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Direcionamento à Aculturação Grega

 

                O agrupamento do homem primitivo, desenvolvendo-se à preexistência da socialização entre os indivíduos e o estabelecimento de clãs e posterior comunidades, deu-se dentro de um sentido inevitável, natural aos princípios evolucionistas à vida de todas as espécies. Um mecanismo espontâneo, capaz de oportunizar a adaptação e a sobrevivência dos humanos frente às vicissitudes proporcionadas por um mundo de ameaças e de oportunidades. A individuação promoveu a aproximação do mundo interno de cada ser com a realidade vigente do ecossistema. O processamento para esse encontro, manipulado pelas funções mentais em expansão, encontrou na arte o veículo para a manifestação dos conteúdos elaborados, as definições de ideias e  a aparição das soluções para as problemáticas convividas.

Nesse período de participação efetiva com os demais, iniciou a era do corromper para o homem, preparando-o para ascender à modernidade. Decompôs o seu eu, projetando ao externo e estabelecendo o encontro Eu x Tu (MORENO, 19889). Com essa dinâmica surge o Nós e aquilo que era primeira e única pessoa, amplia-se para o coletivo numa tentativa errante de permanecer, igualmente, una. Particularmente, percebo como esse sendo o marco da ruptura do estado primitivo à humanização que se amplia desde a época primeva, então. A voluntariedade perdeu sua essência, a liberdade precisou ser pensada e a dependência das demais realidades esboçou os princípios de uma escravidão comportamental, consequente às normas de deveres e de direitos emergidos na vida social.

Pessoalmente, a identidade de cada ser, colocou-se à prova, no sentido de verificar o que percebia, pensava e reagia, uma forma de constatação a cerca da verdade desconhecida, porém, desejada. Abandonando, parcialmente, suas precisões mais íntimas e dando maior valor a anseio às alheias, a autossuficiência foi se fragilizando e sem encontrar as devidas respostas, gerando angústias e toda a formação de um ciclo artificial para viver. Rousseau (1712) afirma que é a sociedade que retira do ser sua naturalidade, transmutando-o a um estado que não lhe pertence, ou, antinatural. O homem, assim, prova o que descrê sobre si por dar entrada, como influência à sua dinâmica, aquilo que pertence ao outro, dissolvendo a própria identidade. Por isso e, tão somente por essa lógica, estabelece uma progressão aritmética para expiar, delegando isso para as gerações subsequentes e tendo nesse o maior investimento feito pela humanidade.

“(…) os homens não tiram prazer algum da companhia uns dos outros (e sim, pelo contrário, um enorme desprazer), quando não existe um poder capaz de manter a todos em respeito. Porque cada um pretende que seu companheiro lhe atribua o mesmo valor que ele se atribui a si próprio e, na presença de todos os sinais de desprezo ou subestimação, naturalmente se esforça, na medida em que tal se atreva (o que, entre os que não têm um poder comum capaz de submeter a todos, vai suficientemente longe para levá-los a destruírem-se uns aos outros), por arrancar de seus contendores a atribuição de maior valor, causando-lhes dano e dos outros também, através do exemplo”

HOBBES in Leviatã, 1651.

Esse desrespeito colocado por HOBBES é percebido, empírica e academicamente, como sendo a grande impotência, não só do homem moderno, mas, sim, do homem antropológico, ou seja, presente em seu desenvolvimento. A não aceitação das verdades pessoais, usinadas pelo coletivo e condensadas através das divergências. O robatio, ou prova, contém o argumento originado do exame e da experiência que os ser externa com a finalidade de receber um retorno de veracidade, colocando a prova. O outro atua, identicamente, trazendo para o contexto verdades múltiplas que se identificam ou se contradizem. Na similaridade, a conveniência comprova e mantém a agregação. Já a oposição disfere as possibilidades para o desrespeito, fazendo com que essa participação mútua seja questionável e reavaliada. Independentemente, há influência sobre as percepções que se tornam públicas, acarretando efeitos em todos os envolvidos.

O equívoco da descrença em si e do impulso para a imposição da verdade pessoal produz o conflito e desestabiliza cada um dentro de suas inclinações naturais. Existe uma ameaça, levando à angústia (ansiedade) e uma respectiva oscilação de humor e aumento dos questionamentos individuais. A expiação surge como inevitável. O movimento para a correção e o ajuste do que falta para se alcançar a satisfação. Essa busca pode ser direcionada ao sujeito que age ou ao predicado produzido pelo sujeito, a coisa que se faz. Erroneamente, a guerra fria foi impulsionada em nossa espécie por essa razão que impulsionou o sentido à condução do ser e do estar vivo. Um princípio onde o todo (senso comum) é mais importante que a soma das partes (indivíduos e suas identidades), entretanto, tendo as partes como rivais absolutas para esse todo.

Max Weber (1864) argumenta que a sociedade é fruto das ações individuais, orientadas pelas atitudes dos outros. Direciona nessa afirmativa, que a forma como foi estruturado perfil para a socialização é castradora e cerceia a liberdade de todos os seus participantes que lutam pelo resgate da liberdade perdida, pois esse senso comum que rege a maioria é dominante, tornando seus componentes recessivos, ausentes de natureza. Não é que devamos anular a convivência social, mas, sim, alterar, radicalmente, seu modos operantes. Friedrich Nietzsche in Além do Bem e do Mal (1886) com muitíssima perspicácia consegue mostrar o paradigma da realidade social, estabelecida desde a primitividade:

“Abster-se reciprocamente de ofensas, da violência, da exploração, adaptar a sua própria vontade à de outro: tal coisa pode, num certo sentido tosco, tornar-se bom costume entre indivíduos, se existirem condições para tal (a saber, semelhança efectiva entre as suas quantidades de força e entre as suas escalas de valores e a homogeneidade dos mesmos dentro de um só organismo). Logo que, porém, se quisesse alargar este princípio, concebendo-o até como príncipio fundamental da sociedade, revelar-se-ia imediatamente como aquilo que é: vontade de negação da vida, princípio de dissolução e de decadência. Aqui é preciso pensar-se bem profundamente e defender-se de toda a fraqueza sentimentalista: a própria vida é essencialmente apropriação, ofensa, sujeição daquilo que é estranho e mais fraco, opressão, dureza, imposição de formas próprias, incorporação e pelo menos, na melhor das hipóteses, exploração, – mas para que empregar palavras a que, desde há muito, se deu uma intenção difamadora? 

 

Também aquele organismo dentro do qual conforme acima se admitiu, os indivíduos se tratam como iguais – e tal se dá em toda a aristocracia sã -, tem de fazer, no caso de ser um organismo vivo e não moribundo, ao enfrentar outros organismos, tudo o que os indivíduos dentro dele se abstêm de fazer entre si: terá de ser a vontade de poder personificada, quererá crescer, expandir-se, atrair a si, obter preponderância, – não por qualquer moralidade ou imoralidade, mas porquevive e porque a vida é cabalmente vontade de poder.”

http://www.citador.pt/textos/o-principio-fundamental-da-sociedade-friedrich-wilhelm-nietzsche 

 

A socialização efetiva parte da intimidade com o próprio eu. Só assim se dá o efetivo respeito entre as diferenças que soma o social.

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2 Comments

  1. O aprendizado e crescimento reflexivo provenientes das leituras dos seus artigos, são algo imensuravel, além da fluidez com que se organizam esses novos padrões de pensamento. Admiro muito os seus trabalhos, eterno mestre e amigo!


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