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A compreensão humana associa-se ao sofrimento e às falsas verdades, temas abordados em artigos anteriores. Edgar Morin (1999) em seu livro “Educação e Complexidade: Os Sete Saberes e Outros Ensaios” apresenta uma indagação, no mínimo, curiosa, para não dizer, contundente ao descaso do homem com sua própria humanidade. Afinal, qual o espaço e o tempo oferecidos para que as pessoas conquistem a compreensão sobre si mesma e em relação aos outros? Em verdade, essa reflexão é praticamente uma afirmação, já que ao homem cabe o entendimento como objeto em si, porém, jamais como sujeito.

Dentre todas as carências levantadas na área das ciências humanas, a ausência d compreensão é a maior de todas. Ora, se o ser não se reconhece, consequentemente, não se aceita. Não se aceitando, a baixa estima se faz presente e, consequentemente, os traços de insegurança e de dependência se farão presentes repetidamente em suas escolhas e ações. A convivência consigo mesmo será prejudicada e, em várias vezes para essa relação, percebera-se não só a estranheza sobre a própria identidade, assim como a sensação de uma solidão acompanhada. O pior tipo de sentimento de vazio.

É por essa incompreensão que parte das afirmações estabelecidas são falseadas. Determinam-se padrões e diretrizes em relação ao eu que não é íntimo, conhecido ou reconhecido. Mais grave ainda é a tendência que o indivíduo tem em afirmar e reafirmar sobre o outro aquilo que nem mesmo consegue ter certeza em si. Derivam-se, então, ramos extensos de achismos e de imposições em que nem sempre, aliás, poucas às vezes, consegue-se observar uma veracidade pura, cristalina e condizente com o que de fato se é.

Já a dor, essa resulta da aplicação das falsas verdades. Pode-se verificar essa sequela, tanto no indivíduo que menti para si mesmo, buscando um perfil condizente com a necessidade alheia, a fim de atender sua necessidade em ser aceito, como, igualmente, aos que estão à sua volta, pela inclinação em querer modificar as condições das pessoas para um estado que convém e que interessa aos princípios pessoais. Um mecanismo cíclico que leva cada um dos seres a andar, repetidamente, em círculos. No final da história, amenizando as responsabilidades, a culpa sempre está alheia a nós.

“Sofremos de uma carência de compreensão. Certamente é muito difícil compreender pessoas de culturas diferentes da nossa, embora alguns manuais possam nos auxiliar. É surpreendente que familiares, vizinhos, parentes, casais, pais e filhos não se compreendam entre si. Tem-se a impressão que a incompreensão se desenvolve com nosso individualismo, em vez dele ajudar a compreender nós mesmos, como se o individualismo desenvolvesse uma espécie auto justificação egocêntrica permanente. Dai decorre a tendência a sempre relançar a culpa sobre o outro.”

Edgar Morin. Educação e Complexidade: Os Sete Saberes e Outros Ensaios. 1999.

                Tais características minimizam nas pessoas a lucidez sobre as coisas e suas respectivas interações.  Há uma avalanche de mentiras e de omissões, ambicionando sempre aquilo que estabiliza, tornando agradável as coisas e assim evitando os conflitos, geradores decrescimento e de imposição salutar das identidades. Aqui, acrescenta outra atitude danosa às concepções para a qualidade de vida do ser humano: a indiferença com que se trata a real condição e precisão das pessoas frente ao seu processo evolutivo através da educação saudável que agrega e faz crescer. “O homem não é tão ferido pelo que acontece, e sim por sua opinião sobre o que acontece” (MONTAIGNE, 1592).

A compreensão humana é uma necessidade intrínseca, pulsante e imprescindível. Os alicerces para esse processo encontram-se no mundo interno de cada ser. Obviamente, depois de depurada as ranhuras pessoais, há o complemento desse entendimento através das vivências coletivas, porém, não é social que fomenta a base daquilo que cada um de nós somos. A convivência solidária, ainda maior e mais representativa que as manifestações fraternas, dá-se, efetivamente, pelo respeito com que o ser aplica sobre si, conquistando, então, a capacidade para respeitar as diversidades e diferenças permanentes e contínuas das rodas comunitárias.

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