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Historicamente, existem razões que induzem Sócrates, além de sua aculturação familiar, a aproximar-se da ordem arquetípica do homem espírito. Alguns séculos antes da eclosão grega para a arte, o conhecimento e a política, o cenário observado no Oriente Médio e na Europa não era nada atrativo ou motivador. Por volta de 1.500 anos antes de Cristo, quase mil anos que antecederam o diferencial intelectual na Grécia, um episódio bíblico (Livro de Êxodo, capítulo XX, Velho Testamento) narra a intervenção de Deus através de seu filho Moisés que, subindo o monte Sinai, recebe a descrição dos dez mandamentos para a dinâmica da humanidade. Sabe-se que, socialmente falando, as comunidades organizadas, assim como os clãs familiares, evoluíam em surtos de caos e de degeneração para os direitos humanos. O desrespeito era a pauta, assim como as invasões do limite alheio, os assassinatos, os estupros e demais formas de violência contra a vida do indivíduo, provocadas pelo próprio homem. Por isso, além de um aspecto divino, a narrativa encontrada no velho testamento, demonstra que Moisés, então guiado pelas orientações do Criador, exerceu um papel jurídico fundamental para a ordem social. Legislou não apenas em nome da Lei de Deus, mas profetizou ao povo sobre a importância sobre a reavaliação dos valores aplicados pelo homem, assim como o resgate, ou a criação, de novos referenciais à condução da paz e do equilíbrio.

Apesar de a Grécia, assim como o Egito, diferenciar-se quando em comparação as outras nações, não só pela capacidade intelectual, como também pela apresentação de um modelo diferente para a política experimentada pelos cidadãos, não deixavam de compartilharem elementos universais, como a devoção desorganizada, ora clamando pelo monoteísmo, ora reverenciando o politeísmo. Paralelamente, travavam paradoxos em suas condutas, fazendo dos músculos a grande ferramenta bélica para ampliação do espaço geográfico e a expansão do poder econômico. Não poderia faltar nisso tudo a intolerância de governadores e de filosofias políticas, assim como as que condenaram Sócrates a morte e as que fizeram Platão fugir do assédio repulsivo de alguns antipatizantes. Sócrates foi o visionário. O ser humano que olhou e percebeu que o homem distanciava-se cada vez mais dele mesmo, desvalorizando sua própria identidade e importância na ação natural do sistema e que pertencia. Nada menos, revelou que havia uma vida própria dentro da busca pela existência externa perseguida e ambicionada, mesmo que sem propósito, através do poder e do controle conquistado desde a primitividade. Desdenhado, trato como insano, até mesmo ingênuo e fora do contexto vigente, Sócrates, mais do que marginalizado, foi condenado à morte. Tamanha era sua grandeza que o fez passivamente, sem argumentar, submeter-se ao desejo daqueles que o julgaram, respeitando a suposta verdade, ali apresentada.

Sua semente enraizou e deu frutos por intermédio de Platão, seu discípulo direto e de Aristóteles, seguidor de Platão. Logo em seguida, coisa de cinco séculos no máximo, eis que surgem dois novos personagens que contribuíram para a maturação da mente humana: João Batista  e Jesus de Nazaré. De acordo com o Evangelho de Lucas, João Batista, filho de anciões, Isabel e do sacerdote Zacarias, nasceu alguns meses antes de Jesus e foi recluso em uma caverna próxima a Ein Karen, em Jerusalém. Essa iniciativa se deu porque era de conhecimento que o ei Herodes havia mandado matar crianças nascidas naquele período, temendo a vinda do messias profetizado pelo povo judeu. Apesar de ter crescido sozinho, João Batista foi sempre uma criança com visão ampla e discordante daquilo que se praticava no meio social. Após alguns anos, abandonou tudo e foi para a Judeia conviver com a seita dos essênios, que acreditava na chegada de um messias guerreiro e desbravador. Aos trinta anos afastou-se do isolamento e fazendo do rio Jordão quase que sua morada, passou a batizar os homens para que esses se aproximassem de Deus. Foi ai que se deparou com o homem Jesus, por sinal, seu primo, fazendo-o participar de seu ritual e repassando sua visão a respeito das necessidades de mudança para os povos.

Jesus, nascido na Galileia, também precisou ser escondido por Maria e José. Segundo os historiadores, o local de refúgio da família foi no Egito, local em que tive a oportunidade de estar quando de minha passagem pelo Cairo. As evidências descritas nos evangelhos de seus apóstolos, assim como nas pesquisas científicas, apontam o preparo do menino Jesus para iniciar sua caminhada, em torno dos trinta anos, a repassar os ensinamentos de Deus:

“Segundo a historiadora Paula Fredriksen, da Universidade de Boston, os 4 irmãos de Jesus tinham o nome de fundadores da nação de Israel. Seu próprio nome em aramaico, Yeshua, recordava o homem que teria sido o braço direito de Moisés e liderado os israelitas no êxodo do Egito.

Jesus com vinte anos, há um consenso entre os pesquisadores, seguia a seita dos essênios, uma entre tantas outras que os judeus se dividiram para ir contra os romanos. Pôncio Pilatos assumiu o governo da Judeia cometendo o maior pecado que poderia: desdenhar da fé dos judeus em acreditar em um Deus único. Existe semelhança entre a seita dos essênios e a que Jesus fundaria – ambas viviam sem bens privados, em regime de pobreza voluntária e chamavam Deus de “pai”. Essa hipótese foi reforçada com a descoberta dos manuscritos do Mar Morto em 1947. Eles continham detalhes de uma comunidade ligada aos essênios.

Os escritos sagrados relatam que João Batista fazia suas pregações e usava o batismo como forma de purificar seus seguidores, que deveriam confessar seus pecados e fazer votos de uma vida honesta. Jesus aparece nas escrituras pedindo a João para ser batizado. Depois de purificado nas águas do rio Jordão, Jesus parte para sua vida de pregações e milagres. Tal como João Batista, Jesus via o mundo dividido entre forças do bem e do mal. E que Deus logo viria intervir para acabar com o sofrimento. Ambos, segundo pesquisadores eram “Profetas apocalípticos”.”

http://www.e-biografias.net/jesus_cristo/

                “… sejam sinceros, se vão rezar, rezem de coração, se fizerem alguma coisa, façam com o coração” (João Batista apud Padre Sérgio , 2012, in http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2012/12/historiador-diz-que-joao-batista-era-um-dos-mais-admirados-por-jesus.html). Ambos os personagens, centralizados no papel da filosofia cristã, traduzem a orquestração entre o pensamento e a conduta, uma incompatibilidade histórica para o desenvolvimento humano. Para esse exercício, tanto João como Jesus eram dotado de uma forte personalidade, e lutaram para disseminarem tudo aquilo que acreditavam, seja pela fé, ou por imposição valorativa, mas assim o fizeram. Seus comportamentos conturbaram tanto a onipotência o homem guerreiro, aquele que conquistava pela luta, que foram condenados à morte, porém, hipoteticamente, a tal fé, ou,  valores se propagaram através dos tempos.  Para a época, a crucificação de Cristo e a decapitação de João os levaram à ordem do amor incompreendido. Afinal, a sinceridade e a atitude tomada pelo coração verdadeiro, é a mais elevada de todas as formas de amor.

Passados mais de dois mil anos do advento de suas peregrinações e ensinamentos, racionalmente, o conjunto teórico da obra não deixou de ser concretizado e, hoje, é de domínio de praticamente toda a esfera ocidental do planeta e, até mesmo, parte da oriental. Entretanto, ainda se fomenta em grande intensidade, essa mesma ordem de amor incompreendido. O desconhecido, como da mesma maneira, os segmentos de religação a Deus, seguidores da filosofia cristã, dissertam sobre a obrigatoriedade desse amor, como sendo algo compensatório ou até mesmo uma paga para as promessas de uma vida eterna. Parte significativa de seus seguidores confundem o significado repassado por João e Jesus, crendo na responsabilidade absoluta de seus atos pelo divino e não na parte que lhes cabem nas escolhas efetivadas aos processos que conduzem suas vidas. Tudo pode desde que no final se peça perdão. Tudo cabe desde que se ajoelhe, ao menos uma vez por semana na casa de Deus. Recorre-se à fé no exto momento da dor, ou, quando lhe convém. Estabeleceu-se uma relação ganha x perde, onde o dito fiel só quer ganhar, mas nada oferecer para que contemple seu merecimento. E ao término disso tudo, incorporamos a persona de Pilatos, lavamos as mãos e permanecemos cada vez mais menos limpos do que quando adentramos a essa égide que nos distancia da matéria e nos torna cada vez mais transpessoais.

Nesse intervalo de tempo histórico, o estágio evolutivo do homem desenvolveu três consciências. A maioria quase que absoluta das pessoas novamente transgrediram o reconhecimento do eu, deitaram-se em berço esplêndido, e deixaram a encargo de Deus, de um ser externo, a responsabilidade sobre todas as vicissitudes ocorridas. Transformaram o Deus uno numa dicotomia, fronteiriça ao bem e ao mal, a recompensa e ao castigo. Logo, se Deus é assim concebido, não poderia ser diferente a conduta comportamental de seus filhos, que ora são bons e em outros momentos maus. Afinal, Deus Pai, é o exemplo e a referência de identificação. Uma religação meramente burocrática, um tipo de amuleto utilizado para apostar que as coisas caminhem de maneira um pouco melhor. Um processo tão mecânico que nem mesmo os fies creem que oram, mesmo negando, conseguem encontrar nas sombras que distanciam suas consciências, o ato mecânico que repete uma verborreia de palavras proferidas para o encontro com Deus. O segundo grupo, é aquele que crê que executa os ensinamentos, sem nem mesmo reconhecerem seu significado, proferindo laudos discursos, buscando nas referências evangélicas justificativas e embasamentos, mas, na realidade do dia a dia, praticam somente aquilo que lhes convém, pior, justificando-se pelos pressupostos de uma interpretação humana àquilo que se repassou de forma madura ou divina. Isso apena afasta a sinceridade narrada contundentemente por João Batista e fere a expressão máxima de um coração que ama por se reconhecer e respeitar o que é exaltado pelo outro em sua diferença.

A terceira consciência, minoritária, é a das pessoas que tem consciência. Reconhecem não apenas o não saber sobre o amor devido, mas, acima de tudo, não se enaltecem, ao contrário, compreendem a necessidade busca contínua para que a coerência daquilo que pensam com o que fazem, estreite-se cada vez mais. São os que têm a noção de suas responsabilidades a respeito dos flagelos da própria vida e a certeza de que só galgaram degraus para a ascensão se estenderem, humildemente as mãos aos que os cercam, assim como a força que não abala para cumprir a responsabilidade social para o auxílio daqueles que necessitam de algum tipo de complemento. Complemento esse que pode ser oferecido por todos, afinal, não somos detentores de toda a força, assim como não somos desprovidos em absoluto de algum tipo de capacidade. Pessoas que não apenas vivem do discurso para a religação, mas que fazem e exercem, tendo nesse a maior prova de reconhecimento da importância da consciência cristã.  Finalizo pontuando, em hipótese alguma, o discurso religioso, já que todas essas prerrogativas simplesmente representam o anseio da humanidade desde os primórdios. João Batista e Jesus de Nazaré somente demonstraram que com boa vontade e princípios essa consciência é possível.

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