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Nada mais absoluto em nossas vidas do que as incertezas. Quase que como um estado de espírito, a incerteza é calada, porém, permanente, e grita aos ouvidos e a mente das pessoas de maneira incessante. Na hora exata da decisão, é pontual e desestabiliza, gerando dúvidas e abrindo caminhos vastos para todas as alternativas que emergem para o ser em termos de possibilidades. Mesmo frente ao concretismo material daquilo que é e de como atua, a incerteza rompe barreiras incorrendo sobre a tendência para uma nova maneira, ou, até mesmo das condições concretas para seu uso. A tecnologia avançou, mas quando a estará ao alcance da maioria? A área da saúde expandiu-se radicalmente, tendo hoje possibilidades infinitas, porém, no caso de necessidade, teremos acesso a esses recursos? Muitos são os benefícios do saber, contudo, entre se ter e conhecimento a que fazer com a coisa, há um abismo, pois nem mesmo temos a certeza em poder interagir e assim provocar uma resultante com essa relação.

Se no concretismo a incerteza é presente, falar da subjetividade dos comportamentos e das reações afetivas acaba se tornando um eufemismo. Estabelecemos alicerces no passado, alguns fortalecidos, outros mais fragilizados. No presente desfruta-se aquilo que fora plantado, associado com a imposição dos novos estímulos e por fim agarra-se a um futuro, mesmo que imediato mais duvidoso do que tudo, já que não nos pertence, ainda inexiste. São seres que oscilam, com frequência, em três tempos distintos, confirmando conquistas, reparando erros e projetando-se a outra situação ainda a ser determinada.

“Ninguém avança pela vida em linha recta. Muitas vezes, não paramos nas estações indicadas no horário. Por vezes, saímos dos trilhos. Por vezes, perdemo-nos, ou levantamos voo e desaparecemos como pó. As viagens mais incríveis fazem-se às vezes sem se sair do mesmo lugar. No espaço de alguns minutos, certos indivíduos vivem aquilo que um mortal comum levaria toda a sua vida a viver. Alguns gastam um sem número de vidas no decurso da sua estadia cá em baixo. Alguns crescem como cogumelos, enquanto outros ficam inelutávelmente para trás, atolados no caminho. Aquilo que, momento a momento, se passa na vida de um homem é para sempre insondável. É absolutamente impossível que alguém conte a história toda, por muito limitado que seja o fragmento da nossa vida que decidamos tratar.” 

Henry Miller, in “O Mundo do Sexo”  –  http://www.citador.pt/textos/nada-e-certo-henry-miller

É essa dinâmica de infinitas possibilidades que pauta a vida cotidiana de cada m de nós. O que foi não será, nem mesmo o é, apenas surge na fonte inesgotável do desejo humano que se afasta da consciência que a tudo se renova. Por essa razão é que alimentamos a educação das pessoas, tendo como referencial, as certezas absolutas. Não que as sejam, entretanto, perpetua-se como paradigmas da cultura a fim de estabelecer uma estabilidade bamba e um controle que se descontrola quando em confronto com a hesitação natural, imposta, pela multiplicidade de vidas existentes em cada ser, em cada coisa.

Tornamo-nos deterministas nas atitudes, incoerentemente, com aquilo que suscita os pré-requisitos da harmonia e do equilíbrio, que é a tão almejada flexibilidade, derivada em aceitação ao diferente e respeito aos que não comungam de aspectos semelhantes ou não consomem aquilo que é tido como aceito pela maioria. Essa determinação fixou as raízes do senso comum e padronizou um modelo de vida semelhante para pessoas diferentes. Ou seja, experimentamos o que é para todos, porém, de maneira incomum, selecionando parte da totalidade. Só isso justifica o oceano de incertezas em que submerge cada uma das vidas que participa do ciclo vital desenhado pela humanidade.

A incerteza é o caminho para o que se concebe como verossímil. A ascensão individual e coletiva eclode das condições, e essas são as alternativas pertinentes e pertencentes a cada um de nós, encobertas pelas sombras do desconhecido, fazendo-nos um grupo de risco, subjugados pela ameaça e ao acaso da própria ignorância de quem de fato somos. Educar para as incertezas é transformar esses atributos em oportunidades, valorando a cada um, com dignidade e reconhecendo, de fato, que a somatória das desigualdades é que construirá um mundo melhor, mais digno e de real participação, através da liberdade de escolha, de cada participante do fenômeno vida.

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