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As divergências fomentadas entre intelectuais e espiritualistas, compõem o maior e mais amplo debate dentro da história humana. Refiro-me a pessoas que conduzem a ciência e a religiosidade, não ao saber e ao sentimento da fé, pois ambos transcendem o estado em que nossa espécie se encontra. Esta em nossa origem e desenvolvimento os maiores embates. Enquanto os primeiros rendem-se à logica darwiniana (Charles Darwin, 1882) de que o homem, através de sua suprema capacidade adaptativa, gozou dos benefícios naturais da evolução, os demais se apoiam em uma construção que se iniciou na Filosofia grega e consolidou-se com a Patrística e, posteriormente, com a Escolástica, pilares de sustentação para a fé institucionalizada, representada pelo catolicismo cristão. Ou seja, defendem uma gênese divinizada para o ser humano.

Robert Foley in “Os Humanos Antes da Humanidade”, 2003, amplia as reflexões de Benjamin Disraeli quando, refletindo sobre a proximidade do homem com os macacos ou com os anjos, diz: “Agora estou do lado dos anjos”. Foley replica, como resultado de suas pesquisas, que, e verdade, “os humanos descendem dos macacos, mas transformaram-se em anjos.” A integração a essa dicotomia é fundamental, só assim passaremos a criar uma maior intimidade com a realidade de nossa espécie. A causa animal que nos pertence é fato. Nossa diferenciação de todo o restante da fauna, deu-se há aproximadamente, nada menos, que extensos seis milhões de anos, quando, antropologicamente comprovados, éramos parceiros idênticos dos símios. Durante a era primitiva, a consciência rudimentar já era atuante, pela simples razão de a inteligência, precária, já ser exercida, comprovada pelos prenúncios da arcaica e modesta organização social.

A esse intervalo de tempo, absolutamente caracterizado pelo traço animalesco, o homem ocupava a terceira etapa de sua evolução. Ultrapassou as barreiras atomistas, ascendeu para as celulares e ali se encontrava pertencente a uma vida anatomicamente estruturada, mesmo que de definição inexistente. Pertencem as três fases a resposta automática das sensações internas, automáticas ao principio de estímulo e resposta. A associação entre o pensamento, à inteligência e a memória, pela repetição das respostas a um mesmo estímulo, é que se associa às sensações a percepção. Assim, nesse período anatômico, o homo manifestava, precariamente, quando comparado à capacidade atual, a execução dessas funções mentais apresentadas. O fenômeno vida experimentado, fundamenta a base neurobiológica para que o estado vigil acontecesse, respondendo a um grau de clareza do sensório já internalizado. Enfim, havia um nível d consciência que possibilitava a lucidez e a interação com os seus e o ambiente.

Em termos de uma consciência psicológica, essa não se dava , já que a resposta era meramente instintiva, sem a presença de uma subjetividade elaborada. Igualmente, a consciência ético-filosófica embasava-se, simplesmente, nas questões emergentes de sobrevivência, de luta e fuga dentro da dinâmica de ocupação e manutenção do espaço ocupado. Moruzzi & Magoun (1940), apud  Paulo Dalgalarrondo in “Psicopatologia e Semiologia dos Transtornos Mentais”, 2000,  apresentaram a definição para o sistema reticular ativador ascendente, cuja função é habilitar o indivíduo para estar desperto  reagir, conscientemente. Atividade provocada pelo tronco cerebral e o diencéfalo, atuando sobre o mesencéfalo. Morfologia compatível com o Sistema Nervoso Central primitivo. Obviamente, o processo evolutivo apontou outras áreas de ação para a consciência, como o lobo parietal direito, pertencentes ao homem moderno.

Dentro disso, o homem passou milhões de anos reagindo, instintivamente, e, interagindo, de acordo com sua capacidade arcaica. Com sono, adormecia, com fome comia, com sede bebia, com medo enfrentava ou afugentava-se e com ira agredia. Sua percepção era voltada para suas manifestações essenciais e a consciência, direcionada para saciá-las, de maneira geral. Sem o pensamento concreto, assim como as qualquer outro tipo de estrutura funcional mais elaborada, a atenção e a motivação voltavam-se para o instante presente  e o gradativo aprendizado começava, então, a armazenar conteúdos em doses homeopáticas na mente dos humanos animalizados. A consciência era aplicada para o aqui e o agora, para o princípio da adequação e da manutenção que gerava a sobrevivência da espécie.

A essa etapa, pela conotação de adaptação ao meio para a sobrevivência, havia apenas uma preexistência simples para a interpretação e a diferenciação das coisas, talvez mais do que simples. Os registros de memória eram, em hipótese, funcionais voltados à mecânica de rotinas primárias, com direcionamento à luta e fuga. Princípios universais pertencentes a todo o reino animal. Princípios da adequação primitiva da consciência onde a igualdade se desmascarava, tão somente pela ação do mais forte ao sistema ocupado. Não se pode deixar de cogitar que, a essa época, já cabia à observação às eventuais diferenças reveladas em tempo futuro visto o movimento de socialização iniciado pelo homem primitivo.

A aproximação aos macacos é uma realidade. Aos anjos, uma idealização. Desejar essa divinização não traduz a razão de termos alcançado tal estado, ao contrário, mantemo-nos longe dessa suposta graça. Apenas adestramo-nos e realizamos as piruetas que lotam o grande espetáculo da vida. O tom angelical parti de um novo sentido, o de abandonar as concepções de show e simplesmente passarmos a viver, dando a cada um individualmente, o devido amor e retribuindo aos eu nos cercam, sentimento igualitário, “como se não houvesse amanhã” (Renato Russo), futuro e o presente fosse sentido como a mais pura realidade para o princípio das coisas.

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