primordiais. Havia algo errado a esse rígido controle.

A estética renascentista emerge recriando a imagem do homem, como descendente criador e semelhante ao Criador. A lógica que postula o arbítrio como sendo de livre uso para o indivíduo, resgata a responsabilidade única e intransferível dos processos para o próprio homem, mas não ais como figura passiva e submissa ao desígnio dos outros homens e sim as pulsões de seu desejo que clama por ser externado para que a real evolução fosse processada, apontando às concepções da humanidade moderna. Independentemente desse movimento, o padrão comportamental, secular, já se fazia enraizado no inconsciente coletivo (JUNG). A abertura para novas estruturas se fazia necessária para complementar os anos de engessamento. Uma nova visão, mais bela, surgia.

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